Crianças e flores
Preparei todo o maravilhoso café da manhã, um pão que fiz hoje mesmo, recheado com muzzarella, bolo de cenoura com cobertura de chocolate, pão doce e sonhos (que comprei na Padaria da Ponte) café com leite, sucos, manteiga e pasta de queijo com alho e páprica (para os adultos). Hoje era dia de visita, dia de felicidade crocante: as crianças do Educandário do Bem que vieram conduzidas pelas mãos da Fátima Alves e das Professoras Vanda e Jana. Entre todos éramos mais do que 30 pessoas. Assim vai se consolidadando meu Projeto Café, Pão e Texto. Quando o ônibus amarelo encostou no portão e as crianças desceram, junto com elas desceu uma nuvem de alegria . Foram correndo para o jardim, cenário perfeito cheio de orquídeas floridas. Godofredo, o Jabuti passeando para lá e para cá. Fizemos muitas brincadeiras com Jorge Vale , professor de teatro e de contação de histórias me ajudando. Fizemos gincanas , concursos engraçados e o tema eram os poemas, os prêmios eram livros, meus e alguns que Bia Hetzel e Silvia Negreiros me deixaram. Foi maravilhoso. Depois o lanche , depois o mar azul azul azul, depois a despedida, o ônibus e sempre um gosto de quero mais.
Um dia Inesquecível
Esperávamos 32 crianças, mas chegaram 18 entre crianças e adolescentes e um motorista acidentado, pois o painel acima dele caiu na estrada sobre a sua cabeça e foram todos parar num Posto de Saúde. Mas chegaram sãos e salvos num ônibus amarelo pelas mãos da Aurora. Eram lindos e afetuosos, já foram me abraçando e beijando. Fomos para o jardim e estendemos uma colcha grande de retalhos que junto com as flores enchiam o coração da gente de arco-íris. Bia Hetzel e Silvia Negreiros chegaram um pouquinho antes com o Senhor Arnaldo, meu taxista, amigo de longa data. Desde às 5.30h da manhã Vanda preparava o almoço. Acendeu o fogão, feijão preto cozinhando e enchendo a casa com seu perfume.Samuel , nosso jardineiro, ajudou a levar as crianças para o jardim. Juan, meu marido, participava de tudo maravilhado. Apresentei alguns livros, brincamos muito de poesia, e os professores e Robson com seu violão , ele veio convidado pela escola, ajudavam a fazer a festa.O Caldeirão da bruxa foi lido por uma aluna que já havia feito isso na escola vestida de bruxa, mas Silvia emprestou seu xale. Fizemos juntos algumas bruxarias. Fizemos uma orquestra noturna com meu livro Caixinha de Música. As crianças viraram macaquinhos na floresta com meu poema “Cada Macaco No Seu Galho” que a Bia leu do meu livro “Quem vê cara não vê coração”. Depois o momento da Bia e Silvia distribuírem os belíssimos livros da Manati. Cada um escolheu um livro e depois quiseram trocar todos. Foi um troca-troca. A varanda parecia um restaurante todo colorido com mesinhas azuis e mesinhas brancas e toalhas floridas. A comida maravilhosa da Vanda foi servida no fogão de lenha. Era lindo ver todo mundo sentado ocupando a varanda inteira. Todos queriam morar aqui, na casa amarela , pois haviam lido o e-book que está no site “A bruxa da Casa Amarela”. As mães mandaram sobremesas variadas. E finalmente o momento de ir até o mar. Que festa!!! Cataram conchas e muitos quiseram levar até areia! E depois os autógrafos! Quiseram autógrafos de todo mundo, até do Samuel e da Vanda! Na despedida dentro do ônibus abraços e muitos beijos. A E.M Professora Leopoldina de Barros , de Nova Iguaçú me presenteou com uma colcha maravilhosa que as crianças fizeram e desenharam, um livro com um pouco da história de Nova Iguaçu e uma geleia de cajá, a fruta colhida de uma árvore da própria escola. Acho que todos levaram para casa Saquarema e a Casa Amarela no coração.
Feijoada e poesia
Cheguei de Teresópólis dia 8 no final da tarde. Vanda, minha caseira e parceira, já havia deixado a feijoada em pleno andamento. Logo chegaram minhas amigas, Carolina, editora da Rovelle e Monica. Carolina trouxe 40 livros para distribuir entre as crianças que no dia seguinte participariam do Pojeto Café, Pão e Texto. Quando o ônibus (que se chamava Divino) encostou na calçada, na porta da minha casa, todos gritando de felicidade, eu estava a postos, de braços abertos para recebê-los. Eles falavam, ” olha a casa amarela” e quando viram o Juan, também na porta, gritavam “ele estava no livro!” É que leram o e-book A Bruxinha da Casa Amarela e estavam entrando dentro do livro. Perguntavam, “esse é o jardim que a bruxa cuida?” Fomos todos para o jardim e fizeram a roda mais linda e colorida , sentados na grama. A ONG Care do Brasil, que trabalha com leitura em Duque de Caxias, trouxe agentes de leitura e deu o ônibus. Li para eles alguns poemas do meu novo original que sairá pela ed. Rovelle no ano que vem. Eles apresentaram poemas declamados lindamente, uma bela agente de leitura leu o livro Nana, mostrando suas ilustrações e Juan trouxe a Nana para ser apresentada. Ela entrou em pânico e fugiu para debaixo da cama do quarto .Os jabutis decididamente amam as Rodas de Leitura no jardim, pois não saiam de dentro da roda e as meninas gritavam e gritavam. Carolina , da ed. Rovelle deu uma aula sobre edição de livros, foi maravilhoso. E distribuiu os belíssimos 40 livros que trouxe. Falamos sobre como a leitura abre para eles o mundo e a possibilidade de encontrarem seus caminhos. Depois passamos para o almoço. Todas as crianças sentadas. As professoras serviam a comida diretamente do fogão de lenha. E nós e as professoras e o motorista e a Vanda e Juan e Chico que veio assistir, e o marido de uma professora sentamos em cadeiras com o prato no colo, pois não havia lugar nas mesas para todos , éramos mais de 50 pessoas!!! Depois da sobremesa tivemos o terceiro momento: As crianças foram até a beira do mar. Alguns não conheciam o mar. Como no conto do Galeano, uma das crianças disse: ” é muito grande!” Monica, minha amiga fotógrafa fotografava tudo o que podia. A alegria deles era tamanha que até o a luz brilhava mais. Voltaram sujos de areia, transbordando de felicidade. Depois de lavar os pés, hora dos autógrafos em livros alheios, tive que autografar, e hora de mais fotos e da despedida . Tocou o telefone quando entrei em casa depois da partida do ônibus. Era meu filho e eu não conseguia falar de tanta emoção.
Herdei o dom de ler da minha avó
Às 9h em ponto um ônibus amarelo encostou aqui na porta e uma revoada de pré-adolescentes e adolescentes desceram com o Prof. Robledo Gomes, professor de teatro. Alguns já vieram vestidos para a pequena peça que apresentariam. A nossa varanda estava linda, cheia de tapetes e almofadas espalhadas pelo chão. A mesa do café já preparada: quatro bolos feitos pela Vanda e dois pães imensos feitos por mim hoje bem cedinho. Sucos, café com leite e manteiga. Começamos conversando sobre a força da poesia e como pode ser terapêutica. Depois falei de alguns depoimentos de cura através da poesia , algumas pessoas me contam. Então falamos sobre drogas e como o corpo sozinho fabrica drogas maravilhosas sem que a gente precise recorrer a nada: endorfina, oxitocina. falamos dos abraços e como também curam.. Distribuí meus poemas do livro Poço dos Desejos , cada um ficou com uma cópia. O livro ainda está em produção.Escolhi cinco pessoas e o poema foi lido em voz alta. Depois de cada poema lido falávamos sobre o poema e nossos desejos. Foi maravilhoso! A Carolina Braga Malacco da Editora Rovelle, mandou bem cedinho um motorista trazer 30 livros da sua editora e distribuidora para presentear as crianças. Foi uma loucura a felicidade dos meninos-as ganhando um livro belíssimo cada um. A peça, bem pequena, era super original. Chapeuzinho Branco. Uma versão diferente do Chapeuzinho Vermelho. Foi brilhante e engraçado. Aulas de teatro na escola fazem toda a diferença! Antes do café da manhã , espontaneamente o Márcio, que veio de terno e gravata para a peça, disse: -Vamos nos dar um abraço de vinte segundos!E todos abraçavam todos! O s bolos e pães eram tão fantásticos, os pães quentinhos com manteiga, que ninguém conseguia parar de comer. Ai se as aulas nas escolas fossem sempre uma festa. Como sairiam da escola todos felizes e cheios de novos aprendizados. Este projeto me enche toda de dourado por dentro e pó de pirlimpimpim : hoje não caminho, levito.
Primeiro encontro
Ontem, às 8.30h um ônibus escolar parou na minha porta e desceram 25 meninas de camiseta rosa. Maestro Moisés era quem puxava o fio da alegria. Foram direto para o jardim, junto com as coordenadoras das escolas, o músico e João, o namorado do Moisés.Fizeram um arco em volta da goiabeira, onde havia sombra e o músico sentou-se com seu violão na trave da roda de carro de boi que temos no jardim(junto com as rodas, claro, é o seu eixo). O Maestro compôs uma canção lindíssima para a Casa Amarela. Foi absolutamente emocionante. Com todo o calor eu tinha a pele arrepiada de tanta beleza. Depois as meninas sentaram na grama em cima de colchas e os adultos em bancos e cadeiras. Os cinco jabutis se apaixonaram pelas meninas ou gostaram de ouvir o conto, ficavam andando no meio delas para lá e para cá, principalmente o Godofredo. Falei um pouco sobre o tempo da ditadura. João contou uma história dessa época, para mim inédita. Ele morava no Sul, numa pequena cidade, com seus pais italianos. Sua mãe não falava português, mas os filhos sim. Só que estava proibido falar na rua qualquer língua estrangeira. Então para ir ao mercado, ela levava um filho e falava no seu ouvido em italiano o que queria e assim podiam comprar. Lembrando que numa cidade pequena não deveria haver supermercado, mas sim uma venda. Li o conto “Lia”, do meu livro Pequenos Contos de Leves Assombros. Quando acabei elas reconstituíram a história e depois entramos mais profundamente no conto. Foi muito bom. Também preparei uma surpresa para o Maestro. Vanda , minha caseira, fez um imenso bolo de laranja com chocolate e cantamos os parabéns, pois ele havia feito anos poucos dias antes. Fiz pães bem cedinho de manhã, um recheado e outro integral, ´manteiga na mesa, café com leite e suco. Foi uma festa. . Às 11hs o ônibus chegou e se foram todos como uma revoada de pássaros coloridos. Deixaram na casa um rastro luminoso que não se apagará.