E.M. Beatriz Amaral

Café, Pão e Texto. Esperando a escola. ♡♡♡♡♡♡♡♡♡ E a escola chegou. Uma escola rural de Saquarema, a E.M.Beatriz Amaral em Palmital As crianças trouxeram uma alegria imensa, pareciam passarinhos. Entraram e ocuparam a varanda, e antes de tudo perguntei se haviam tomado café na escola ou começaríamos antes do texto. Um menino me disse: – Não tomei café, guardei a barriga!!! Bolos, café com leite ou com chocolate, suco de goiaba, pão que fiz bem cedo de manhã, mel, requeijão e azeite, biscoitos. E depois correram pro jardim e brincaram muito. Outro menino me disse: -Descobri uma passagem secreta!!! Era a lateral da casa, para eles quase um túnel por onde se passa do jardim para a frente. Como eles moram na zona rural, perguntei que bichos eles viam. Me contaram que na escola há um casal de siriemas e eu tenho um poema de siriema. Amaram. Com cada poema que li fiz uma brincadeira. Escolhi poemas para brincar. Queriam muito conhecer a casa por dentro. Fiz uma excursão até o segundo andar, com seis alunos de cada vez, onde a vista do mar impressiona. Ao entrar na sala, Juan estava lendo e espontaneamente as crianças foram até a sua poltrona, um por um, para pedir a bênção. Na despedida pedi para cantarem uma música pra mim. Cantaram com coreografia e tudo! Obrigada Professoras Daniele Fialho Nilce Pereira, Marry Pereira e Monitora Bruna. Todas tão amorosas com seus alunos! Foi uma felicidade geral.
Clube de Leitura da Casa Amarela

Água de Barrela, de Eliana Alves Cruz, foi o livro escolhido e lido e discutido no Clube de Leitura da Casa Amarela. O livro é magnífico e a gente chora e aplaude a força das mulheres nesta genealogia de uma família que começa na África, passa a Escravidão e segue depois da Abolição, o dia seguinte e o dia depois do seguinte até hoje. É a história das famílias pretas, sequestradas, torturadas, dos corpos pretos abusados, aniquilados e das famílias brancas, como pano de fundo da crueldade dos Senhores. É a História do Brasil descortinada. Que já sabemos que continua o seu ciclo de racismo, crueldades, assassinatos. Ao desembarcar dos tumbeiros, negros de várias etnias misturadas, logo perdem o nome e ganham à força um novo nome: são despojados da sua identidade. A Igreja é cúmplice desde o princípio. Eles são convertidos sem possibilidade de escolha. Os Orixás tinham que ser cultuados secretamente. E mesmo na extrema despossessão de tudo, havia alegria nos amores, nos nascimentos, nas festas dos terreiros secretos. O livro consegue nos encher de cheiros, paisagens, sensações de pertencimento. A escrita é maravilhosa. A força de resistência das mulheres negras é monumental. O livro fala de um matriarcado. Os depoimentos foram esplêndidos e o racismo estrutural, que persiste feito doença, vírus quase incurável, foi discutido até o âmago. Discutimos também a mestiçagem, tema complicadíssimo no Brasil, já que a mestiçagem existe porque o corpo da mulher escravizada pertencia ao senhor branco e as jovens negras eram violentadas, e a “barrela” é a metáfora de um desejo de embranquecimento do Brasil e muitas vezes prevalece ainda até dentro de famílias negras. Neste caso embranquecer para ter acesso, passagem. Relembrando Abdias Nascimento, que ao negro liberto havia como único “privilégio” tornar-se branco, seja de dentro para fora ou de fora para dentro, por meio de seu tom de pele mais claro. Mas, a consciência negra emerge cada dia mais forte. A escrita negra cada dia nos oferece novos e belíssimos talentos. Água de Barrela deveria estar no Ensino Médio de todas as Escolas Públicas de todo o país como literatura e complemento aos livros de História. Samuel, nosso jardineiro e anjo da guarda, deu o seu depoimento muito pessoal, como mestiço. E Vanda fez a melhor feijoada do mundo no fogão de lenha e Liliam, sua filha, fez o melhor bolo de chocolate do mundo. Sempre cantamos parabéns para os aniversariantes e os desaniversariantes. Tivemos gente nova entrando no Clube e agora não cabe mais leitores , fisicamente, estamos com um número muito bom de pessoas incríveis. Ao longo de tantos anos de tantos livros lidos, nos tornamos leitores melhores e pessoas melhores. Patrícia Quinteiro, cantora e musicista, que veio de Teresópolis com caixa de som e microfone, deu um show, com direito a canjas e dançamos e nos abraçamos e rimos e celebramos a vida e a literatura com muito vinho e axé.
Escola Municipal Glycério Salles
No dia 13 de abril recebi a , de Italva, R.J, no Café, Pão e Texto. Atravessaram cinco horas e muita estrada para chegar até a minha casa! E depois a volta! É uma honra tão grande esse desejo da Escola de vir, que entendi que um café da manhã era pouco e ofereci um almoço. Os meninos e meninas eram maravilhosos, todas as qualidades possíveis. O grupo das aulas de música com a Professora Teresinha fez um concerto com teclado, flauta doce e scaleta. Tocaram meu poema “menina vaidosa” , musicado por Guga Murray , meu filho e outras musicas. Conversamos sobre tantos temas, sobre pensar, refletir, concordar e discordar com algum conhecimento e não de qualquer maneira. Sobre as verdadeiras amizades. Falamos de livros, eu li alguns poemas. Chamei meu amigo mímico também, entre seus sete instrumentos, o Jiddu K. Saldanha , que é leitor de Clube de Leitura da Casa Amarela, para apresentar um número de mímica para a Escola. Alunos e Professoras foram ao mar. Muitos nunca haviam visto o mar, como o Diego do Livro dos Abraços. Na cozinha a Vanda Oliveira e Lilia, a sua filha que veio para ajudá-la, descascavam cebolas, alhos, batatas, panelões no fogo. Com a ajuda de todos montamos um restaurante na varanda! Com o fogão de lenha aceso a comida ficou quentinha. Depois da sobremesa e descanso no jardim, com a presença do Samuel molhando a grama,sorteei 5 livros. Um casal de gêmeos foi sorteado!!! Gêmeos até na sorte. A alegria era tamanha que ocupava a casa inteira. Italva é uma cidade bem rural, me contou a Secretária de Educação, que esteve algumas horas presente, para minha felicidade. Então recebi a cesta mais linda: Iogurtes, queijos variados, farofa e torresmo., especialidades de Italva. A Biblioteca Marilda Mérida Gomes tem Bibliotecária e os alunos amam a biblioteca. Essa é a melhor notícia. Agradeço a Bibliotecária Juçara, a Simone, auxiliar de Biblioteca, que foi quem fez contato comigo, a Diretota Silvana, sua vice Mary e Adjunta Eliane e a Monica, Professora de Inglês e Português. Todos embarcaram, cada um da sua maneira, nessa linda aventura.
Ebook – Luz e Sombra – Clube – 2023

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Encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela

O mundo conhece Frida Kahlo. Ela está no imaginário. Está em objetos, canecas, camisetas, é marca. Seus quadros, sua linguagem tão dela, tão sem etiqueta, flutuam em nosso imaginário como seus vestidos indígenas, seus adereços, seus penteados, seu macaquinho. Sua dor também está em nosso imaginário. Por isso, para mergulharmos em Diego e Frida, lemos o livro Diego e Frida, de Le Clézio. Mergulhamos nesse amor pantagruélico, amor-galáxia, amor-buraco-negro. Diego cobriu espaços imensos com seus murais que contam a história do México, seus murais extremamente povoados de gente. Frida não se pendura em andaimes para pintar. Frida se pendura em sua dor, pinta em sua cama, diante de um espelho, as Fridas múltiplas, a dor indígena. A sua solidão, seus fetos abortados. Com que lentes se pode julgar ou analisar esse amor, esse encontro de uma pomba com um elefante? Le Clézio nos conta essa história imensa, monumental, que vai das revoluções mexicanas às viagens desse casal insólito. Frida entrando em sua grande exposição na cidade do México, em sua própria cama, já tão fraca, na beira da morte, na beira da vida, Frida aclamada, adorada. Penélope Martins era nossa convidada especial. A casa estava cheia de gente linda, de gente apaixonada por livros. Desde 2010 nossos encontros são um espaço de abraços, muitas trocas e amor. Bruna Pinto , nossa leitora, conta que foi ver uma exposição de Frida, no inverno, quando morou em Paris. Durante muitos dias, a fila era tão grande, que ela ia e desistia. Até que resolveu enfrentar a fila. Ela nos disse: – Saí da exposição aos prantos. As dores de Frida são as dores de todas as mulheres.
E.M. Professora Osíris Palmier da Veiga
Hoje recebi a E. M . Professora Osíris Palmier da Veiga, daqui de Barra Nova, crianças de 3° ao 5°, pelas mãos das Professoras. Devo dizer que as crianças eram simplesmente FANTÁSTICAS. Interessadas em tudo, criativas, amorosíssimas. Fizemos muitas brincadeiras poéticas depois do café. Sempre partindo dos poemas. Muitos foram comer no jardim com os amigos. Fiz dois pães recheados de queijo, saíram do forno direto pra mesa estalando de quentes. Tinha bolo, biscoitos, manteiga, azeite e mel para passar no pão. Os alunos me trouxeram um vidro cheio de biscoitos amanteigados fabricados por eles e anunciados como o melhor biscoito do mundo. Como a escola é perto da minha casa, vou marcar um dia para ensiná-los a fazer pão. As duas horas se passaram da maneira mais maravilhosa, todos saíram daqui cheios de alegria, uma das palavras mágicas que me deram de presente, entre outras. O mais incrível deste projeto, é que recebo crianças, adolescentes, EJA, Professores, Coordenadores de Salas de Leitura. E todo mundo adora.
E.E. Visconde de Itaboraí
Hoje recebi a E.E.VISCONDE DE ITABORAÍ em meu Café, Pão e Texto. O dia estalava de azul, feito papel de seda. Eram umas 22 normalistas e um homem apenas. Em breve serão Professoras e Professor do Fundamental I. O meu dia começou cedo. Fiz uma caminhada de 40 minutos e meia hora de musculação. Mas, até a chegada, estava tudo pronto: A mesa posta, o pão saindo do forno. A conversa foi linda. Tudo sobre Educação. Sou uma poeta que pensa muito e lê muito sobre o tema. Conheci tantas escolas ao longo dos 40 anos viajando! Elas irão começar a trabalhar logo, e precisam pensar sobre a literatura como personagem principal. Pensar que a Escola Pública hoje deve ser um espaço de humanização e leitura, sobretudo. Todos interagiram. Li alguns dos meus poemas e Bandeira e Elizabeth Bishop. Falamos de tanta coisa. Foi muito bom habitar essa Pasárgada hoje.
Clube de Leitura da Casa Amarela

O Clube de Leitura da Casa Amarela, uma vez por ano muda de lugar e vai em Caravana, saindo da minha casa, para a Quinta da Harmonia, lugar belíssimo na zona rural de Saquarema, residência de dois leitores. No dia 14/01 discutimos o livro da Irene Vallejo, O Infinito Em Um Junco. É um livro que está fincado em mim feito selo, tatuagem, marca indelével. Entre ensaio, umas leves pitadas de ficção, biografia, memória, tendo como ponto de partida a Mesopotâmia e a invenção da escrita, sem deixar de falar da oralidade, tem o livro como personagem principal, assim como as bibliotecas. O tempo vai e volta feito as ondas aqui nesse mar. Afinal, ler no kindle é ler num pergaminho digital. O Infinito em um junco me fez sentir a seguinte epifania: faço parte, nós, leitores, pertencemos a esse clã que desde tão longe, lendo, escrevendo, copiando, publicando, às vezes com risco de vida, somos parentes. Todos os leitores desde sempre são parentes. Claro que excluo a escrita e leitura abominável, que existe para aviltar e destruir o humano. Senti esse fluxo, essa corrente, essa torrente, foi como uma iluminação. As falas de todos foram belíssimas e cada leitor acrescentou tanto. Nosso Clube é diverso, é colorido. Evelyn Kligerman , minha irmã, não pode ir, mas escreveu para que eu lesse: “Me abraço nas primeiras palavras, vagueio pelas ruelas e bibliotecas do mundo , E todas as setas indicam o mesmo destino, Destruição, Ressurreição, Destruição, Ressurreição. Só que a palavra oral, escrita, impressa , renasce sempre. Lida, ouvida, queimada, vai brotar apesar de todas as barbáries.” Ler este livro neste momento é imprescindível. É o que diz o texto acima. Nos momentos de terror os livros, mesmo quando queimados, são os pilares do recomeço. Mas também lemos Uma Boneca para Menitinha, da Penélope Martins e Tiago De Melo Andrade , para colocar no Clube uma pitada de maravilhoso. Esse pacto tão possível entre o escritor e o leitor. Se a boneca fala, a criança acredita sem nenhum problema. E nós adultos? Sabemos transitar do imaginário ao real? Quis terminar com uma ida até a infância, logo ali, a lindíssima relação entre avós e netos. O livro dos autores está carregado de símbolos. Fala de amor e perda e reconstrução sempre, que é o leitmotiv da vida.
E-book – Crianças e Bichos

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E-book – A Força das Pequenas Coisas

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