E. M. Glycério Salles

Uma escola veio de longe: Escola Municipal Glycério Salles, da cidade de Italva. Quase cinco horas de viagem até aqui, para o nosso Café, Pão e Texto. Mas como descrever a magia que se derramou sobre todos nós desde o minuto em que o ônibus encostou em nossa porta? Uma Professora, ao me abraçar na chegada, me diz: – Estamos realizando um desejo antigo. E recebi presentes da roça: doce de figo, geléias, queijos, kibe (Italva é a cidade do kibe!), uma almofada com meus poemas, avental de cozinha, com meus poemas e um cofre de mármore também com meus poemas! Ganhei também uma orquídea. Fizemos brincadeiras com os poemas. Rimos e dividimos a felicidade deste encontro. Alguns alunos disseram alguns poemas de cor. As crianças correram pelo jardim. E arrumamos as mesas pro almoço como se fosse um restaurante! Todos ajudaram, alunos e professores. Vanda Oliveira , Aline De Oliveira Oliveira e Samuel, meus anjos, foram incansáveis. Samuel acendeu o fogão às 7h da manhã e às 12.30 comemos a feijoada mais perfeita do planeta Terra. Éramos 37 pessoas! Servimos canjica de sobremesa. Depois fomos até o mar. Muitos não conheciam o mar! E então, sessão de autógrafos. E beijos. Devo dizer que os alunos eram maravilhosos. Fruto da dedicação de professores maravilhosos. E como hoje contei a história da Sherazade para eles, a minha sensação agora é a de estar voando num tapete voador. Agradeço a presença da Secretária de Educação de Italva Vera Lane Rodrigues e das professoras absolutamente maravilhosas e amorosas: Elane, Marley, Virginia, Eliane, Vivian, Elisângela,Leila, Si Lopes e Jussara. E esse lindo dia ficará guardado para sempre em nossos corações. Juan Arias falou espanhol com as crianças e elas amaram!!! Vamos fazer uma campanha pelo ensino de espanhol nas escolas municipais? Criança adora aprender línguas.

Café, Pão e Texto

Hoje, na mais bela manhã de outono, recebi um grupo de professores de escolas variadas. Vieram de Cachoeira de Macacu. O café da manhã foi incrivel. Éramos mais de trinta pessoas. Fiz, além do pão, um quibe de beringela e bolo, creme de ricota, mel, tomate ralado, chocolate quente, café com leite. Falamos de leitura e eram professoras e professores apaixonados. Uma professora disse: – Só podemos formar um leitor quando somos leitores. Fui apresentando alguns livros e ao chegar no Quem Vê Cara Não Vê Coração, poemas que fiz a partir de ditados populares, uma jovem me disse que os jovens nào conhecem mais os ditados, pois não os ouviram na infância. Entretanto, dizem: – ” É aquele ditado: Mas em seguida não dizem nada! Mas muitos se lembravam de ditados que ouviam da avó, na roça. Alguns eu não conhecia. Com o livro Cinco Sentidos e Outros, fomos buscando os outros sentidos. Intuição, Compaixão e alguém falou Fé. Mas fé como força, chama vital, o que nos move. E de poema em poema, de assunto em assunto, chegamos ao final. Tivemos também um momento de autógrafos e fotografias. Cansada e feliz. Nunca tive tantos encontros maravilhosos na mesma semana! E ainda por cima, junto com a Professora Jaline Silva, veio sua filha Isabelle para me conhecer e trouxe o cartão mais bonito do mundo. E terça feira será a festa de aniversário de um ano da Sala de Leitura que leva meu nome, na E.M.Clotilde, em Sampaio Correia. Haja coração.

E.M. Marcílio Dias

Quando o ônibus que trazia as crianças e jovens da E.M. Marcílio Dias, de São Gonçalo, encostou na porta da casa, a Diretora Cristina Brito me disse: – Quase não pudemos vir. Hoje houve confronto na Comunidade do Salgueiro, com muito tiroteio Mas a escola faz um trabalho lindo com leitura e acho que este grupo que veio ao meu Café, Pão e Texto está salvo. Falamos sobre todos os temas. Violência, tráfico de drogas, identificação dos jovens com os bandidos, poder, corrupção, injustiça social, miséria em todos os seus sentidos. Falamos sobre amor, paz, compaixão, bondade. Falamos sobre o poder da literatura para nos conhecermos, para fazermos as melhores escolhas. Amanda ganhou um Concurso de contos pelo Município e eu li o seu conto, belíssimo. Contei um pouco da minha vida, dos meus caminhos. Das coisas difíceis que tive que enfrentar e como consegui superar. Tomamos café da manhâ juntos. Fomos à praia ver o mar. Antes de ir embora, uma jovem belíssima me pediu: – Diga alguma coisa que eu possa levar para a minha vida. Eu disse. Ganhei um beijo e um abraço de cada um. Agradeço ao Professor José Leonardo ter me dado essa manhã de presente. Agradeço a luz dos olhos da Cristina e Núbia, por lutarem por essas crianças e jovens com tanto amor. Recebi um presente lindo. Um cabide decorado , meus poemas copiados pelos alunos, pendurados no cabide, com fitas e laços. E que eu possa receber belas notícias dessas pessoas tão lindas que vieram aqui. Que elas escapem da armadilha onde estão aprisionadas e possam voar muito alto.

De São Gonçalo para o Café, Pão e texto

Cada encontro do Café, Pão e Texto é único, irrepetível. As professoras de São Gonçalo me trouxeram as mais belas experiências. E a voz de uma adolescente do Ensino Médio, filha de uma professora, desoladora. Seu curriculum não tem literatura, a Biblioteca da Escola é vazia e morta e ninguém da sua sala lê nada. Mas uma professora trabalha com EJA, com jovens infratores e está conseguindo fazer o resgate destes jovens com poesia. Outra professora conta o trabalho de pesquisa que fez para o seu Mestrado ou Doutorado, não sei. Uma roda onde se lia literatura, se pensava, se produzia. De um grupo de quinze, seis morreram porque entraram no tráfico, mas os outros se salvaram. Continuam estudando. Foi muito bom falar, ouvir, trocar tanto. Foi muito bom ler meus poemas, abraçar e ser abraçada. O café estava maravilhoso. A temperatura fantástica e a luz perfeita. Manhã inesquecível.

E. M. Clotilde de Sampaio

Em nosso encontro de hoje, no Café, Pão e Texto, quando recebi a E.M.Clotilde de Sampaio Correia, escola rural, tive uma linda surpresa: todos eram leitores. Pois o critério para a seleção de quem viria era exatamente esse: ser sócio da Sala de Leitura Roseana Murray. Roseléa Olímpio promoveu um Concurso de poesia. Os três vencedores estavam aqui e seus poemas eram lindos. Ganharam um livro autografado de presente: Uma Gata no Coração, Caixinha de Música, Lua Cheia Amarela. Hoje escolhi um caminho diferente para começar o encontro. Falamos de sentimentos. Falamos dos sentimentos bons e dos maus. Enumeramos e demos nome. Falamos de amor, amizade e bondade. E fizemos brincadeiras com meus poemas. E servimos o café da manhã e fomos para o jardim. As crianças eram amorosíssimas. Fui beijada e abraçada um montão de vezes. E tudo era magia . E quase tenho vontade de chorar de tanta beleza.

Café, Pão e Texto

Como se forma um leitor? Hoje tivemos um encontro aqui na Casa Amarela com jovens do nono ano da E.M.Gustavo Campos. Vieram a pé, com a Professora Sa Lima, da Sala de Leitura e o Professor Rafael. Por mim, caminhadas pela cidade deveriam fazer parte da grade. Para fotografar, para olhar e contar depois o que viram. Dos dezoito alunos cinco se disseram leitores. E frequentadores da Sala de Leitura do Gustavo, que é muito boa. E os outros treze? Então algo precisa ser feito com urgência. Esses jovens ano que vem irão para o Ensino Médio. Acordei e antes de tomar café fiz um pão. Um jovem ficou emocionado e me contou que seu avô foi padeiro e fazia uma broa de milho maravilhosa. Falamos sobre tantas coisas. Mas principalmente sobre o quanto temos que melhorar como seres humanos e o quanto e como a literatura pode ajudar.Uma das alunas leitoras contou o seu envolvimento com um romance. Foi muito bom ela ter contado sua própria experiência. Li poemas. Falamos de identidade e desejos. Foi divertido, agradável, instigante. Eles amaram o jardim e não queriam ir embora nunca mais!

E.M. Natércia Rodrigues Rocha

Recebi a E.M.Natércia Rodrigues Rocha, de Itaboraí, para o penúltimo Café, Pão e Texto do ano, pelas mão das professoras Élida, Raquel, Eveline, Geruza e Carmem Valéria. Vieram crianças de várias séries misturadas e deu muito certo! As dinâmicas com os poemas saíram lindas, as crianças eram vivas, maravilhosas. Conversamos sobre muitas coisas, sérias e engraçadas. Com meu livro Colo de Avó, muitos falaram da sua avó e do que ela gostava de fazer. O amor que sentem pela avó transborda. Uma disse que a avó gostava de costurar e li o poema Máquina de Costura. Foi lindo ver como o poema se encaixava na sua avó. Foi lindo ver como dando linha, a pipa da imaginação deles vai muito longe na apreensão do poema. As professoras eram tão amorosas, o encontro foi tão bom, as crianças nunca querendo ir embora, que agora estou em pleno voo.

E.M. Genésio da Costa Cotrim

Hoje recebi a E.M. Genésio da Costa Cotrim, de Itaboraí. Eram crianças de sete anos, totalmente adoráveis. Fazia frio e ventava, então, depois do momento pipi e do café da manhã, o jeito foi colocar todo mundo bem apertadinho dentro da sala. Ficou muito aconchegante. Brincamos com a minha poesia, conversamos, misturamos as nossas alegrias. Depois que nos aplaudimos ( eles adoram aplaudir) e nos abraçamos muito, levei as crianças para o jardim. Eles amaram as árvores de cravo e canela. Foram até o mar. Várias crianças não conheciam o mar. E depois partiram e ficou a saudade.

Convidado Especial

O motorista que trouxe os professores de Itaboraí se enrolou e chegaram um pouco atrasados. O Café foi o primeiro ítem da lista. O texto veio depois. Com uma convidada maravilhosa: Gilcelene Braga, assistente social. Ela trabalha com inclusão no Cemaee de Itaguaí. Um Centro criado para potencializar as Salas de Recursos da Rede. Seria interdisciplinar, Saúde e Educação. Toda a fala da Gil era centrada nas crianças “especiais” que deveriam estar incluídas na Rede e não estão. E quando estão o professor é colocado diante de uma situação difícil, quase sempre sem ajuda e esses Centros correm o risco da extinção. Os professores que estiveram aqui hoje deram depoimentos lindos e incriveis. Falaram das dificuldades de lidar com os autistas sem preparo para isso, falaram dos progressos . Falamos também sobre um outro tipo de educação, menos fabril. Que cada um tem seu tempo de aprendizagem e como seria belo poder respeitar esse tempo. Mas depois de falar tanto sobre inclusão e educação, uma professora disse: – Mas para fazer uma educação diferente precisamos ser sensibilzados. Queremos ouvir teus poemas! Li alguns poemas. Falei da construção de alguns livros. Tivemos um momento de autógrafos, de fotos. Os professores eram de escolas rurais e ganhei muitos presentes maravilhosos que vieram direto da horta que fazem com as famílias. Cenouras, abóboras, laranjas, tangerinas, doces, salsa e cebolinha. Minha cozinha e meu coração agora estão transbordando de cores.

EJA da E.M. Terezinha de Jesus Pereira

Hoje meu corpo era pequeno para aguentar tanta emoção. Desde o minuto em que o ônibus que trouxe a turma de EJA da E.M. Terezinha de Jesus Pereira, vindo de Itaboraí, encostou na minha porta e a alegria das pessoas e seu maravilhamento com o mar me tiraram do chão, até a hora da despedida, quando fui abraçada e abençoada por cada um. Ao chegar foram todos para o jardim onde Samuel , meu caseiro, mostrou as plantas e contou muitas histórias. Voltaram para o café. A mesa era farta, pois além do que preparei, muitas trouxeram bolos e até um empadão. Depois do café, veio o texto com as brincadeiras poéticas. Todos de pé ( e era muita gente), eu subi numa cadeira me fazendo de espelho . E enquanto eu lia o.poema Receita de se Olhar no Espelho, todos tinham que se arrumar. O último verso termina com a pergunta: ” Quem é você? ” E todos gritaram seus nomes bem alto, para o Universo ouvir. Fizemos uma Orquestra Noturna, do livro Caixinha de Música, brincamos de ditados populares, com meu livro ” Quem Vê Cara Não Vê Coração, e apareceram ditados incriveis! Rememoramos brincadeiras da infância, com o livro Brinquedos e Brincadeiras, e de poema em poema a ampulheta foi se esvaziando. Uma aluna me perguntou: — Por que você é tão alegre? E eu respondi: – Porque dá menos trabalho que ser triste. Essa turma de EJA é para alunos de 50 anos para cima. E a Escola oferece aulas de música e artesanato. Ganhei lindos panos de prato bordados. Deixaram a minha alma bordada.