{"id":740,"date":"2018-05-15T10:47:49","date_gmt":"2018-05-15T13:47:49","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=740"},"modified":"2018-05-15T10:47:49","modified_gmt":"2018-05-15T13:47:49","slug":"poemas-para-metronomo-e-vento-estabelece-atraves-de-um-ritmo-cadenciado-uma-poetica-sutil-do-movimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2018\/05\/15\/poemas-para-metronomo-e-vento-estabelece-atraves-de-um-ritmo-cadenciado-uma-poetica-sutil-do-movimento\/","title":{"rendered":"Poemas para metr\u00f4nomo e vento estabelece, atrav\u00e9s de um ritmo cadenciado, uma po\u00e9tica sutil do movimento"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Fernando Andrade<\/strong><\/p>\n<p>Sempre me interessei muito pelos modos de ser da brisa. \u00c9 porque s\u00f3 a noto em regi\u00f5es afastadas do civilizado, como matas, s\u00edtios, fazendas e florestas, seu principal meio de exist\u00eancia. Talvez pelo sil\u00eancio desses locais, possamos estar atentos ao seu loco de existir, que \u00e9 o breve som de um rumorejar de algum objeto, como o de folhas que balan\u00e7am em um ritmo compassado.<\/p>\n<p>A brisa pode ser disfar\u00e7ada com um ritmo musical, s\u00f3 n\u00e3o sei que tipo de instrumento sonoro seria e que cordas perpassariam seu sopro, pois a brisa vem da onde? Do amanhecer? Do entardecer? Por que ela est\u00e1 associada \u00e0 mudan\u00e7a da luz como o escurecer? Sou neto de fazendeiro e me recordo das brisas poentes em Minas, onde o poente vinha junto com o balan\u00e7o musical das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Por que perpasso a brisa nesta resenha po\u00e9tica? Para me auxiliar em doces verdes das imagens que s\u00e3o \u00e1rvores-fruto da nossa imagina\u00e7\u00e3o e voam ao sabor do vento. Por qu\u00ea? Toda can\u00e7\u00e3o tem um batimento interno, como o pulsar da vida o tem dentro do peito meu-seu. Dizem que para aprender m\u00fasica \u00e9 necess\u00e1rio um pouco de matem\u00e1tica, pois s\u00e3o cifras e motes cheios de compassos e pausas. Mas, gente, nunca vi nada t\u00e3o diferente desta arte dos n\u00fameros e linhas do que a poesia, em seu colocar no meio do pensamento, onde se inicia um poema. A brisa sim, n\u00e3o se sabe de onde vem. Assim como o poema, algu\u00e9m sabe como se materializa?<\/p>\n<p>Quando li os poemas da Roseana Murray, no seu mais novo livro Poemas para metr\u00f4nomo  e vento da editora Penalux, pensei que cada espa\u00e7o em branco tinha um devir de brisa ali balou\u00e7ando em fuga ou raiz. Fiquei me perguntando como a poeta inicia esses seus poemas, que come\u00e7am com uma simples palavra-ideia, e v\u00e3o se formando com uma certa coes\u00e3o sem\u00e2ntica, muito pr\u00f3pria da poeta, em misturas de palavras com leveza e peso dentro de suas possibilidades de sentido e som, encarrilhadas como um trilho de um trem que carregasse um tipo de m\u00fasica \u2013 um trem mel\u00f3dico \u2013 que fosse intenso de azul.<\/p>\n<p>O ritmo de algumas can\u00e7\u00f5es parece com o de certas f\u00e1bulas, que funcionam muito mais pelo formato de se compor dentro de contextos, no caso a p\u00e1gina de um livro, do que pelos temas que necessariamente perpassariam. Digo melhor, os enredos s\u00f3 acontecem pelo ex\u00edmio poder de construir frases mel\u00f3dicas encadeadas de forma simples e extremamente alusiva. A poeta, na maioria dos poemas, repete uma determinada palavra po\u00e9tica mas mantendo a a\u00e7\u00e3o em curso nas linhas dos versos.<\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante notar que os poemas t\u00eam   poucos temas e sejam coesos como o vento e a cor azul a nortear uma andan\u00e7a po\u00e9tica pela jornada adentro do livro. Pela forte criatividade de Roseana, em tran\u00e7ar imagens e palavras no intercurso do poema, os temas n\u00e3o se tornam nem mon\u00f3tonos nem repetitivos. Parecem grada\u00e7\u00f5es de um mesmo matiz, que se esmi\u00fa\u00e7a, poeticamente, indo ao \u00edntimo ou ao \u00ednfimo das coisas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fernando Andrade Sempre me interessei muito pelos modos de ser da brisa. \u00c9 porque s\u00f3 a noto em regi\u00f5es afastadas do civilizado, como matas, s\u00edtios, fazendas e florestas, seu principal meio de exist\u00eancia. Talvez pelo sil\u00eancio desses locais, possamos estar atentos ao seu loco de existir, que \u00e9 o breve som de um rumorejar de algum objeto, como o de folhas que balan\u00e7am em um ritmo compassado. A brisa pode ser disfar\u00e7ada com um ritmo musical, s\u00f3 n\u00e3o sei que tipo de instrumento sonoro seria e que cordas perpassariam seu sopro, pois a brisa vem da onde? Do amanhecer? Do entardecer? Por que ela est\u00e1 associada \u00e0 mudan\u00e7a da luz como o escurecer? Sou neto de fazendeiro e me recordo das brisas poentes em Minas, onde o poente vinha junto com o balan\u00e7o musical das \u00e1rvores. Por que perpasso a brisa nesta resenha po\u00e9tica? Para me auxiliar em doces verdes das imagens que s\u00e3o \u00e1rvores-fruto da nossa imagina\u00e7\u00e3o e voam ao sabor do vento. Por qu\u00ea? Toda can\u00e7\u00e3o tem um batimento interno, como o pulsar da vida o tem dentro do peito meu-seu. Dizem que para aprender m\u00fasica \u00e9 necess\u00e1rio um pouco de matem\u00e1tica, pois s\u00e3o cifras e motes cheios de compassos e pausas. Mas, gente, nunca vi nada t\u00e3o diferente desta arte dos n\u00fameros e linhas do que a poesia, em seu colocar no meio do pensamento, onde se inicia um poema. A brisa sim, n\u00e3o se sabe de onde vem. Assim como o poema, algu\u00e9m sabe como se materializa? Quando li os poemas da Roseana Murray, no seu mais novo livro Poemas para metr\u00f4nomo e vento da editora Penalux, pensei que cada espa\u00e7o em branco tinha um devir de brisa ali balou\u00e7ando em fuga ou raiz. Fiquei me perguntando como a poeta inicia esses seus poemas, que come\u00e7am com uma simples palavra-ideia, e v\u00e3o se formando com uma certa coes\u00e3o sem\u00e2ntica, muito pr\u00f3pria da poeta, em misturas de palavras com leveza e peso dentro de suas possibilidades de sentido e som, encarrilhadas como um trilho de um trem que carregasse um tipo de m\u00fasica \u2013 um trem mel\u00f3dico \u2013 que fosse intenso de azul. O ritmo de algumas can\u00e7\u00f5es parece com o de certas f\u00e1bulas, que funcionam muito mais pelo formato de se compor dentro de contextos, no caso a p\u00e1gina de um livro, do que pelos temas que necessariamente perpassariam. Digo melhor, os enredos s\u00f3 acontecem pelo ex\u00edmio poder de construir frases mel\u00f3dicas encadeadas de forma simples e extremamente alusiva. A poeta, na maioria dos poemas, repete uma determinada palavra po\u00e9tica mas mantendo a a\u00e7\u00e3o em curso nas linhas dos versos. \u00c9 muito interessante notar que os poemas t\u00eam poucos temas e sejam coesos como o vento e a cor azul a nortear uma andan\u00e7a po\u00e9tica pela jornada adentro do livro. Pela forte criatividade de Roseana, em tran\u00e7ar imagens e palavras no intercurso do poema, os temas n\u00e3o se tornam nem mon\u00f3tonos nem repetitivos. Parecem grada\u00e7\u00f5es de um mesmo matiz, que se esmi\u00fa\u00e7a, poeticamente, indo ao \u00edntimo ou ao \u00ednfimo das coisas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-740","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-e-opinioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/740","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=740"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/740\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}