Escola Municipalizada Onze de Junho
Hoje nosso encontro do Café, Pão e Texto com os professores foi diferente. A Escola Municipalizada Onze de Junho, de Itaboraí, esse ano faz um projeto com os alunos sobre Democracia e queriam ouvir o Juan Arias e seu olhar estrangeiro. Foi um encontro riquíssimo. Juan trouxe a sua vasta experiência de jornalismo: quarenta anos na Itália e no Vaticano como correspondente, alguns anos no franquismo na Espanha, escrevendo com um censor ao lado, seus anos na Rai, televisão italiana e dezenove anos de jornalismo no Brasil. Juan que viveu a Guerra Civil quando criança, que passou anos muito difíceis de pós guerra, fome e ditadura, com tantos anos dedicados ao jornalismo, colocou com muita propriedade, em pauta, as fragilidades da nossa democracia, ( indo primeiro até a Grecia, até a etmologia da palavra) e as nossas esperanças. Foram muitas perguntas. Alguns relatos. Muitos abraços. Um belo café da manhã. Hoje fui ouvinte.
E.M. Honorina de Carvalho
Recebi hoje a E.M. Honorina de Carvalho, que fica em Pendotiba, Niterói. Chegaram tarde, pois vieram num ônibus escolar comum, que tinha que atender muitos alunos antes. Brincamos com poemas, eu acho que é a melhor maneira de aproximá-los da poesia. Eram da sexta e sétima séries e um menino me disse, na hora de ir embora: – Tia, deixa eu morar com a senhora. Eu perguntei: – Mas e teu pai e tua mãe? Ele respondeu: – Não faz mal, tia, eu prefiro ficar aqui. Outro me disse que era uma honra estar com uma escritora famosa. E uma menina disse que jamais se esqueceria do que viveu hoje. Entre as brincadeiras poéticas eu pedi que me dessem ditados populares. Eles sabiam muitos, eu desconhecia quase todos. Para o meu Poço dos Desejos pedi desejos e o que mais me comoveu foi o desejo deles de que o tráfico acabasse. Desejam um mundo sem policiais e sem traficantes. Muitos querem ser engenheiros, trabalhar com informática, querem ser médicos… Tomara que consigam vencer tantas dificuldades. Pelo menos passamos juntos uma linda manhã de poesia com a Professora Marisa e Professora Vanessa.
Café, pão e texto
As escolas de Saquarema agora possuem um conceito: cada escola é uma “Escola que lê”. Dentro dessa frase mínima vive um universo. Não é necessário fazer mil e um malabarismos. Mas que todos na escola estejam envolvidos nesse grande desafio: o aluno leitor. Nosso Café, Pão e Texto hoje recebeu 25 professores de Salas de Leitura. Conversamos muito e fizemos a leitura compartilhada do conto Mistério em São Cristóvão da Clarice Lispector, que já sei de cor e salteado. Foi maravilhoso. Fiquei surpresa com tantas leituras lindas. E a felicidade no rosto de cada uma (apenas um professor!) ao final da nossa discussão: muitas nunca haviam vivenciado um momento assim. Discutimos muitas coisas. Família, amor, infância, adolescência, a genealogia das mulheres… E agora é verdade: as professoras de Saquarema estão de volta!!!
Escolas Municipais Amil Tanos e Zelia de Souza Aguiar
Eram 12 professoras e uma contadora de histórias, a Emilly. Vieram de Macaé, das Escolas Municipais Amil Tanos e Zelia de Souza Aguiar. Chegaram e Janete recitou meu poema ” Quero asas de borboleta azul” bem no portão. Ela disse que eu faço parte da sua vida desde sempre. Foi a manhã mais maravilhosa do mundo, onde falamos de leitura, Salas de Leitura, Rodas de Leitura, Clubes de Leitura e Professor Leitor! Ufa!!! Vieram atrás de ideias. Me trouxeram presentes: mangas maduras, queijos, requeijão, manteiga,sabonetes maravilhosos. Vanda Oliveira fez o café com leite e os sucos. Samuel, nosso jardineiro, foi decretado Mestre das Orquídeas. Acho que não saíram com as mãos vazias. Fazia a manhã de paraíso que um encontro desses pede. Eu havia feito os bolos ontem e o pão recheado hoje bem cedinho. Foi servido ainda quente. Emilly nos contou uma história linda. Li alguns poemas. Um segredo: a felicidade existe e tem todas as cores.
E.M. Professora Paulina Porto
Receber alguns alunos em casa é como abrir uma caixinha de surpresas: nunca sei como será. Eles eram do primeiro e segundo ano, ainda aprendendo a ler. Tinham de 7 a 10 anos. Um bando de passarinhos voando de lá pra cá! Primeiro a preparação da mesa do café, desde a véspera. Depois Samuel e Vanda chegam e me ajudam a fazer o cenário da varanda. As crianças da E.M Professora Paulina Porto, zona rural de Tanguá, já chegaram animadíssimas. Quando abri o portão entraram radiantes e se jogaram no tapete com as almofadas. Perguntei quem queria ir ao banheiro. Todos. Na volta do banheiro já falavam que estavam com fome. Então começamos pelo lanche. Fiz dois bolos, um de fubá com coco e outro de chocolate, fiz quibe de forno, pão recheado, comprei panetone, sucos e café com leite. Começamos com meu livro Carona no Jipe, depois Caixinha de Música e Brinquedos e Brincadeiras. Fechamos com o Receitas de Olhar. Mas para cada poema que leio com eles eu tenho brincadeiras. São brincadeiras com poesia. Eles se maravilharam com o barulho do mar. Diziam sempre: o mar está bravo! Depois foram pro jardim e brincaram de pique esconde, tiramos fotos e era linda de ver a alegria deles. A escola, na zona rural, não tem quintal de terra ou grama. É tudo cimento, me conta a Professora Vladimara. E hoje para eles era mesmo dia de festa. Ainda iam na lagoa e no Museu Arqueológico de Araruama.
E.M. Sítio do Ipê
Uma escola com aula de cinema em convênio com a UFF, sob a regéncia da Professora Suzana Alves da Cruz, dentro do Projeto Inventar com a Diferença: Cinema e Direitos Humanos. Professoras completamente engajadas com literatura e arte. A turma de reforço escolar aprende reforçando a auto estima com criatividade e leitura. Essa foi a magnífica escola que recebi hoje, a E.M.Sítio do Ipê, de Niterói. Escola com horta e composteira! As crianças estavam numa felicidade só. E lemos poemas, brincamos, rimos, comemos, eles correram pelo jardim. E tudo foi filmado pelos alunos do curso de cinema. O que vi e ouvi reforça tudo o que penso sobre Educação: sem literatura e arte a escola é uma prisão. Hoje tinhamos um visitante especial: o Jaques Lucas Cavalcanti, aluno de jornalismo da UFRJ. Ele veio para me entrevistar para um trabalho. Depois as crianças foram fotografar o mar ( de longe! ), pois o mar está de ressaca. E depois que eles se foram, guardo essa alegria bem guardada, meu coração cheio de esperança.
CIEP 258 Astrogildo Pereira
Hoje vivi uma experiência magnífica . Recebi um grupo de jovens do Ensino Médio, do CIEP 258 Astrogildo Pereira. São alunos do Ensino Médio Integral. Uma turma experimental, piloto. A escola tem 2 turmas experimentais. Eles têm aulas de filosofia, sociologia, projeto de vida, estudos orientados ( temas para debate). Fizemos o encontro dentro de casa, pois o tempo está chuvoso e frio. Foi ótimo, pois ficou muito íntimo. Eles eram lindíssimos. Comecei falando do Brasil. Do nosso momento. E fomos abrindo para o mundo inteiro. Falei da revolução francesa, da revolução russa, de como as revoluções são sangrentas e matam demais e de como a verdadeira revolução só através da educação. Falamos de arte, de vanguarda, de família. Falamos de ousadia, criatividade. Do perigo que os livros representam, por isso livros são queimados e perseguidos em regimes de terror, de que a biblioteca da escola deveria ser a sua verdadeira casa. Falamos de identidade, genealogia. De como somos nós e os outros. Os que nos antecederam. Li poemas. Fiz exercícios de poesia oralmente com eles. Foi tão bonito e emocionante que preciso me acalmar contando. Eles se apaixonaram pelo meu pão. Prometi fazer uma oficina de pão nas férias com eles. Queriam comprar o meu pão! Depois foram fotografar o jardim. E Nathalia Santos, aluna linda, na hora de ir embora me disse: – Eu esperava outra coisa. Obrigada pela chuva de conhecimento. Minha amada Bruna Pinto, do Clube de Leitura, é professora deles e estava aqui e me prometeu criar um Clube de Leitura com eles. O que estou sentindo é um arco íris por dentro
E.M. Clotilde
Hoje o Café, Pão e Texto recebeu adolescentes da E.M. Clotilde, da sexta, sétima e nona séries. Quando o ônibus encostou na porta da casa, entrei no ônibus e fui ovacionada. Muita emoção. Ter Roseléa Olímpio como aliada é uma dádiva. Cada aluno e aluna me beijava e abraçava com fervor no portão, antes de entrar. Comecei perguntando o que nos difetenciava dos outros animais que dividiam o planeta com a gente. Então falamos do que é humano. E o que podemos fazer para retirar do poço que somos nós a água mais limpa, já que nós humanos trazemos o gene da violência. Falamos da literatura como ferramenta capaz de nos ajudar, nos sensibilizar para o outro, nos ajudar a desenvolver nossa compaixão e empatia. Falamos de todos os sentimentos. Falamos da diferença entre a poesia e a prosa. Eles participaram, falaram, se inquietaram. Li um poema do Carteira de Identidade e pedi para que cada um encontrasse uma palavra que o nomeasse. Até o motorista do ônibus, Sr. Magno participou. Li poemas de amor do Fruta no Ponto. Eles vibraram, ficaram muito muito felizes. Depois de tanta conversa e poesia queriam saber tudo sobre o meu processo de criação. Meu pão foi sucesso mais do que absoluto. O jardim foi sucesso absoluto. Depois de mil fotos e selfies, na hora da partida, eles me pediram um encontro ao contrário: Eles é que vão ler para mim os seus poemas, lá na Sala de Leitura da escola, que leva meu nome. Definitivamente os meus encontros com os adolescentes são o que há de bom na face da Terra.
E.M. Amália da Costa Mello
Hoje, depois de toda a chuva e sudoeste de ontem, pude fazer o encontro do Café, Pão e Texto na varanda. Embora frio, não chovia. A E.M. Amália da Costa Mello veio pelas mãos da Neuzileia Oliveira Santana, de Sampaio Correia e era uma turminha do segundo ano, tão lindos e amorosos, pareciam gatinhos, borboletas, passarinhos. Fizemos muitas brincadeiras com os livros Caixinha de Música, Quem Vê Cara não Vê Coração, Receitas de Olhar, Poemas e Comidinhas. Uma das brincadeiras, depois da leitura de um poema, era que bichinho cada um queria ser. Tigre, águia, sereia… e uma menina disse: princesa! Acordei muito cedo para fazer pão e bolo. Aline De Oliveira Oliveira, um dos meus anjos da guarda, veio me ajudar. A varanda parecia um bosque, cheia de folhas e galhos pelo vendaval de ontem. Havia que varrer e limpar para receber a escola. A alegria das crianças tem todas as cores e sinos. Ganhei tantos beijos e abraços que meu coração está abarrotado.
E. M. Glycério Salles
Uma escola veio de longe: Escola Municipal Glycério Salles, da cidade de Italva. Quase cinco horas de viagem até aqui, para o nosso Café, Pão e Texto. Mas como descrever a magia que se derramou sobre todos nós desde o minuto em que o ônibus encostou em nossa porta? Uma Professora, ao me abraçar na chegada, me diz: – Estamos realizando um desejo antigo. E recebi presentes da roça: doce de figo, geléias, queijos, kibe (Italva é a cidade do kibe!), uma almofada com meus poemas, avental de cozinha, com meus poemas e um cofre de mármore também com meus poemas! Ganhei também uma orquídea. Fizemos brincadeiras com os poemas. Rimos e dividimos a felicidade deste encontro. Alguns alunos disseram alguns poemas de cor. As crianças correram pelo jardim. E arrumamos as mesas pro almoço como se fosse um restaurante! Todos ajudaram, alunos e professores. Vanda Oliveira , Aline De Oliveira Oliveira e Samuel, meus anjos, foram incansáveis. Samuel acendeu o fogão às 7h da manhã e às 12.30 comemos a feijoada mais perfeita do planeta Terra. Éramos 37 pessoas! Servimos canjica de sobremesa. Depois fomos até o mar. Muitos não conheciam o mar! E então, sessão de autógrafos. E beijos. Devo dizer que os alunos eram maravilhosos. Fruto da dedicação de professores maravilhosos. E como hoje contei a história da Sherazade para eles, a minha sensação agora é a de estar voando num tapete voador. Agradeço a presença da Secretária de Educação de Italva Vera Lane Rodrigues e das professoras absolutamente maravilhosas e amorosas: Elane, Marley, Virginia, Eliane, Vivian, Elisângela,Leila, Si Lopes e Jussara. E esse lindo dia ficará guardado para sempre em nossos corações. Juan Arias falou espanhol com as crianças e elas amaram!!! Vamos fazer uma campanha pelo ensino de espanhol nas escolas municipais? Criança adora aprender línguas.