E.M. Anizia Rosa

A E.M. Anizia Rosa, que já tem 42 anos chegou com as crianças da 5° série, todo mundo bem feliz, com as Professoras e Monitoras Luciana, Amanda, Karine,Ana Cláudia e Brenda. Chegaram feito passarinhos , lindos, todos me abraçando. Ninguém se sentou no tapete com as almofadas, e eu perguntei: “Ninguém gosta de tapete voador?” E quase todos voaram pro tapete. A mesa do Café estava posta, mas perguntei se antes não queriam correr pelo jardim. Em um segundo voaram todos para o jardim. Hoje fizemos cachorro-quente, quem resiste? E meu pão recheado com muzzarela, bolos, sucos, leite com chocolate. Brincamos com alguns poemas e perguntei se eles sabiam o que era um haicai. Alguns disseram que era uma luta. Expliquei o que era um haicai e li alguns do livro Arabescos no Vento e eles amaram as imagens poéticas. Sorteei livros e eles trouxeram A Teia das Águas que eu e Bia Hetzel escrevemos, para autografar. A última atividade era ir até a praia sem entrar no mar. Foram até a beira, o mar estava calmo. E depois ficamos por ali, eles sentados em grupo na vegetação rasteira de restinga, catando flores e conchas, falando. O ônibus demorou muito a chegar para buscá-los e ninguém quis voltar pra casa. E era fantástico estar entre eles, ouvindo as conversas, conversando também. Às 12h em ponto o ônibus chegou e voltaram para a escola.

E.M. Ronald de Souza

  Hoje, 14 de março de 2024, recebi a E.M. Ronald de Souza, 4° série, a primeira do ano dentro do meu projeto Café, Pão e Texto. Adoro essa faixa de idade, entre 9 e 10 anos. São curiosos, ainda se assombram, se divertem com pouca coisa e logo ao chegar, foram brincar de pique no jardim. Ouvi a frase: ” estou me sentindo no céu!!!”. Preparei um café bem lindo. O sucesso é sempre meu pão e hoje junto com um pote de mel com uma colherzinha de madeira que não encosta no pão, de longe o mel escorre. E eles ficaram maravilhados. Como sempre, brincamos de poesia com vários poemas de vários livros. Eles amaram. Juan, meu espanhol, apareceu e todos queriam aprender espanhol com um desejo maior do que o mundo. As crianças ouvem uma língua estrangeira maravilhadas. Poderiam sair do 5° ano falando espanhol fluentemente. Mas só no 6° ano terão inglês. E espanhol? Raríssima a escola pública que oferece espanhol. Uma editora me entregou uma caixa do livro Arabescos no Vento, que já saiu do catálogo e assim, pude dar um livro autografado para cada criança. Quando as crianças vão embora, deixam na casa um rastro luminoso de alegria.  

Sonhos de Transgressão – Fátima Mernissi

Fiz couscous marroquino, uma referência ao Marrocos. Os outros pratos eram de comida bem brasileira: arroz, feijão mulatinho, carne moída com linguiça em molho de tomate, abóbora e salada verde. Fiz pão. Muitos trouxeram prosecco, pois fazia um calor terrível. Nosso livro, Sonhos de Transgressão, nos levou para o harém, em Fez, no Marrocos, onde nasceu a autora Fatima Mernissi. Na verdade conhecemos dois tipos de harém, um monogâmico, na Medina, na cidade e outro no campo, com várias mulheres e um só marido. Eram os anos quarenta e o Marrocos estava mudando. Uma fatia da sociedade já rejeitava a poligamia como um costume bem atrasado. Fátima Mernissi, coloca a si mesma criança como narradora. Ela e seu primo Samir querem entender aquele mundo. Eles se perguntam e a todas as mulheres, o que é um harém, por que as mulheres não podem sair, porque tantas fronteiras? Não andamos muito pelas ruas da Medina, pois já que as personagens mulheres não podiam sair, ficamos juntos, leitores/as/personagens, no terraço onde se contavam histórias, se desenhava, se fazia teatro, se aprendia a voar. Se aprendia a desejar outras possibilidades de vida. Sonhos de Transgressão. O que faz Fatima Mernissi é exatamente isso: Ela nos coloca lá dentro do harém da cidade, onde todas buscam os momentos mágicos da desobediência, quando se ouve rádio, as cantoras do momento, o que não é permitido. A estadia no harém do campo também é belíssima, sem portões que fechassem o harém, mas com fronteiras respeitadas, apesar de invisíveis. Sabemos que Fatima Mernissi estudou, saiu do harém, cumpriu o sonho de liberdade de sua mãe, de sua avó. Trouxemos para o encontro poemas marroquinos. Nosso leitor francês levou um poema de uma poeta palestina. Os poemas que foram lidos eram muito bons. Para ousar o voo, num momento de opressão, poesia, literatura, música, teatro, arte! Edith Lacerda abriu o encontro contando a história de Sherazade. Edith é contadora de histórias e foi um grande deleite.   PS: Agradecimentos a Vanda Oliveira , Lilia, sua filha, Samuel, nosso jardineiro, por tudo o que fazem para que tudo dê certo, no encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela.