Instituto de Educação Clélia Nanci

Hoje, dia 27, recebi uma turma de Ensino Médio de São Gonçalo: Instituto de Educação Clélia Nanci, pelas mãos da Professora Heloisa, que conheci em Itaboraí. Esqueci de fotografar a mesa do Café, Pão e Texto!!!! A Professora me contou que na escola eles possuem o Portal da Conscientização, onde debatem temas como racismo, negritude, inclusão, etc. Fiquei maravilhada. Então, depois de uma hora e meia de viagem, primeiro houve o café. Sinceramente meu pão recheado é imbatível e sobre a mesa muitas delícias. E o texto de hoje era um pouco sobre tudo, já que o Portal da Escola me sinalizou que não era um público qualquer. São alunos e alunas leitores, acostumados a expor seus pontos de vista. Eles já haviam lido alguns livros meus e fizemos algumas dinâmicas com poemas. Falamos sobre empatia, compaixão, manias e desejos. Falamos de Rotas de Fuga. Quando estamos nos sentindo aprisionados, qual seria a rota de fuga de cada um? Um disse música, outro disse desenho, outro disse livros. E eu respondi: – viram, sempre escapamos pela arte! E um professor de matemática disse: – vocês falaram em arte e eu como matemático considero a ciência como arte, a matemática é pura abstração. Perguntei que livros lia e ele disse: – leio filosofia. Só uma aluna trouxe um poema de sua autoria, era lindo e ela o leu emocionada. No final fomos para o jardim e houve um grande maravilhamento com as orquídeas. Eles trouxeram uma toalha para fazer um piquenique em algum lugar, ainda iam escolher. Já era a hora do almoço. Mais de duas horas haviam se passado. E, claro, desceriam até o mar para colocar os pés na areia.

E.M. Professora Zilla Junger da Silva

A E.M. Professora Zilla Junger da Silva, no dia 20/09 às 10h, chegou na minha casa com tantos presentes: crianças maravilhosas que vieram de muito longe, de Duque de Caxias. Quando chegaram, a mesa do Café, Pão e Texto estava pronta, e fomos todos para o jardim. As nossas brincadeiras poéticas aconteceram entre as árvores e as flores. Poemas dos livros Caixinha de Música, Casas, Carona no Jipe e As Linhas que a Vida Borda. As Professoras Marinalva, Reginete e Raquel eram inacreditavelmente divinas. Uma onda de amor envolvia todo mundo como se fosse um casulo. Um aluno autista veio com a sua mamãe Andrea, carinhosíssima. As crianças correram, pularam, brincaram e obedeceram quando era para obedecer. Depois do café, fomos até o mar. Eles sentaram na areia, longe das ondas altas, cataram conchinhas, se sujaram de areia. Então, quando voltamos, a Professora Marinalva fez um relaxamento com eles no jardim e subimos até o estúdio no segundo andar para que eles se despedissem do mar visto do alto. E na despedida fizeram uma grande roda para me abraçar. Fiquei no meio da roda e me abraçaram com delicadeza. Quando o ônibus partiu, parecia que por aqui havia acontecido um milagre. O amor é sempre milagre.

8° CRE, E.M. Bangu e outras…

A beleza de receber Professoras e um Professor, da 8° CRE, da E.M.Bangu e outras, (o Professor e uma Professora eram da 7° CRE) nos arredores, foi ímpar. Porque todos trabalham em Salas de Leitura e os depoimentos me deixaram mergulhada nas águas verde esmeralda da esperança. Uma Professora da Comunidade do Sapo, em Senador Camará, me contou que o trabalho com os alunos é de sensibilização com literatura. Dar a eles voz e palavras, apesar da dureza do cotidiano, dar a eles um lugar de reconhecimento e auto-estima através dos livros. A Sala de Leitura é este oásis. Fazer todo o possível para que sigam estudando e não repitam o destino de tantos jovens sem destino. Me contaram que as Salas de Leitura inventam projetos que envolvem todas as matérias e as famílias. Há uma Roda com Mães. Numa escola, uma vez por semana tudo para num determinado horário para se ler um poema em voz alta. O mesmo poema é lido em todos os lugares, até na cozinha para as merendeiras. Ou os Professores leem, ou um aluno pede para ler. Senti nessas Professoras e no único Professor, uma responsabilidade frente a cada aluno, uma garra, uma paixão sem fim. Os que estiveram aqui, neste 3 de setembro para dividir o pão comigo, tinham histórias belas para contar. Trabalhar dentro de Comunidades onde a polícia entra matando, é um ato de amor tão monumental. Quem esteve comigo aqui hoje sabe que a literatura é instrumento de transformar vidas de verdade. De dar fôlego e alento. O que posso dizer? Que me comoveram até a medula.

IEPIC de Niterói

O encontro do Café, Pão e Texto na casa Amarela, neste 2 de setembro, com os Professores do IEPIC de Niterói, foi uma cachoeira de alegria. O IEPIC ( Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho) tem 187 anos de história! Fundado em 1835, é a mais antiga escola de formação de professores da América Latina. Eles trabalham no Ensino Médio de Formação de Professores, o Normal, e a Escola tem mais de um século. Eram todos Professores e Professoras apaixonados pelo tema Formação de Leitores. Duas professoras formadas em biblioterapia. Uma das Professoras formada em Biblioterapia, está fazendo formação em Psicanálise e nos contou que por ter sido leitora, quando acabou o Ensino Médio, (fez Normal), ela quis mais, justamente por ser leitora. Filha de pai operário, ela é a prova viva do que a literatura é capaz. Os depoimentos foram belíssimos, de chorar. Todos muito preparados, contaram experiências magníficas e muito emocionantes. Propus que este grupo criasse um Clube de Leitura. Uma Professora me disse que o que estava acontecendo, café, pão e texto, a bela mesa compartilhada, (os Professores trouxeram várias maravilhas para enriquecer a mesa) era uma comunhão. E é. Neste tempo sombrio, de cortes severos na Educação, na Merenda Escolar, ser Professor/a comprometido e engajado, é um dos maiores atos de Resistência. Todos sabemos quanto ganha um Professora e quanto ganha um Deputado. Esse meu Café, Pão e Texto me enche de alegria e esperança. Uma salva de palmas para este beĺissimo grupo que esteve comigo hoje.

CIEP 258 – Bacaxá – Saquarema

Hoje recebi o CIEP 258, de Bacaxá, Saquarema, para o Café, Pão e Texto. Fizemos atividades lindíssimas com os/as jovens do Ensino Médio. Bruna Pinto trouxe uma caixa com vários dos meus poemas de vários livros , que foram retirados da caixa por todos e chamei 3 pessoas para a leitura em voz alta. Pedi que comentassem o poema sem certo ou errado, onde foi que o poema tocou. Que falassem sobre as imagens. Depois propus um exercício que era o seguinte: Coloquei uma música instrumental do Chik Corea, as Children Songs, e enquanto lia um poema, eles dançavam. Uma jovem começou e logo outros tomaram coragem. Até o Samuel, nosso fiel escudeiro e jardineiro dançou! Propus um exercício escrito e saíram o s poemas mais maravilhosos. Dei apenas os dois primeiros versos. Fiquei/ficamos todos emocionadíssimos com a beleza e densidade dos poemas. O café da manhã era muito bom. Fiz pão recheado com queijo. Foi pra mesa quente, desmanchando. Finalizamos com todo mundo se abraçando com a leitura do meu poema Desejo de Abraço, do livro Poço dos Desejos. A sensação é a de que algo sublime aconteceu hoje na Casa Amarela de muita poesia.

E. M. Clotilde de Oliveira Rodrigues

Primeiro encontro do Café, Pão e Texto com a E. M. Clotilde de Oliveira Rodrigues, Escola rural de Sampaio Correia, Saquarema. A partir do meu livro Tantos Medos e Outras Coragens, ed.FTD, Medos e Coragens foi o tema principal. Também conversamos sobre manipulação, e como um bom leitor não se deixa manipular. Falamos sobre gravidez indesejada na adolescência, já que são adolescentes. Falamos sobre ódio e amor. Duas alunas leram poemas. O livro Desejo de Árvores e Pássaros foi sorteado. Foi uma conversa corajosa, já que muitos temas hoje são tabus e vejo muitas adolescentes grávidas em Saquarema. Todos estavam vacinados, menos uma aluna que irá se vacinar amanhã. Foi um lindo encontro e desejo muito que eles tenham levado os temas que abordamos para reflexão. Hoje precisamos ser corajosos. O momento exige. E nos posicionarmos. Não se pode fingir que nada está acontecendo. O meu pão recheado saiu maravilhoso. Lilia, filha da Vanda, meu anjo da guarda, fez as coxinhas de galinha, e confesso que desta vez comprei os bolos prontos, bem caseiros, na padaria do mercado da esquina, pois meus bolos são temperamentais, às vezes dão certo e outras vezes não. O dia está chovendo e nem puderam ir ao jardim ou ao mar. Mas para eles, acho que foi algo próximo a uma aventura.

Clube de Leitura da Casa Amarela

Em nossos encontros do Clube de Leitura da Casa Amarela, antes da Pandemia, era oferecido um almoço. Desde cedinho eu fazia o pão e Vanda começava os preparos. Samuel me ajudava a arrumar a varanda, eu alugava mesas que eram cobertas com toalhas de chita que mandei fazer especialmente para os almoços do Clube. Era toda uma azáfama maravilhosa até que todos começassem a chegar. Não faltava vinho e a torta dos aniversariantes do mês e dos meses passados antes do encontro. A sala também era preparada para a ocasião. Éramos muitos. Uma tribo amorosa. Como transpor essa maravilha para o modo distância? Acho que consegui. Fazemos o encontro por zap. A roda de ontem foi aberta com a Canção da América na voz de Ana Cristina e Ronaldo no violão. É assim: Eu abro o encontro às 10h da manhã com uma brevíssima gravação. Depois vou chamando um por um, todos já com as suas gravações prontas, antes colocam uma foto e enquanto ouvimos a voz do leitor falando sobre o livro, comentamos digitando. São muitos leitores. Alguns moram longe, entraram no Clube porque o modo distância permitiu. O encontro vai de 10h até às 14h. Quatro horas sem intervalo! Cada voz com seu timbre, cada leitura trazendo novos pontos de vista. O livro lido foi A Pane, de Dürrenmatt. Recomendo com louvor. Fala de culpa, manipulação. Há um julgamento numa cidadezinha bucólica no interior da Suíça, uma bela casa, um quarteto de senhores viúvos e aposentados, a saber: um Juíz, um Advogado de Defesa, um Promotor, um Carrasco. Um banquete pantagruélico é servido. Um banquete macabro. O convidado, que chega até ali por causa de uma pane no carro, entra num jogo perigoso fazendo o papel de réu. É uma obra-prima. Dürrenmatt é um mestre.

E. M. Barro Branco

Hoje recebi 37 alunos e as Professoras Priscila e Viviane (maravilhosas e amorosíssimas), da E.M.Barro Branco, de Duque de Caxias, no meu projeto Café, Pão e Texto. Eram do quinto ano e simplesmente divinos. Preparei um café da manhã muito caprichado: Cachorro quente com batata palha (politicamente incorreto, mas as crianças amam), os meus pães caseiros, guacamole (que nem quiseram provar), quibe de forno, pasteizinhos de forno, bolo de chocolate, sucos e café com leite. Quando o ônibus encostou eles já haviam viajado por três horas e meia! Antes do café eu os convidei a correr pelo jardim sem sapatos. Depois do café brincamos muito de poesia. Com meu livro Caixinha de Música, que fiz com meu filho Guga Murray e Bom Dia! Dona Maria, Panela no Fogo Barriga Vazia, com as ilustrações do Caó Cruz Alvez. Mostrei a eles como virei personagem no livro. Eles sabiam muitos pregões de cor. Participaram ativamente, os olhos brilhavam, em nossas leituras interativas. Queriam ir ao mar, mas antes fizeram um juramento, que inventei na hora, em uníssono e de pé, pois este mar é realmente perigoso e requer obediência. Era assim: ” Juro, pela beleza do Universo que irei ao mar, mas obedecerei cegamente as minhas professoras, porque o mar é muito perigoso e posso morrer.” Por sorte havia um banco de areia e puderam molhar os pés. Para muitos era o seu primeiro encontro com o mar.

Escola Municipal Professor André Trouche

O que podemos fazer, nós, que não compactuamos com esse governo perverso? Ajudar a formar leitores que não se deixem enganar. Hoje recebi um grupo lindo de professoras da Escola Municipal Professor André Trouche, de Barreto, Niterói, para um Café, Pão e Texto A Escola vai do primeiro ano ao quinto e faz um belo trabalho. Além da Sala De Leitura cada sala possui a sua estante com livros e uma Professora de Arte é quem dirige a Sala de Leitura. Super ativa e criativa, faz saraus, Cafés Literários, atua junto a outros professores. Falei sobre o Calendário Poético e Clubes de Leitura para Professores. Passamos uma manhã de sonho, falando de práticas leitoras, da verdadeira Educação que é a que sensibiliza e transforma o ser humano num ser amoroso e compassivo. Falamos de escuta. Preparei um café com esmero. A temperatura hoje era amorosa também, era linda. Li alguns poemas. Enquanto durou fomos felizes para sempre! Que essa felicidade ocupe os quatro cantos da escola.

E.M. Professor Francisco de Paula Achiles

A E.M.Professor Francisco de Paula Achiles, de S.Gonçalo, chegou para o Café, Pão e Texto feito um vento de alegria. Primeiro desceram do ônibus e pararam extasiados olhando a ressaca. O mar estava com ondas monumentais. Eram misturados, gente do sexto ao nono ano e ensino médio. Foram direto para o jardim e ficaram alucinados com a sua beleza. Uma menina sabia reconhecer todas as plantas e falou da sua paixão pelas árvores. Quando voltaram para a varanda começamos com o pão e o café, pois vieram de longe e estavam com fome. A mesa estava linda e era um momento de pura delícia: bolo de fubá, de chocolate e de panetone. Pão caseiro e creme de gorgonzola, kibe de forno, café com leite e sucos. Sulamita, a professora que fez contato comigo, me disse que trouxe os alunos que amam a Sala de Leitura. É depois do café vieram os textos. Lemos muitos poemas, apresentei meus livros novos, falei sobre a feitura de cada um, eles leram poemas deles, me contaram como era a escola, falamos sobre absolutamente tudo, a vida, o mundo. Uma aluna faz Slam e falou um poema incrível. Eram pulsantes, vivos, desejantes ,carinhosos e cuidadosos uns com os outros. Algumas alunas leram por mim alguns poemas, pois já eu já estava sem voz. Liam muito bem. As professoras emanavam orgulho do belíssimo trabalho que fazem com estes jovens. Perguntei até que horas podiam ficar e me responderam: Até sempre. Ninguém queria ir embora! A gente sabe quando a escola faz um lindo trabalho. As crianças e jovens são o sintoma da escola. Estes jovens são maravilhosos. A escola e as professoras estão realmente de parabéns. Eu me apaixonei por eles. Mas acho que a paixão foi recíproca.