{"id":905,"date":"2018-12-18T11:13:48","date_gmt":"2018-12-18T13:13:48","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=905"},"modified":"2018-12-18T11:13:48","modified_gmt":"2018-12-18T13:13:48","slug":"vera-teixeira-de-aguiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2018\/12\/18\/vera-teixeira-de-aguiar\/","title":{"rendered":"Vera Teixeira de Aguiar"},"content":{"rendered":"<p><b>O FARDO PO\u00c9TICO DE ROSEANA MURRAY<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vera Teixeira de Aguiar<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">RESUMO<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No panorama da poesia infantil e juvenil brasileira, destaca-se Roseana Murray (1950), respons\u00e1vel por uma obra cont\u00ednua iniciada em 1980, com mais de 100 livros de poesia para crian\u00e7as e jovens. Ao longo de sua carreira, dedicada inteiramente ao fazer po\u00e9tico, \u00e9 condecorada com in\u00fameros pr\u00eamios liter\u00e1rios, tamb\u00e9m fazendo parte da Lista de Honra do <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">International Board on Books for Young People<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\/IBBY, que abriga os melhores autores de literatura infantojuvenil do mundo. Todas essas l\u00e1ureas nos permitem avaliar a dimens\u00e3o de seu trabalho que, de h\u00e1 muito, vem atravessando fronteiras.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">ABSTRACT<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">In the panorama of Brazilian literature for young people, Roseana Murray (1950) is a reference; she has been writing nonstop since 1980 and has over 100 poetry books for children. She has dedicated her life to poetry and has gained recognition with several awards; also, she is part of the Honor list in the International Board on Books for Young people \/ IBBY, which takes on world&#8217;s best authors in the segment. Such accomplishments allow us to asses the dimension of the author&#8217;s work, which has reached broad horizons for some time.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando Roseana Murray (1950) estreia na literatura, a poesia destinada a crian\u00e7as e jovens j\u00e1 conta com uma experi\u00eancia de quase um s\u00e9culo no Brasil. Embora o primeiro livro de grande sucesso seja <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Poesias infantis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Olavo Bilac (1865-1918), publicado em 1904, antes dele, nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, j\u00e1 aparecem exerc\u00edcios po\u00e9ticos, como elogios, conselhos e cumprimentos por datas festivas, conforme lembra Lu\u00eds Camargo (2009). Ainda vale citarmos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Flores do campo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Jos\u00e9 Fialho Dutra (1855 &#8211; ?), editado em 1882, que, em sua introdu\u00e7\u00e3o \u201cAo benigno leitor\u201d, acentua a inten\u00e7\u00e3o de oferecer temas c\u00edvicos, escolares, religiosos e sentimentais, em tom acentuadamente educativo. \u00c0 normatividade desses textos, certamente, os versos l\u00fadicos de Bilac se op\u00f5em, agradando deveras \u00e0 inf\u00e2ncia, embora entre eles se misturem ainda aqueles que visam incentivar boas atitudes por meio da poesia. \u00a0No entanto, o ritmo cadenciado da redondilha maior e as imagens familiares t\u00edpicas de Bilac caem no gosto dos pequenos, que repetem os versos de \u201cO trabalho\u201d:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tal como a chuva ca\u00edda <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fecunda a terra, no estio, <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para fecundar a vida <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho se inventou. (p.115)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir de ent\u00e3o, o g\u00eanero oscila entre as duas vertentes \u2013 pedagogismo e preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica \u2013 com vantagens para a primeira, obstinada em ensinar e transmitir valores \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. A situa\u00e7\u00e3o come\u00e7a a mudar em 1943, com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O menino poeta<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, de Henriqueta Lisboa (1901-1985), que privilegia o olhar da crian\u00e7a e o car\u00e1ter l\u00fadico do fazer po\u00e9tico. \u00a0Em versos curtos e animados, a autora aproxima-se da inf\u00e2ncia:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O menino poeta<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">quero ver de perto<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">quero ver de perto<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">para me ensinar<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">as bonitas coisas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">do c\u00e9u e do mar.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> (p.39)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cec\u00edlia Meireles (1901-1964) consolida tal vis\u00e3o em 1964, quando <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ou isto ou aquilo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> resguarda todas as conquistas de inventividade e liberdade da arte instauradas pelo Modernismo em d\u00e9cadas anteriores. Nesse sentido, o livro infantil mant\u00e9m a tem\u00e1tica intimista da poeta, que cultua a fugacidade da vida e a espiritualidade, acentuada, conforme aponta Miguel Sanches Neto (2001), mesmo atrav\u00e9s dos motivos infantis, como vemos em \u201cO vestido de Laura\u201d:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Que as estrelas passam,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">borboletas, flores<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">perdem suas cores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se n\u00e3o formos depressa,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">acabou-se o vestido<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">todo bordado e florido! (p. 44)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00a0Seguem-se outros autores consagrados, como M\u00e1rio Quintana (1906-1994), que faz sucesso em 1968, com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">P\u00e9 de pil\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, cujos versos l\u00fadicos e bem cadenciados est\u00e3o at\u00e9 hoje no gosto do p\u00fablico, e Vin\u00edcius de Moraes (1913-1980), que, em 1970, re\u00fane seus poemas dispersos na conhecida obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A arca de No\u00e9<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que recebe, inclusive, vers\u00e3o musical. Desde ent\u00e3o, uma gama consider\u00e1vel de poetas tem se dedicado a tal produ\u00e7\u00e3o, no esfor\u00e7o de criar sons, ritmos e imagens que expressem os modos de ver e sentir o mundo dos novos leitores. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desse panorama, avulta Roseana Murray, nascida em 1950, no Rio de Janeiro, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">filha dos imigrantes poloneses Lejbus Kligerman e Bertha Gutman Kligerman, que v\u00eam para o Brasil antes da Segunda Guerra fugindo do antissemitismo. R<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">espons\u00e1vel por uma obra cont\u00ednua iniciada em 1980, ela \u00e9 autora de mais de 100 livros de poesia para crian\u00e7as e jovens. Graduada em L\u00edngua e Literatura Francesa pela Universidade de Nancy, por meio da Alian\u00e7a Francesa, dedica-se inteiramente ao fazer po\u00e9tico. \u00c9 condecorada, ao longo de sua carreira, com os Pr\u00eamios: Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edtica de Arte\/APCA, na categoria \u201cPoesia Infantil\u201d; \u201cO Melhor de Poesia\u201d da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do Livro Infantil e Juvenil\/FNLIJ (por quatro vezes); Pr\u00eamio Academia Brasileira de Letras\/ABL para \u201cLivro Infantil\u201d. Recebe, ainda, por diversas vezes, o selo \u201cAltamente Recomend\u00e1vel\u201d da FNLIJ. Tamb\u00e9m faz parte da Lista de Honra do <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">International Board on Books for Young People<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\/IBBY, que abriga os melhores autores de literatura infantojuvenil do mundo. Todas essas l\u00e1ureas nos permitem avaliar a dimens\u00e3o do trabalho de Roseana que, de h\u00e1 muito, vem atravessando fronteiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A escritora afirma que, ao come\u00e7ar, n\u00e3o teve em vista escrever diretamente para os pequenos, mas, de certa forma, s\u00e3o eles que se identificam com seus poemas. Na verdade, sua ampla obra pode ser lida por todas as idades. Contudo, os projetos editoriais de seus livros, ricamente ilustrados por artistas reconhecidos, t\u00eam apresenta\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel para o p\u00fablico infantil e juvenil. Alguns t\u00edtulos contam com reedi\u00e7\u00f5es que ganham novos formatos, incluindo um trabalho gr\u00e1fico e imag\u00e9tico mais atualizado esteticamente. O primeiro livro de Roseana \u00e9 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Fardo de carinho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, publicado em 1980 pela Editora Murinho e reeditado em 1985 e 2009, com ilustra\u00e7\u00f5es de Elvira Vigna. Eis a estrofe de abertura:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vaga-lume lume lume<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">ilumina meu caminho<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">que eu carrego um fardo<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">de carinho (s.p.)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O volume j\u00e1 traz, em seu t\u00edtulo, a concep\u00e7\u00e3o de poesia da autora, que faz um jogo antit\u00e9tico de sentidos: \u201cfardo\u201d \u00e9 um volume pesado, algo dif\u00edcil de suportar que, por extens\u00e3o, implica responsabilidade e cuidado; \u201ccarinho\u201d, por sua vez, significa afeto, delicadeza, pureza. Ao aproximar os dois termos, a poeta deixa clara sua proposta de transmitir os sentimentos mais sutis por meio do trabalho meticuloso e \u00e1rduo do fazer liter\u00e1rio. Para tanto, o eu po\u00e9tico que se revela invoca a luz, n\u00e3o a est\u00e1tica de uma l\u00e2mpada el\u00e9trica, mas a viva e pulsante dos vaga-lumes, no dinamismo de seus movimentos. N\u00e3o por acaso, assim, seus temas aludem a animais, natureza, rela\u00e7\u00f5es familiares, intimismo. Atrav\u00e9s de tais elementos e das situa\u00e7\u00f5es criadas, a autora evoca sentimentos como liberdade e paz. Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Classificados po\u00e9ticos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, temos:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Troco um passarinho na gaiola<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">por um gavi\u00e3o em pleno ar<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Troco um passarinho na gaiola<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">por uma gaivota sobre o mar<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Troco um passarinho na gaiola<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">por uma andorinha em pleno voo<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Troco um passarinho na gaiola<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">por uma gaiola aberta, vazia&#8230;. (p.31)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Precisa-se de uma bola de cristal<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">que mostre um futuro gr\u00e1vido de paz:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Que a paz brilhe no escuro<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">com o brilho especial que algumas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">palavras possuem<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">mas que seja mais do que palavra,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">mais do que promessa:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">seja como a chuva que sacia a sede da terra. (p.38)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro poema alterna um verso, sempre repetido (\u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Troco um passarinho na gaiola<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d), com outros que se diferenciam pela grada\u00e7\u00e3o de leveza que as imagens v\u00e3o criando (\u201cgavi\u00e3o\u201d &#8211; \u201cgaivota\u201d &#8211; \u201candorinha\u201d), de modo a preparar o \u00faltimo, \u201ca gaiola aberta\u201d, que evoca a liberta\u00e7\u00e3o. No segundo poema, temos a imagem de uma bola de cristal, que simboliza, na sua redondeza e transpar\u00eancia, um futuro que espalhar\u00e1 a paz entre os homens, desfazendo a oposi\u00e7\u00e3o luz <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\/ escurid\u00e3o. Estar em paz \u00e9 estar aberto ao outro, \u00e9 compartilhar e ser solid\u00e1rio. Por isso, a paz<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> n\u00e3o pode se limitar \u00e0 inten\u00e7\u00e3o da palavra, precisa fundar-se no fazer mais essencial, aquele que mant\u00e9m a vida, como a \u00e1gua enriquecendo a terra. Ali\u00e1s, a vis\u00e3o de paz como congra\u00e7amento de todos os homens \u00e9 muito constante nas palavras da poeta, como vemos nos versos de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Qual a palavra<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para que os homens<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">de todas as terras,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">de todas as l\u00ednguas,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">de todas as cores,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">de todos os povos,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">para que todos os homens<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">dancem junto com a terra<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">a dan\u00e7a silenciosa dos astros. (p.22-23)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A repeti\u00e7\u00e3o das palavras \u201ctodas\u201d\/\u201ctodos\u201d em cinco linhas po\u00e9ticas, sintetizadas no pen\u00faltimo verso na palavra \u201cjunto\u201d, remete, certamente, \u00e0 origem hebraica de Roseana, centrada h\u00e1 mil\u00eanios nos ensinamentos da Tor\u00e1 sobre a unidade e o compartilhamento. O poema encaminha, por isso, o sentido de paz como uni\u00e3o, em sintonia universal. Mas tamb\u00e9m no microcosmo familiar ele deve estar presente, como no livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Felicidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, onde o livre-arb\u00edtrio (outro princ\u00edpio caro ao juda\u00edsmo) vai determinar a qualidade de vida poss\u00edvel:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Seja qual for o caso da sua casa,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">tire do casulo m\u00e1gico a borboleta<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">felicidade, porque a felicidade \u00e9<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">sempre palavra azul, mar,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">montanha, vento, e a gente \u00e9 quem <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">escolhe se vai ou n\u00e3o vai usar. (p.43)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um exemplo claro, para a poeta, do movimento em busca da felicidade e, por conseguinte, da paz, est\u00e1 na figura da av\u00f3, e \u00e9 retirado do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Colo de av\u00f3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00a0Triciclo<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Numa bicicleta de tr\u00eas rodas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">e cestinha<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">a av\u00f3 leva a neta equilibrada<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">num raio de sol<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">e pedala, pedala,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">at\u00e9 alcan\u00e7ar a nuvem mais alta.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A neta canta, assovia,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">as crian\u00e7as da rua se animam,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">correm atr\u00e1s num cortejo m\u00e1gico<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">que, de t\u00e3o colorido, quase vira<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">um quadro,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">quase um arco-\u00edris. (p.16)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Novamente, s\u00e3o imagens familiares ao universo infantil que reescrevem o mundo do aconchego, da seguran\u00e7a e da aceita\u00e7\u00e3o. O poema faz um movimento ascensional, partindo do brinquedo infantil, dirigido pela av\u00f3, para atingir o estado m\u00e1gico e abrigar a fantasia, alcan\u00e7ando \u201ca nuvem mais alta\u201d. No entanto, h\u00e1 um \u201cquase\u201d, que mant\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o de realidade e diz \u00e0s crian\u00e7as que sonhar \u00e9 bom, mas \u00e9 muito necess\u00e1rio voltar ao aqui-e-agora. O jogo sempre continua, por\u00e9m, na medida em que a arte dialoga com a comida, a m\u00fasica, o folclore, motivos do cotidiano transformados em material po\u00e9tico. Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Poemas e comidinhas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, os poemas convivem com as receitas culin\u00e1rias, onde se misturam alimentos para o paladar do corpo e da alma; em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Caixinha de m\u00fasica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, os versos v\u00eam acompanhados das linhas mel\u00f3dicas, criando o tom encantat\u00f3rio da mais genu\u00edna poesia infantil; e em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Quem v\u00ea cara n\u00e3o v\u00ea cora\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, Roseana Murray brinca com os prov\u00e9rbios, expandindo suas verdades no espa\u00e7o da imagina\u00e7\u00e3o. Eis respectivamente, tr\u00eas trechos desses livros:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na curva da primavera,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">no alto da montanha,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">abelhas fabricam mel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Zumbem, dan\u00e7am, rodopiam,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">cantam para as flores<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">o azul do dia. (p.24)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na beira do lago<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">os sapos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">afinam os violinos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Can\u00e7\u00f5es feitas de chuva,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">can\u00e7\u00f5es feitas de ramos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">encharcados de \u00e1gua. (p.24)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem planta vento<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">colhe tempestade<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">e quem planta \u00e1rvores<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">colhe sombras<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">nas cal\u00e7adas da cidade? (p.10)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A composi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica busca sempre a comunica\u00e7\u00e3o com os leitores. Por isso, a escritora vale-se daqueles elementos que fazem parte do universo infantil e tamb\u00e9m juvenil. Em imagens sugestivas, ela desdobra os dados da realidade em uma miscel\u00e2nea de fragmentos m\u00e1gicos, em combina\u00e7\u00f5es inusitadas. Para obter os efeitos desejados, Roseana Murray aposta na capacidade l\u00fadica da linguagem, quando se apropria do animismo infantil. Por essas vias, express\u00f5es como \u201cna curva da primavera\u201d, \u201ccan\u00e7\u00f5es feitas de ramos\u201d e \u201ccolhe sombras\u201d partem de rela\u00e7\u00f5es improv\u00e1veis entre as palavras, para provocar a sensibilidade dos leitores. Tais achados n\u00e3o s\u00e3o ocasionais, mas frutos de um trabalho com a linguagem, que se contrai, no profundo sentido de \u201cversum\u201d, a linha po\u00e9tica que se volta sobre si mesma, sem atender, simplesmente, \u00e0 referencialidade externa. Suas rela\u00e7\u00f5es com os aspectos pragm\u00e1ticos da comunica\u00e7\u00e3o acontecem de modo enviesado, e da\u00ed o efeito est\u00e9tico do poema. Atenta \u00e0 carpintaria de sua arte, a autora escreve versos, como os de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Receitas de olhar, Todas as cores dentro do branco <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> O tra\u00e7o e a tra\u00e7a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em que orienta o exerc\u00edcio de leitura para o inusitado dos sentidos poss\u00edveis, uma vez que ali se abrigam todas as possibilidades de ser e viver: <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">RECEITA de olhar<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">nas primeiras horas da manh\u00e3<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">desamarre o olhar<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">deixe que se derrame<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">sobre todas as coisas belas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">o mundo \u00e9 sempre novo<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">e a terra dan\u00e7a e acorda<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">em acordes de sol<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">fa\u00e7a do seu olhar imensa caravela (p.44)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No papel em branco<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">cabe o mundo:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">todas as palavras<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">que j\u00e1 foram ditas,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">e o que ainda se dir\u00e1;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">cabe o passado,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">o presente e o futuro,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">cabe o que j\u00e1 existe<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">e o que nunca existir\u00e1&#8230;. (p.9)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se a tra\u00e7a soubesse<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">que num papel cabe<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">mais do que<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">gente numa pra\u00e7a<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">ser\u00e1 que desistia? (p.12)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Toda poesia traz em seu bojo a concep\u00e7\u00e3o do autor sobre o fazer po\u00e9tico. Ao convidar \u00e0 leitura, Roseana prop\u00f5e um despir-se das conting\u00eancias da vida pr\u00e1tica para inaugurar um novo mundo. Trata-se da recupera\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o original com que o poeta, tal qual a crian\u00e7a, integra-se no universo. Como o primeiro olhar \u00e9 pl\u00e1stico e globalizante, anulam-se as no\u00e7\u00f5es de tempo\/espa\u00e7o, realidade\/fantasia, eu\/mundo, na dire\u00e7\u00e3o de uma s\u00edntese abrangente, que abarca todos os homens. Ali todos os arranjos s\u00e3o poss\u00edveis, porque a arte \u00e9 sin\u00f4nimo de liberdade e transforma\u00e7\u00e3o e, nesse sentido, \u00e9 emancipat\u00f3ria. Por acreditar nesse prop\u00f3sito, a poeta leva a sua tarefa adiante, participando de encontros com leitores (alunos, professores, bibliotec\u00e1rios) e desenvolvendo o Projeto de Leitura Caf\u00e9, P\u00e3o e Texto, em que recebe integrantes de escolas p\u00fablicas em sua casa para um caf\u00e9 da manh\u00e3 liter\u00e1rio. Esse contato constante com os leitores permite colocar a poesia em a\u00e7\u00e3o, o que revela seu conceito alargado de literatura como capaz de reescrever o mundo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">REFER\u00caNCIAS<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">BILAC, Olavo. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Poesias infantis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. 13.ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1935. (1.ed. 1904)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">CAMARGO, Lu\u00eds. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A poesia infantil no Brasil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. 11 fev.2000. dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"http:\/\/blocosonline.com.br\/literatura\/prosa\/artigos\/art021.htm\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/blocosonline.com.br\/literatura\/prosa\/artigos\/art021.htm<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Acesso em: 10.abr.2009.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">LISBOA, Henriqueta. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O menino poeta<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Edi\u00e7\u00e3o Especial Ampliada. Ilustra\u00e7\u00f5es de Odila Fontes. Belo Horizonte: Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o de Minas Gerais, 1975. (1.ed. 1943)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MEIRELES, Cec\u00edlia. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ou isto ou aquilo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. 6.ed. Ilustra\u00e7\u00f5es de Thais Linhares. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002. (1.ed. 1964)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MORAES, Vin\u00edcius. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A arca de No\u00e9<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. 20.ed. Ilustra\u00e7\u00f5es de Marie Louise Nery. Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1989. (1.ed. 1970)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MURRAY, Roseana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Classificados po\u00e9ticos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ilustra\u00e7\u00f5es de Paula Saldanha. Belo Horizonte: Miguilim, 1984. (1.ed. 1984)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MURRAY, Roseana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Fardo de carinho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. 3.ed. Ilustra\u00e7\u00f5es de Elvira Vigna. Belo Horizonte: L\u00ea, 2009. (1.ed. 1980)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MURRAY, Roseana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Qual a palavra?<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> Ilustra\u00e7\u00f5es de Ana Luisa Sigon. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994. (1.ed. 1994)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MURRAY, Roseana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Felicidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ilustra\u00e7\u00f5es de Marilda Castanha. S\u00e3o Paulo: FTD,1995.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MURRAY, Roseana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Colo de av\u00f3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. 2.ed. Ilustra\u00e7\u00f5es de Elisabeth Teixeira. S\u00e3o Paulo: Brinque-Book, 2017. (1.ed. 2015)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MURRAY, Roseana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Quem v\u00ea cara n\u00e3o v\u00ea cora\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ilustra\u00e7\u00f5es de Larissa Ribeiro. S\u00e3o Paulo: Callis, 2013.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MURRAY, Roseana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Caixinha de m\u00fasica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ilustra\u00e7\u00f5es de S\u00e9rgio Magalh\u00e3es. Rio de Janeiro: Manati, 2004.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MURRAY, Roseana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Poemas e comidinhas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ilustra\u00e7\u00f5es de Ca\u00f3 Cruz Alves. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2008.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MURRAY, Roseana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O tra\u00e7o e a tra\u00e7a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ilustra\u00e7\u00f5es de Jorge Guidacci. Rio de Janeiro: Mem\u00f3rias Futuras, 1984.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MURRAY, Roseana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Todas as cores dentro do branco<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ilustra\u00e7\u00f5es de Edineusa Bezerril. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MURRAY, Roseana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Receitas de olhar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ilustra\u00e7\u00f5es de Elvira Vigna. S\u00e3o Paulo: FTD, 1997.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SANCHES NETO, Miguel. Cec\u00edlia Meireles e o tempo inteiri\u00e7o. In: MEIRELES, Cec\u00edlia. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Obra completa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. V.1. Rio de Janeiro: 2001, p.XXI-LIX.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O texto foi publicado no livro \u00a0<\/span><b>As mulleres como axentes literarias na LIX do S\u00e9culo XXI<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Publica\u00e7\u00e3o da Universidade de Santiago de Compostela, \u00a02018. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Coordena\u00e7\u00e3o de Blanca-Ana Roig Rechou, Isabel Soto L\u00f3pez, Marta Neira Rodr\u00edguez. Edici\u00f3ns Xerais de Galicia.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O FARDO PO\u00c9TICO DE ROSEANA MURRAY &nbsp; Vera Teixeira de Aguiar &nbsp; RESUMO No panorama da poesia infantil e juvenil brasileira, destaca-se Roseana Murray (1950), respons\u00e1vel por uma obra cont\u00ednua iniciada em 1980, com mais de 100 livros de poesia para crian\u00e7as e jovens. Ao longo de sua carreira, dedicada inteiramente ao fazer po\u00e9tico, \u00e9 condecorada com in\u00fameros pr\u00eamios liter\u00e1rios, tamb\u00e9m fazendo parte da Lista de Honra do International Board on Books for Young People\/IBBY, que abriga os melhores autores de literatura infantojuvenil do mundo. Todas essas l\u00e1ureas nos permitem avaliar a dimens\u00e3o de seu trabalho que, de h\u00e1 muito, vem atravessando fronteiras. &nbsp; ABSTRACT In the panorama of Brazilian literature for young people, Roseana Murray (1950) is a reference; she has been writing nonstop since 1980 and has over 100 poetry books for children. She has dedicated her life to poetry and has gained recognition with several awards; also, she is part of the Honor list in the International Board on Books for Young people \/ IBBY, which takes on world&#8217;s best authors in the segment. Such accomplishments allow us to asses the dimension of the author&#8217;s work, which has reached broad horizons for some time.\u00a0 &nbsp; Quando Roseana Murray (1950) estreia na literatura, a poesia destinada a crian\u00e7as e jovens j\u00e1 conta com uma experi\u00eancia de quase um s\u00e9culo no Brasil. Embora o primeiro livro de grande sucesso seja Poesias infantis, de Olavo Bilac (1865-1918), publicado em 1904, antes dele, nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, j\u00e1 aparecem exerc\u00edcios po\u00e9ticos, como elogios, conselhos e cumprimentos por datas festivas, conforme lembra Lu\u00eds Camargo (2009). Ainda vale citarmos Flores do campo, de Jos\u00e9 Fialho Dutra (1855 &#8211; ?), editado em 1882, que, em sua introdu\u00e7\u00e3o \u201cAo benigno leitor\u201d, acentua a inten\u00e7\u00e3o de oferecer temas c\u00edvicos, escolares, religiosos e sentimentais, em tom acentuadamente educativo. \u00c0 normatividade desses textos, certamente, os versos l\u00fadicos de Bilac se op\u00f5em, agradando deveras \u00e0 inf\u00e2ncia, embora entre eles se misturem ainda aqueles que visam incentivar boas atitudes por meio da poesia. \u00a0No entanto, o ritmo cadenciado da redondilha maior e as imagens familiares t\u00edpicas de Bilac caem no gosto dos pequenos, que repetem os versos de \u201cO trabalho\u201d: &nbsp; Tal como a chuva ca\u00edda Fecunda a terra, no estio, Para fecundar a vida O trabalho se inventou. (p.115) &nbsp; A partir de ent\u00e3o, o g\u00eanero oscila entre as duas vertentes \u2013 pedagogismo e preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica \u2013 com vantagens para a primeira, obstinada em ensinar e transmitir valores \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. A situa\u00e7\u00e3o come\u00e7a a mudar em 1943, com O menino poeta, de Henriqueta Lisboa (1901-1985), que privilegia o olhar da crian\u00e7a e o car\u00e1ter l\u00fadico do fazer po\u00e9tico. \u00a0Em versos curtos e animados, a autora aproxima-se da inf\u00e2ncia: &nbsp; O menino poeta quero ver de perto quero ver de perto para me ensinar as bonitas coisas do c\u00e9u e do mar. (p.39) &nbsp; Cec\u00edlia Meireles (1901-1964) consolida tal vis\u00e3o em 1964, quando Ou isto ou aquilo resguarda todas as conquistas de inventividade e liberdade da arte instauradas pelo Modernismo em d\u00e9cadas anteriores. Nesse sentido, o livro infantil mant\u00e9m a tem\u00e1tica intimista da poeta, que cultua a fugacidade da vida e a espiritualidade, acentuada, conforme aponta Miguel Sanches Neto (2001), mesmo atrav\u00e9s dos motivos infantis, como vemos em \u201cO vestido de Laura\u201d: &nbsp; Que as estrelas passam, borboletas, flores perdem suas cores. &nbsp; Se n\u00e3o formos depressa, acabou-se o vestido todo bordado e florido! (p. 44) &nbsp; \u00a0Seguem-se outros autores consagrados, como M\u00e1rio Quintana (1906-1994), que faz sucesso em 1968, com P\u00e9 de pil\u00e3o, cujos versos l\u00fadicos e bem cadenciados est\u00e3o at\u00e9 hoje no gosto do p\u00fablico, e Vin\u00edcius de Moraes (1913-1980), que, em 1970, re\u00fane seus poemas dispersos na conhecida obra A arca de No\u00e9, que recebe, inclusive, vers\u00e3o musical. Desde ent\u00e3o, uma gama consider\u00e1vel de poetas tem se dedicado a tal produ\u00e7\u00e3o, no esfor\u00e7o de criar sons, ritmos e imagens que expressem os modos de ver e sentir o mundo dos novos leitores. Desse panorama, avulta Roseana Murray, nascida em 1950, no Rio de Janeiro, filha dos imigrantes poloneses Lejbus Kligerman e Bertha Gutman Kligerman, que v\u00eam para o Brasil antes da Segunda Guerra fugindo do antissemitismo. Respons\u00e1vel por uma obra cont\u00ednua iniciada em 1980, ela \u00e9 autora de mais de 100 livros de poesia para crian\u00e7as e jovens. Graduada em L\u00edngua e Literatura Francesa pela Universidade de Nancy, por meio da Alian\u00e7a Francesa, dedica-se inteiramente ao fazer po\u00e9tico. \u00c9 condecorada, ao longo de sua carreira, com os Pr\u00eamios: Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edtica de Arte\/APCA, na categoria \u201cPoesia Infantil\u201d; \u201cO Melhor de Poesia\u201d da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do Livro Infantil e Juvenil\/FNLIJ (por quatro vezes); Pr\u00eamio Academia Brasileira de Letras\/ABL para \u201cLivro Infantil\u201d. Recebe, ainda, por diversas vezes, o selo \u201cAltamente Recomend\u00e1vel\u201d da FNLIJ. Tamb\u00e9m faz parte da Lista de Honra do International Board on Books for Young People\/IBBY, que abriga os melhores autores de literatura infantojuvenil do mundo. Todas essas l\u00e1ureas nos permitem avaliar a dimens\u00e3o do trabalho de Roseana que, de h\u00e1 muito, vem atravessando fronteiras. A escritora afirma que, ao come\u00e7ar, n\u00e3o teve em vista escrever diretamente para os pequenos, mas, de certa forma, s\u00e3o eles que se identificam com seus poemas. Na verdade, sua ampla obra pode ser lida por todas as idades. Contudo, os projetos editoriais de seus livros, ricamente ilustrados por artistas reconhecidos, t\u00eam apresenta\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel para o p\u00fablico infantil e juvenil. Alguns t\u00edtulos contam com reedi\u00e7\u00f5es que ganham novos formatos, incluindo um trabalho gr\u00e1fico e imag\u00e9tico mais atualizado esteticamente. O primeiro livro de Roseana \u00e9 Fardo de carinho, publicado em 1980 pela Editora Murinho e reeditado em 1985 e 2009, com ilustra\u00e7\u00f5es de Elvira Vigna. Eis a estrofe de abertura: Vaga-lume lume lume ilumina meu caminho que eu carrego um fardo de carinho (s.p.) &nbsp; O volume j\u00e1 traz, em seu t\u00edtulo, a concep\u00e7\u00e3o de poesia da autora, que faz um jogo antit\u00e9tico de sentidos: \u201cfardo\u201d \u00e9 um volume pesado, algo dif\u00edcil de suportar que, por extens\u00e3o, implica responsabilidade e cuidado; \u201ccarinho\u201d, por sua vez, significa afeto, delicadeza,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-905","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-e-opinioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=905"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/905\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}