Colégio Estadual Desembargador Augusto
Passei a manhã no Colégio Desembargador, em Rio Bonito. É um Colégio Estadual imenso e vivo. Com mais de 1.200 alunos. Falei para 250 alunos e alunas do curso de formação de professores. Eles e elas arrumaram um cenário belíssimo, um caminho de plantas até o palco. Musicaram e cantaram alguns poemas. Falaram alguns poemas. Para começar li um poema do Carteira de Identidade e todos gritaram seu nome bem alto para o Universo ouvir. Chamei 3 pessoas ao palco. Perguntei o que para elas era um poema. Três respostas lindas. Uma delas disse que num poema você pode dizer o que não consegue dizer. Outra disse que um poema mexe com tudo o que se tem dentro, com o lado obscuro da alma. E a outra que um poema mexe com as emoções. Vaneli Chaves me apresentou como um oásis. Então eu falei da beleza que a palavra oásis carrega, de como precisamos ter uma reserva de oásis para momentos difíceis, para conseguir atravessar os desertos. Falei da beleza de algumas palavras. E pedi que me ofertassem palavras. Foi uma guirlanda de palavras maravilhosas, amor, amizade, paz e alguém, um rapaz gritou resistência. E sim, a poesia sempre é resistência. Então conversamos sobre muitas coisas. Eles e elas fizeram perguntas incríveis, plantaram ao vivo um vaso de plantinhas, ganhei uma orquídea e tomamos o mais belo café da manhã juntos. Eles e elas me encheram de esperança.
Café, Pão e Texto
Havia chovido muito de madrugada. Acordo sempre muito cedo. Com uma xícara de café nas mãos comecei a fazer o pão, a broa, o kibe… os bolos já havia feito ontem. Vanda Oliveira e Samuel chegaram, meus anjos. A mesa de café da família já estava preparada. E aí, depois de tomar café, Samuel me pergunta: – O encontro vai ser na varanda? Farejei o vento, a chuva era quase garoa, dava. Samuel arrumou o cenário. Arrumei a mesa. Coloquei todos os quitutes De repente desabou uma cachoeira e o vento enlouqueceu. Mudamos tudo para dentro. Recebo uma mensagem. Marcelo Pimentel diz que está em Saquarema com a mulher Pilar e gostaria de me visitar. Eu os convido para o encontro, sem me dar conta de que ele é o super premiado ilustrador. Logo eles chegam e são um casal lindíssimo ele e Pilar. Eu havia escrito um texto para o seu maravilhoso livro O Fim da Fila. Ele me trouxe de presente o livro A Flor do Mato, recentemente premiado na Rússia. Falamos de livros. Falar de livros virou signo de Resistência. Então as professoras e um professor chegaram, de Mesquita. Da Creche Municipal Tetracampeã. E foi tudo maravilhoso tintim por tintim. Começou com a mesa do café e foi tudo poesia e amor. Contei pra elas tantas coisas. Falamos de Educação, Leitura, Escola Pública. Paz. Delicadeza. Dos dons de cada um. Falei muito. Elas e ele me emocionaram demais. Ganhei um presente esplêndido que elas arrumaram com um requinte impressionante: Um saco grande de juta amarrado com uma corda onde havia três pérolas. Dentro do saco um pacote do mais maravilhoso café em grãos, uma xícara lindissima, um pacote de biscoitos artesanais. Meus leitores sabem que amo café, isso é público. Mas como elas sabiam que eu amo juta? Quando adolescente as minhas bolsas eram feitas de juta. Amo pérolas. No final de muitos poemas e brincadeiras, a chuva havia parado e pudemos fazer a foto no jardim. E Marcelo e Pilar puderam conhecer o Café, Pão e Texto.
E.M. Professor Achilles Almeida Barreto
Difícil escrever sobre o que aconteceu hoje na Escola Municipal Professor Achilles Almeida Barreto, em Cabo Frio. Desde março que as 500 crianças, de primeira até a quinta série, estão mergulhadas em muitos dos meus livros. As crianças puderam, através dos meus poemas, falar dos seus sentimentos mais profundos. Puderam entrar na cozinha e experimentar receitas e recolher receitas. E brincar de circo. E falar do mar. E as avós foram até a escola e ajudaram a montar a Casa da Avó. Escreveram, leram, criaram. Através dos meus poemas abriram a grande porta da imaginação e todos viraram escritores e artistas. As mais lindas instalações com o tema dos meus livros foram fabricadas. Hoje, a Feira do Livro era um dia de festa. E mais do que nunca há que celebrar o livro e a sensibilidade. Mais do que nunca o trabalho da Prica Motta deve ser louvado e o de todas as professoras e da Diretora envolvidas nesse ano de mergulho na poesia. Uma professora me contou: Os seus alunos leram Tantos Medos e Outras Coragens e puderam falar dos seus medos, que são muitos e das suas coragens. E um lhe disse: “Eu tenho coragem de um dia ser Professor!”
Sala de Leitura Roseana Murray
Hoje foi dia de festa na Sala de Leitura que leva meu nome, na ,E.M Clotilde de Oliveira Rodrigues, em Sampaio Correia, em Saquarema. Qual o motivo? Amor! Estavam querendo ver a pessoa que dá o seu nome para o lugar, que segundo eles e elas, é o paraíso da escola. Já na chegada um menino era o meu anfitrião e tive que passar por um corredor de crianças e jovens que cantavam para mim. Dentro da Sala de Leitura, que é linda, crianças declamaram meus poemas com fantasias, recebi corações com as mais belas declarações, declamaram seus próprios poemas. Depois fomos para a Sala de Multimeios, onde estava reunido o Clube de Poesia. A porta estava pintada de azul com uma janelinha amarela, com o número da minha casa. Estava fechada. Bati na porta. Abriram. E aí quase morri de emoção: fizeram instalações belíssimas com os meus livros. Cada espaço mais lindo que o outro. Três meninas estavam fantasiadas de três velhinhas tão velhinhas. Foi uma viagem incrível ao universo da minha poesia! Na hora de ir embora um grupo me agarrou e foi o abraço coletivo mais maravilhoso! Ninguém queria me largar!!! E por causa do livro Colo de Avó e Caixinha de Música, ainda ganhei uma miniatura de caixinha de música que é uma máquina de costura. PS: As crianças leram os poemas SUPER BEM!!! E estavam radiantes de felicidade.
Café, Pão e Texto
Hoje recebi 20 Professoras das Salas de Leitura de Saquarema, pelas mãos de Roseléa Olímpio. Como hoje também havia recebido uma nova tiragem do meu livro Qual a Palavra, resolvi de última hora que nosso encontro teria a paz como tema. Comecei falando como sempre sobre a importância que deveria ter a Sala de Leitura numa escola. Digo deveria, porque em muitos lugares não é assim. Basta olhar o IDEB. Roseléa leu o livro, na verdade um poema mais longo, pois estou com um problema nas cordas vocais e estou quase sem voz. A partir deste poema falamos das mil questões que envolvem essa pequena e imensa palavra. Propus um exercício escrito. Disse a elas que todos sabemos o que a guerra faz, mas e a paz? A partir dos textos lindos que escreveram, nossa conversa tomou um rumo bem diferente do que eu esperava: a paz interior. Como se busca essa paz? Onde encontrá-la? Então falei do documentário brasileiro que vi: O Tempo que o Tempo Tem, imperdível, tem na Netflix. Falamos do tempo, do nosso tempo e suas demandas… e poderíamos ficar aqui falando até o final dos tempos! Foi um encontro maravilhoso. E fomos então para a mesa do café.
Café, Pão e Texto
Com todo o frio e toda a chuva eles chegaram!!! O ônibus se perdeu e fiquei muito aflita. Mas a mesa já estava pronta e cheia de delícias e a alegria do nosso encontro era de todas as cores. Ganhei uma cesta cheia de maravilhas de Conceição de Macabu, mas as maiores iguarias foram as que ouvi . A Secretária de Educação, a Vivian, me contou: a Secretaria de Educação coloca a leitura como personagem principal em toda a rede. Os alunos têm aulas de teatro, capoeira, balé, jiu-jitsu, uma Escola de Música que possui um convênio com o Instituto Villa Lobos e a Secretaria de Esportes oferece aulas de canoagem e uma escola de futebol. Ela me diz que o Prefeito da cidade é completamente comprometido com as escolas. Fui escolhida como autora homenageada e a segunda Feira de Livros acontecerá a partir do dia 31 de agosto. Estão todos na maior felicidade me esperando. Fizemos o encontro dentro de casa e coube todo mundo. Falamos e falamos e li poemas e contei um pouco da minha caminhada. Um casal adorável veio fazer um vídeo, o Renato e a Elaine e ficou tudo gravado e registrado. Quando, depois da Feira, o vídeo ficar pronto, colocarei no meu site. A sessão de fotos aconteceu na praia e no jardim. Estou exausta, mas foi um encontro maravilhoso!!!
UMEI Áurea Trindade Pimentel de Menezes
Elas entraram trazendo a Eunice, uma boneca maravilhosa, que trabalha na UMEI Áurea Trindade Pimentel de Menezes, contando histórias para as crianças. Isolina Miranda me contou que a Eunice foi diretamente inspirada na minha Eunice, minha segunda mãe, que chegou na minha casa quando eu tinha três meses e só foi embora quando se aposentou, com meus filhos criados. A UMEI fica em Itaipu, tem horário integral e a Diretora Débora me conta, que apesar das dificuldades a escola tenta oferecer toda a felicidade possível. E pelo que ela e a Sub Diretora Rose Pena me contaram e as professoras confirmaram, a escola consegue. Foi uma tarde maravilhosa e me contaram os passeios e os projetos e fiquei sabendo que o poema que os pequenininhos mais amam é o Desejo de Abraço, do meu livro Poço dos Desejos, pois adoram abraçar e ser abraçados. Café com leite, pães e bolos e ouvi uma professora falando para outra o quanto era maravilhoso esse encontro fora da escola e num lugar tão belo. Ficaram emocionadas porque eu mesma faço o pão e sirvo, mas se não fosse assim qual seria a graça? Nana, que é super reservada, não gosta muito de gente, adorou o grupo e a Eunice e passou todo o nosso encontro sentada no meu colo. E Babel, que adora gente, não apareceu! Vai entender os gatos!
E.M. Prof Dilza da Silva Sá Rêgo
Quase que a escola não veio. E eu teria perdido uma das experiências emocionais mais impactantes da minha vida. Na sexta-feira, a Professora Lenilsa me ligou dizendo que afinal não tinham conseguido o ônibus, será que eu não poderia adiar o encontro? Disse que não, infelizmente, tenho muitas escolas querendo uma vaga. Ela se desculpou e desligamos. Logo me liga outra vez e diz que a escola viria sim, alugariam um ônibus. Eu não fazia a menor ideia de nada. Nem de que escola se tratava. Sabia apenas que era de Jaconé, mas já no Município de Maricá. Não mais Saquarema. Acordei às 5 horas da manhã para começar a preparar tudo. Tomei café com os gatos, fiz o pão. Gosto que o pão ainda esteja quente na hora do café. Às 9.10h um ônibus todo branco, antigo, ultrapassado, meio 1950, encostou no outro lado da rua. As crianças se arrumaram para uma foto com o mar ao fundo. Fui até lá, ao seu encontro. Depois da foto viemos juntos para a casa. Já vieram me abraçando, me beijando. Eu fiquei no portão e dizia, podem entrar, sentem nos bancos e no tapete. Recebi a Diretora, as professoras. Eram 30 crianças. Nunca sei como vou começar. Mas então começamos pelo momento pipi. Pedi ao Samuel que acompanhasse as crianças até a casinha de hóspedes do jardim, pois lá há um banheiro enorme, há um espelho enorme, além do passeio pelo jardim. É uma alegria. Na volta, realmente tomo contato com aquelas crianças. Duas meninas lindas são apresentadas. São gêmeas. Fazem aniversário hoje: Raissa e Raiane. Essas crianças são diferentes. Me contam os seus projetos. Amam ler. Fazem perguntas incríveis. Sabem coisas da minha vida. Possuem vocabulário, são donas das palavras. São da quarta e da quinta série de uma escola rural: E.M.Prof Dilza da Silva Sá Rêgo Então falamos de bichos. Eles sabem muito dos bichos. Trouxeram um painel de pano pintado com meu poema A Morte do Sabiá, do livro Fardo de Carinho. Falamos de gaiolas, prisões, caçadas. Eles querem que eu fale como fiz esse poema, o que senti. Falam de animais em extinção. Me contam que na lagoa há jacarés. Jacarés ou crocodilos? Um menino diz: Jacaré, crocodilos são da Austrália. Falam com propriedade, lindeza, sabedoria. Fazemos um intervalo para o café. Foi a mais linda dinâmica, algo tão amoroso, uma troca incrível entre as professoras e a Diretora e as crianças. Parecia uma dança, tudo fluia, flutuava, eles comiam como se come nuvens. Comiam com delícia e delicadeza. Trouxeram biscoitos que prepararam na cozinha da escola junto com as merendeiras. Me dizem a receita tintim por tintim. Trouxeram um doce de maçã. Havia uma criança especial, sorridente, integrada e uma mediadora só para ela. Comemos e bebemos absolutamente tudo o que havia sobre a mesa: sanduíches, pão caseiro, biscoitos, tomate ralado, manteiga, mel, bolos, leite com chocolate, suco de goiaba, café. Não sobrou nenhuma migalha. Era uma festa no céu. Um disse, esse pão é maravilhoso, vamos fazer na escola? Voltamos para os lugares. Então fizemos brincadeiras com meus poemas. Cada vez que eu precisava de silêncio eu pedia para eles ouvirem o mar. Falamos de paz e guerra, eles sabiam da Síria. Leram em voz alta . Sabem ler perfeitamente, com sentimento. Leram meu poema do Classificados Poéticos, o do Habitante de outra galáxia. Eles sabiam o que é uma galáxia. Uma teia de amor une essas crianças. Mas qual é o segredo? A Diretora me conta que é uma escola de horário integral. Entram cedinho e saem às 17h, jantam na escola. Ela me diz que tem tudo na escola. Biblioteca. Tem fantasias, ela me diz, tem espelho. Tem investimento na escola e isso é visível, os resultados são muito impressionantes. Crianças lendo fluentemente, com um vocabulário incrível, entendendo o texto perfeitamente, amorosas, sem nenhum clima de violência entre elas. Trouxeram os poemas mais lindos que escreveram, inspirados nos meus. Se uma escola pode funcionar assim e conseguir resultados assim, por que todas as escolas do país não podem ser assim? Por que os governos não escolhem educar assim como prioridade, como escolha de mudar o mundo? Quero agradecer a Diretora Raquel e as professoras que acompanharam essas crianças lindas: Lenilsa, Ana Rita, Jociene, Jacira, Cláudia. Hoje fiquei abalada com o que vivi. Ainda estou abalada. Ficarei abalada para sempre.
Café, pão e texto
Devo dizer que hoje recebi as 29 professoras (e um professor) mais incríveis do mundo. Vieram de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense e todo mundo sabe que lá não é o Leblon. Muita garra, muito desejo de fazer a diferença, de salvar a vida tão precária dos seus alunos e alunas. Fiquei maravilhada com todos os relatos. Já começou pela chegada: abraços, muita emoção e duas orquídeas lindas e um vaso de girassol. Hoje a minha casa está cheia de flores. Foram duas horas imensas e intensas! Sugeri que elas almoçassem no Girassol, que tem um preço especial para as professoras que recebo e fica na frente do mar. Aceitaram a sugestão. Eu não conseguia telefonar, então pedi pro Samuel, nosso jardineiro, ir até lá de bicicleta avisar. Tudo certo, mas uma meia hora depois toca a campainha e vou atender. Um rapaz me diz que é o cozinheiro do restaurante e precisava saber quantas pessoas queriam carne e quantas pessoas queriam peixe. A maioria queria peixe. Acho que é a primeira vez que um cozinheiro vai na casa do cliente anotar o pedido! Do encontro de hoje, 29 professoras e um professor, nasceu o desejo de criarem um grupo para troca de experiências. Fiquei maravilhada com a consciência de todos de que precisam fazer o melhor para salvar aquelas crianças. Algumas chegam ao quarto ano sem saber ler direito! Mas foram muitas sugestões e a coragem de tentar conseguir recuperá-las. A mesa do café, com a ajuda do meu anjo da guarda Vanda de Oliveira, estava linda. Tudo aconteceu em torno das questões que elas foram levantando. E depois fotos no jardim, autógrafos e outros abraços na partida.
Escola Oga Mitá
O encontro com a turma de professores hoje, da Escola Oga Mitá, foi de vastas emoções. Porque são minhas leitoras e apaixonadas por tudo o que escrevo. Como me disse Ana Ribeiro, eu faço parte da estrutura da escola. Ficamos quase quatro horas reunidas(os) na varanda, (só havia um professor e um motorista, mulheres na educação sempre maioria) primeiro na mesa de café que preparei com amor mesmo, depois numa conversa maravilhosa. Contei o meu percurso desde o começo. Falamos um pouco de tudo. Contei a feitura de vários livros, falei da relação do autor com o ilustrador, com a editora, falamos de livros e educação Oga Mitá é uma escola privilegiada. De dentro dela sairão seres humanos sensíveis e leitores. Uma professora me perguntou se me considero uma educadora. Acho que todos somos de alguma maneira educadores e deseducadores. Foi uma manhã radiante, de pura alegria. E dia 20 de setembro estarei no Oga Mitá.