Entrevista com Roseana Murray – Escola Estadual José Leite Lopes – Tijuca, R.J.

Escola Estadual José Leite Lopes – Tijuca, R.J. Terceiro ano do Ensino Médio Turma 3002   Em entrevistas, a senhora declara que “As minhas escolhas são assim ao acaso. Um sopro”. Acredita ser o processo de escrita inspiração e não, como disse Thomas Edison, “O sucesso é constituído por 10% de inspiração e 90% de transpiração”? Roseana Murray: Geralmente meus livros nascem de uma ideia, a escrita é fruto de muita leitura de grandes poetas, do meu olhar. Digamos que a ideia seja a inspiração e a escrita a expiração. Porque o poema carrega a respiração do poeta. Escrever é um ofício e também a minha maneira de estar no mundo.   A historiografia das literaturas infanto-juvenis precisa ser revista urgentemente. Obras voltadas para este público foram escritas muito antes de Monteiro Lobato, como Cazuza, de Viriato Correa. Como vê o espaço para este tipo de literatura? Roseana Murray: Não sou acadêmica nem pesquisadora. Escrevo poemas para todas as idades e os meus leitores geralmente amam o que escrevo. Não me preocupo com a historiografia da literatura infanto-juvenil.   Como foi o processo de criação de O Braço Mágico? Qual a importância de o leitor conhecer o escritor(a) para analisar um texto literário? Roseana Murray: O Braço Mágico foi a ideia que nasceu quando soube que tive meu braço direito amputado. Emergiu de dentro de mim essa ideia de um braço com superpoderes. Assim, criei um braço simbólico e pude sair do trauma. O leitor ama conhecer o escritor que ama. Muitos escritores que amo eu não conheço, muitos estão mortos. Quando criança, amava o Sítio do Pica-Pau Amarelo e nunca, naquela época, tive nenhuma curiosidade em conhecer o autor. Conhecer o autor é algo que começou recentemente, nos anos 70, talvez, com Feiras de livro, visitas à escola. Sinceramente, a fruição de um livro não requer conhecer o autor. Nem a compreensão de um texto. É como se fosse um presente, penso assim.   Conte-nos sobre estes projetos: Café, Pão e Texto e Clube de Leitura da Casa Amarela. Roseana Murray: O Café, Pão e Texto recebia Escolas Públicas em minha casa em Saquarema para um café da manhã comigo. Durou mais de 20 anos. Era maravilhoso! Líamos poemas e conversávamos sobre temas variados. Com a mudança para Visconde de Mauá em 2025, o Projeto não conseguiu decolar. Os encontros são muito esporádicos. Mas o Clube de Leitura da Casa Amarela está cumprindo 16 anos e continua. São adultos lendo literatura para adultos muito variada. Eu sou a curadora. Aqui em Visconde de Mauá criei o Clube de Leitura do Vale Criativo no Teatro. Lemos dramaturgia. É maravilhoso. Também sou a curadora. Penso que os Clubes de Leitura são a melhor maneira de formar um leitor.   Qual o espaço e as funções das literaturas contemporâneas? Roseana Murray: Parece tão óbvio que precisamos ler o que se faz hoje e o que se fez no passado!!! Sempre levando em conta o contexto histórico. Em meus Clubes de Leitura misturo tudo: autores de hoje, autores de outros séculos. A boa literatura também nos ensina História. As questões do nosso tempo e as questões do passado.   Seus textos são utilizados em concursos públicos, a senhora acompanha? Como analisa as questões propostas? Roseana Murray: Não acompanho.   Mensagem aos leitores Roseana Murray: Leiam, leiam e leiam. Um livro nos dá tudo, é casa e comida. Ter um acervo de literatura por dentro quer dizer acervo de vocabulário, de ideias, de sonhos e realidades, de curiosidades, de empatia. Os livros sempre me salvaram. Deixem um livro sempre ao alcance da mão. E a escrita é um transbordamento da leitura. Agradeço as ótimas perguntas! Obrigada.

Escola Municipal Genésio da Costa Cotrim

Ontem dia 17 de ,entrei online no 5° ano da Escola Municipal Genésio da Costa Cotrim, em Itaboraí, a pedido do Professor Carlos Almeida. Itaboraí, a cidade com quem tenho um laço de afeto. Os meniinos/as estão lendo meus poemas neste semestre e amando. A recepção amorosa que tive de todas estas crianças lindas e da Diretora e dos Professores Carlos e Ulisses foi emocionante. Eles queriam saber tudo da minha vida, e li alguns poemas de onde sempre retiro os temas da minha fala. A escola fica num bairro com alguns problemas , mas como contrapeso , possui Professores apaixonados e uma Biblioteca com um belo acervo. Todos sabemos que a literatura é eficaz na sua tarefa de salvar vidas . Que essas crianças cheguem sã e salvas na idade adulta. Com garra, curiosidades e desejos para construir uma bela vida. Queria ter podido abraçar pessoalmente cada um, eles tocaram meu coração.

E. E. Francisco Quirino

Hoje, dia 15 de abril, fiz um Café, Pão e Texto no Peps, aqui na Vila de Mauá. Pedi uma turma de Ensino Médio para a E E. Francisco QuIrino, chamada de “A Escola de Cima”. Perguntei para a Diretora Glória se poderia fazer esse encontro só com meninas. O espaço do Peps é excelente, com várias exposições sobre o Meio-Ambiente. Todas belíssimas. Eu queria ler um conto do meu livro Território de Sonhos. Fala sobre uma criança que se sente invisível. Uma criança super tímida, super sensível. Sei como o território da adolescência é complicado. Eu segui tímida nos meus 16 anos, muito leitora e muito deslocada. Queria falar sobre como o acolhimento por alguém, uma amiga, um amigo, muda a auto-estima. Li poemas, tentei explicar o que é um poema. Falei de amizade, li poemas do Catavento de Amigos. As meninas estavam com muito receio de se expressar. Mas acho que gostaram. Talvez tenham gostado, pois no final, uma aluna chegou bem perto de mim e me disse que adorou meus poemas e onde poderia comprar um livro meu. Fiquei MUITO feliz. Toquei em muitos temas da atualidade. É para conversar a partir de um poema, um texto, que criei esse espaço poético. Terminamos com um grande abraço. Hoje tínhamos café , suco de uva, bolo de chocolate e sanduíches. O pessoal que trabalha no Espaço Peps foi de um carinho e gentileza fora de série. O Diretor disse que era meu fã número um. A Professora Renata foi incrível, discreta e participativa. Meu filho @andremurray63 , paralelamente, fez um encontro com os meninos no CCVM. Ele me contou que falaram sobre trabalho e assim falando em como chegou a ser Chef de Cozinha, deu tudo certo.

E.M. Noel de Carvalho

Hoje o Café, Pão e Texto com a E.M Noel de Carvalho que veio de Resende, foi deslumbrante. O lugar é tão lindo! Eram do 7° e do 8° e alunos incríveis. Quando chegaram de Resende a mesa já estava posta. O @babelcozinha me deu de presente os bolos e os pães, um luxo total! Os Professores Paulo e Breno vieram no ônibus com eles. Depois do café a Márcia Patrocínio mostrou a bela exposição e fomos para o texto . Falei da Frida Kahlo estampada no meu vestido e todos conheciam a pintora. Falei do Diego Rivera, seu marido muralista e de como Frida o suplantou na fama. Contei seu acidente terrível e sua única e última exposição individual , quando chegou carregada numa cama. Todos concordamos que se não tivesse pintado a sua dor, teria sucumbido. Contei que consegui superar a minha dor e tragédia escrevendo O Braço Mágico. A @flavinhacallafange, apareceu de surpresa e fez uma fala lindíssima sobre neuro divergência. Ela está organizando um evento sobre autismo na ONU. Leram alto poemas do Balaio de Felicidade, falamos de como amizade e amor, a suprema felicidade, não estão a venda. Aproveitando a fala da minha amiga Flávia, que é a Representante do Cordão do Girassol na América Latina, falei sobre Bulling e Feminicídio e contei a história da Sherazade. Muitos sabiam o que é o horrendo movimento Red Pills! Cada aluno/a leu um poema do Abecedário de Frutas. Cantaram, cantamos, nos abraçamos tanto e todos no final.

Oficina de Poesia na Patagônia

A oficina de poesia começou no jardim da casa da Adriana aqui na Villa la Angostura na Rua Cerro Bayo, na Patagônia. Éramos 13 mulheres, o grupo que está lendo e discutindo filosofia com a minha amiga, neste momento Spinoza. Nunca haviam escrito um poema. Começamos falando da diferença entre poesia e prosa. Li meu poema A HORA AZUL. A HORA AZUL Algumas horas, todos sabem, não cabem nos relógios. Se desgarram, feito um fio de linha solto, e nos agarram, nos levam para longe. É quando as fronteiras se desmancham, as frestas se abrem, nossos mortos nos visitam e os devaneios nos levam para dançar. Roseana Murray La Angostura, Patagônia, 20/11/25 Para mim, a poesia é gato, a prosa cachorro. Um gato é pura ambiguidade, caminhos sinuosos, esconderijos impensáveis. Um poema não precisa contar uma história. A prosa/ficção,, como os cachorros, pode até ser ambígua e escorregadia, mas conta alguma história. Tem personagens. Um cachorro entrega seu amor, seu deleite, com muito mais clareza e obviedade. Todo mundo entendeu. E as imagens poéticas, as metáforas, a música do poema, a respiração da/do poeta… Coloquei a hora azul como nosso horizonte. Li poemas de Alejandra Pizarnik, Idea Vilariño, Safo (um fragmento), Cecília Meirelles, Borges, Juan Gelman. Embebidas com os poemas maravilhosos, entramos na sala, pois fora a temperatura começou a cair. Escreveram poemas lindos com o tema A Hora Azul! Muitas pintam, outras bordam, fotografam. Faremos um E book para guardar esse momento tão mágico. Vinhos e comidinhas e amor e amizade não poderiam faltar.

Café, pão e texto

Hoje, no espaço Centro Cultural Visconde de Mauá, fundado há 21 anos por Márcia Patrocínio, recebemos 20 Professoras do Estado e Município para um Café, Pão e Texto. E uma atriz do Teatro do Vale Criativo, a Simonetta. O Centro está com uma exposição mais do que belíssima sobre o candomblé. Os Orixás eram magníficos e os complementos também. Serviu de pano de fundo, de ponto de partida. Falamos de tantas coisas, mas principalmente de Educação. Desfiei as minhas Utopias, meus sonhos. Como essas Professoras são maravilhosas. Fazem parte de um Conjunto de Viola Caipira e vieram de Jacarepaguá. Uma poeta do Grupo de 80 anos canta Seresta e cantou uma linda de sua autoria. Fez um poema tão bonito pra mim. Li 3 poemas de vários livros. Li um poema meu e outro da Penélope Martins do nosso livro Nas Cordas do Poema, belíssimo. Simonetta leu poemas do livro Caligrafia dos Sentimentos. A publicação da aposentadoria de uma delas saiu no meio do nosso encontro , no Diário Oficial. Foi um delírio!!! Depois do Café, que também estava um delírio, elas quiseram trazer tudo, mas levei pães do Babel e suas manteiguinhas temperadas e Café e Leite. No final fomos todos até o rio para uivar de felicidade e agradecimento.

Escola Municipalizada Manoel Nazareno da Costa Barros

  Café, Pão e Texto, na Casa 720, da Márcia, minha anfitriã . Recebemos a Escola Municipalizada Manoel Nazareno da Costa Barros, de Itaborai, com a Diretora @pricamotta. 23 crianças maravilhosas participaram das minhas brincadeiras poéticas, a poesia viva. Foi tudo tão lindo, desde o início, com o ônibus escolar amarelinho chegando… A pura magia. @penelope_martins estava presente e contou uma história e cantou uma cantiga de roda portuguesa. Fechamos com a palavra AMOR em todas as línguas que sei. As crianças adoram línguas e as Escolas deveriam ensinar espanhol para formar cidadãos bilíngues e o Brasil se sentir mais América Latina.

Coletivo “Literalmente Elas”

Recebi no dia 23/03, no Café, Pão e Texto, na Casa Amarela em Saquarema, o Coletivo “Literalmente Elas”. Foi incrível o nosso encontro. Elas têm um Clube de Leitura, e vários livros publicados. Participam de movimentos pela libertação da voz negra feminina. Para maiores informações o Coletivo possui um perfil no Instagram: https://www.instagram.com/literalmenteelas?utm_source=qr&igsh=MW5uaXk2dHQ3bXg3Nw== Algumas eram Professoras, outras trabalham em Salas de Leitura e uma delas trabalha com detentas do sistema prisional de Bangu. Foi um desses encontros inesquecíveis.

E.M. João Bezerra

Dia 5 recebi um nono ano da E.M.João Bezerra em Maricá, pelas mãos de Elza Lopes, Professora de Literatura. O encontro foi tão maravilhoso que na hora dos meninos e meninos irem embora, dei o livro de haicais Arabescos no Vento para cada um. Conversamos sobre a adolescência, suas dores e belezas. Sobre o Porto que irão fazer em Ponta Negra, desprezando as consequências como sempre. Conversamos sobre as mudanças climáticas e eles estão super conscientes. Li poemas do livro Rotas de Fuga e Emaranhados e eles amaram. Quem sabe desse grupo de jovens de 14, 15 anos saiam novas lideranças que sonhem salvar o planeta?

E.M. José Bandeira

É preciso preparar o coração para receber uma turma de E.J.A. A Professora Neudimar trouxe as alunas e o menino Gabriel, todos da E.M. José Bandeira. Eu convidei a Márcia, que mora entre o R.J e Saquarema, especialista em implantar Bibliotecas em muitos lugares do Brasil. Ouvimos muitas histórias, belas e tristes. Muito belo saber que todos amam a escola, os amigos, os Professores. Muito triste saber que não puderam estudar quando crianças, pois tinham que trabalhar. Lemos poemas, comemos, falamos de amor e amizade. Foi muito bom ter aniversariantes no grupo, cantamos parabéns com o bolo trazido pela Professora Neudimar.