{"id":736,"date":"2018-05-15T10:44:39","date_gmt":"2018-05-15T13:44:39","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=736"},"modified":"2018-05-15T10:44:39","modified_gmt":"2018-05-15T13:44:39","slug":"o-voo-alem-da-superficie-em-poemas-para-metronomo-e-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2018\/05\/15\/o-voo-alem-da-superficie-em-poemas-para-metronomo-e-vento\/","title":{"rendered":"O voo al\u00e9m da superf\u00edcie, em Poemas para metr\u00f4nomo e vento"},"content":{"rendered":"<p><strong>Alexandra Vieira de Almeida \u2013 Escritora e Doutora em Literatura Comparada (UERJ)<\/strong><\/p>\n<p>No novo livro de poemas de Roseana Murray, Poemas para metr\u00f4nomo e vento (Penalux, 2018), temos um universo sem\u00e2ntico que d\u00e1 coer\u00eancia \u00e0 obra e \u00e0 proposta do livro que \u00e9 medir o tempo pelas cordas da poesia. O metr\u00f4nomo, instrumento que mede o andamento musical, juntamente com o vento, este elemento sutil da natureza que por vezes nos arrasta com sua f\u00faria sonora, levam a poeta a dialogar com a progress\u00e3o, com o ritmo das coisas. Palavras como \u201cluz\u201d, \u201cestrelas\u201d, \u201cazul\u201d, \u201crio\u201d, \u201casas\u201d, \u201csol\u201d, \u201csombra\u201d, \u201c\u00e1gua\u201d, \u201cfio\u201d, \u201clinha\u201d, \u201cvoo\u201d tecem uma rede constante em sua po\u00e9tica. \u00c9 forte a presen\u00e7a da natureza que se mostra como mosaico temporal das mudan\u00e7as entre o eu e o mundo. Em Murray, temos o tempo da constru\u00e7\u00e3o, da arquitetura po\u00e9tica, o tempo de fia\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o da poiesis. Tudo \u00e9 ritmo nos seus versos musicais. A aproxima\u00e7\u00e3o entre poesia e m\u00fasica a partir deste elemento que \u00e9 o ritmo d\u00e1 o tom maior no livro desta poeta excepcional. Da mesma forma se d\u00e1 o paralelismo entre natureza e arte\/cultura atrav\u00e9s da m\u00fasica. Os sons da natureza, deste vento que assovia por entre as linhas dos seus poemas revelam as aproxima\u00e7\u00f5es entre os dons da natureza e o tempo da poesia. O vento \u00e9 a for\u00e7a da natureza que espalha\/expande tudo e espelha o tempo.<\/p>\n<p>A cor azul \u00e9 central no seu livro. O azul indica imaterialidade, um ir al\u00e9m, um transcender a mera forma. Neste sentido, o ar \u00e9 elemento importante ao se reportar ao mito de D\u00e9dalo e seu filho \u00cdcaro. D\u00e9dalo era prisioneiro de Minos e para fugir com seu filho da pris\u00e3o constr\u00f3i asas, como ex\u00edmio arquiteto. S\u00f3 que ele voa numa altura moderada enquanto \u00cdcaro, por sua soberba, vai al\u00e9m do normal, tendo a cera que prendia as suas asas derretidas pelo sol, levando-o \u00e0 morte. No poema \u201cO rio invis\u00edvel\u201d, Roseana Murray tem uma conversa intertextual com este mito. Vejamos: \u201cA m\u00fasica do rio\/invis\u00edvel,\/que canta\/conduzindo\/os navegantes,\/os sem rumo,\/os perdidos,\/os maltrapilhos\/\/H\u00e1 que ouvir\/essa voz distante,\/para sair do labirinto.\/\/H\u00e1 que buscar\/as setas\/que apontam\/o nome:\/aquele escrito\/com sol.\/\/S\u00f3 ent\u00e3o\/a alma pode voar e levar\/o corpo\/e mesmo que a luz\/desfa\u00e7a suas asas,\/ser\u00e1 poss\u00edvel enxergar\/na escurid\u00e3o\u201d. Apesar do voo deste imagin\u00e1rio que vai al\u00e9m da forma, Murray tem uma postura de enxergar al\u00e9m do mero cotidiano, com uma poesia que revela o sublime atrav\u00e9s das asas das palavras, como \u201csementes aladas\u201d, sua po\u00e9tica inaugura conceitos e chaves para se entender a vida e ultrapassar a mesmice cotidiana.<br \/>\nNo poema que abre o livro, temos o simbolismo das asas: \u201cSe n\u00e3o temos asas,\/temos palavras,\/para arrumar o caos\/em camadas de azul\/e desejos\u201d. Sendo a cor mais sutil da chama, o azul nos apresenta a cor do infinito, \u00e0quela observa\u00e7\u00e3o que ultrapassa o meramente \u00f3tico para se fazer o sonho l\u00edrico. Algo que se expande de sua ambi\u00eancia de ser simplesmente vis\u00e3o para se fincar nas entrelinhas do olhar, os pontos vazios que dialogam com o car\u00e1ter fantasm\u00e1tico do po\u00e9tico que n\u00e3o se quer uma conven\u00e7\u00e3o. Em \u201cOs mortos\u201d, temos: \u201cOs mortos\/se alimentam\/da nossa mem\u00f3ria,\/sua comida\/\u00e9 o fiar cont\u00ednuo\/dos nossos pensamentos\u201d. Este car\u00e1ter espectral do po\u00e9tico lan\u00e7a uma rede invis\u00edvel tecida pela intangibilidade das coisas, paradoxalmente. Murray nos fala dos abismos que as palavras cont\u00eam, os seus versos s\u00e3o permeados pelo sil\u00eancio da escuta, aquele silenciar que \u00e9 o tempo de matura\u00e7\u00e3o da poesia, o tempo tamb\u00e9m de degusta\u00e7\u00e3o do leitor que vai tamb\u00e9m al\u00e9m do que \u00e9 vis\u00edvel aos olhos.<\/p>\n<p>No livro exemplar sobre os g\u00eaneros liter\u00e1rios, Conceitos fundamentais da po\u00e9tica, de Emil Staiger, encontramos a recorda\u00e7\u00e3o l\u00edrica, que n\u00e3o \u00e9 apenas o ingressar do mundo no sujeito. \u00c9 muito mais do que isso. \u00c9 o \u201cum-no-outro\u201d, \u201cde modo que se poderia dizer indiferentemente: o poeta recorda a natureza, ou a natureza recorda o poeta\u201d. Neste sentido h\u00e1 uma fus\u00e3o entre os dois planos, fazendo do sujeito um objeto e deste um avizinhar-se do humano. Vejamos o bel\u00edssimo poema \u201cCaminhar sobre as \u00e1guas\u201d: \u201cLevo o mar\/dentro dos olhos\/como quem leva\/uma fruta na bolsa\/varia\u00e7\u00f5es sobre\/todos os tons\/do azul.\u201d. Dessa forma, encontramos nos poemas de Murray, uma m\u00fasica na natureza, uma certa culturaliza\u00e7\u00e3o do ambiente, em que no\u00e7\u00f5es abstratas como o tempo dan\u00e7am nos mares da realidade natural. E tamb\u00e9m h\u00e1 uma certa naturaliza\u00e7\u00e3o da arte, percebendo-se entre ambas, cultura e natureza, os interc\u00e2mbios poss\u00edveis. Assim temos o voo do po\u00e9tico nesta obra fant\u00e1stica de Roseana: \u201cnessa cor, nessa m\u00fasica l\u00edquida\u201d. <\/p>\n<p>Al\u00e9m da intertextualidade que se mostra em seus versos, temos a metalinguagem mesclada com ela num mesmo poema. Vejamos o di\u00e1logo com Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, dando novas asas \u00e0 poesia dele: \u201cUm verso simples,\/ sozinho,\/n\u00e3o tece a manh\u00e3:\/\u00e9 preciso um galo\/e um sol,\/nas m\u00e3os um sonho\/ainda sujo de estrelas,\/ainda sujo de infinito.\/Um verso precisa\/de outro verso,\/para que seu tecido\/vire barco.\u201d \u00c9 preciso que a intertextualidade e a metalinguagem estejam de m\u00e3os dadas para que os efeitos e desdobramentos do po\u00e9tico se enalte\u00e7am. E isso Roseana Murray faz de forma maravilhosa, dando tons vibrantes e particulares para outros autores cotejados. O fasc\u00ednio que Murray tem pelas palavras necess\u00e1rias e essenciais para a constru\u00e7\u00e3o de sua rica urdidura l\u00edrica faz de seu livro algo luminoso para a verdadeira poesia que deve se pautar pelo mais importante e n\u00e3o se perder em vias de m\u00e3o \u00fanica, mas pluralizar os c\u00f3digos lingu\u00edsticos por um assunto tem\u00e1tico \u00fanico que se desdobra de forma variada e crescente em sua obra admir\u00e1vel pela sua for\u00e7a po\u00e9tica.<\/p>\n<p>Portanto, a sua poesia revela as sutilezas do azul, que ultrapassa o ordin\u00e1rio para se fazer o sublime regado de sil\u00eancio e vazio. Sua obra transcende o convencional ao nos apresentar as quebras das diferen\u00e7as e dicotomias como o interc\u00e2mbio entre o natural e o cultural, nos levando a uma altura que vai al\u00e9m das estrelas. Tendo uma poesia original, l\u00edrica, bela e essencial, suas vozes art\u00edsticas costuram um tecido multifacetado utilizando-se para isso de uma sem\u00e2ntica pr\u00f3pria que repete certas palavras que n\u00e3o atingem as setas retil\u00edneas da mesmice, mas as curvas do mergulhar nas \u00e1guas profundas do novo. Uma poeta que sabe manejar as palavras como ningu\u00e9m, trazendo para n\u00f3s, leitores, um livro diferente e paradoxal que sai do pouso terreno para atingir alturas cada vez mais long\u00ednquas como o voo de \u00cdcaro. Uma poesia que requer um olhar agudo do leitor e da cr\u00edtica especializada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandra Vieira de Almeida \u2013 Escritora e Doutora em Literatura Comparada (UERJ) No novo livro de poemas de Roseana Murray, Poemas para metr\u00f4nomo e vento (Penalux, 2018), temos um universo sem\u00e2ntico que d\u00e1 coer\u00eancia \u00e0 obra e \u00e0 proposta do livro que \u00e9 medir o tempo pelas cordas da poesia. O metr\u00f4nomo, instrumento que mede o andamento musical, juntamente com o vento, este elemento sutil da natureza que por vezes nos arrasta com sua f\u00faria sonora, levam a poeta a dialogar com a progress\u00e3o, com o ritmo das coisas. Palavras como \u201cluz\u201d, \u201cestrelas\u201d, \u201cazul\u201d, \u201crio\u201d, \u201casas\u201d, \u201csol\u201d, \u201csombra\u201d, \u201c\u00e1gua\u201d, \u201cfio\u201d, \u201clinha\u201d, \u201cvoo\u201d tecem uma rede constante em sua po\u00e9tica. \u00c9 forte a presen\u00e7a da natureza que se mostra como mosaico temporal das mudan\u00e7as entre o eu e o mundo. Em Murray, temos o tempo da constru\u00e7\u00e3o, da arquitetura po\u00e9tica, o tempo de fia\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o da poiesis. Tudo \u00e9 ritmo nos seus versos musicais. A aproxima\u00e7\u00e3o entre poesia e m\u00fasica a partir deste elemento que \u00e9 o ritmo d\u00e1 o tom maior no livro desta poeta excepcional. Da mesma forma se d\u00e1 o paralelismo entre natureza e arte\/cultura atrav\u00e9s da m\u00fasica. Os sons da natureza, deste vento que assovia por entre as linhas dos seus poemas revelam as aproxima\u00e7\u00f5es entre os dons da natureza e o tempo da poesia. O vento \u00e9 a for\u00e7a da natureza que espalha\/expande tudo e espelha o tempo. A cor azul \u00e9 central no seu livro. O azul indica imaterialidade, um ir al\u00e9m, um transcender a mera forma. Neste sentido, o ar \u00e9 elemento importante ao se reportar ao mito de D\u00e9dalo e seu filho \u00cdcaro. D\u00e9dalo era prisioneiro de Minos e para fugir com seu filho da pris\u00e3o constr\u00f3i asas, como ex\u00edmio arquiteto. S\u00f3 que ele voa numa altura moderada enquanto \u00cdcaro, por sua soberba, vai al\u00e9m do normal, tendo a cera que prendia as suas asas derretidas pelo sol, levando-o \u00e0 morte. No poema \u201cO rio invis\u00edvel\u201d, Roseana Murray tem uma conversa intertextual com este mito. Vejamos: \u201cA m\u00fasica do rio\/invis\u00edvel,\/que canta\/conduzindo\/os navegantes,\/os sem rumo,\/os perdidos,\/os maltrapilhos\/\/H\u00e1 que ouvir\/essa voz distante,\/para sair do labirinto.\/\/H\u00e1 que buscar\/as setas\/que apontam\/o nome:\/aquele escrito\/com sol.\/\/S\u00f3 ent\u00e3o\/a alma pode voar e levar\/o corpo\/e mesmo que a luz\/desfa\u00e7a suas asas,\/ser\u00e1 poss\u00edvel enxergar\/na escurid\u00e3o\u201d. Apesar do voo deste imagin\u00e1rio que vai al\u00e9m da forma, Murray tem uma postura de enxergar al\u00e9m do mero cotidiano, com uma poesia que revela o sublime atrav\u00e9s das asas das palavras, como \u201csementes aladas\u201d, sua po\u00e9tica inaugura conceitos e chaves para se entender a vida e ultrapassar a mesmice cotidiana. No poema que abre o livro, temos o simbolismo das asas: \u201cSe n\u00e3o temos asas,\/temos palavras,\/para arrumar o caos\/em camadas de azul\/e desejos\u201d. Sendo a cor mais sutil da chama, o azul nos apresenta a cor do infinito, \u00e0quela observa\u00e7\u00e3o que ultrapassa o meramente \u00f3tico para se fazer o sonho l\u00edrico. Algo que se expande de sua ambi\u00eancia de ser simplesmente vis\u00e3o para se fincar nas entrelinhas do olhar, os pontos vazios que dialogam com o car\u00e1ter fantasm\u00e1tico do po\u00e9tico que n\u00e3o se quer uma conven\u00e7\u00e3o. Em \u201cOs mortos\u201d, temos: \u201cOs mortos\/se alimentam\/da nossa mem\u00f3ria,\/sua comida\/\u00e9 o fiar cont\u00ednuo\/dos nossos pensamentos\u201d. Este car\u00e1ter espectral do po\u00e9tico lan\u00e7a uma rede invis\u00edvel tecida pela intangibilidade das coisas, paradoxalmente. Murray nos fala dos abismos que as palavras cont\u00eam, os seus versos s\u00e3o permeados pelo sil\u00eancio da escuta, aquele silenciar que \u00e9 o tempo de matura\u00e7\u00e3o da poesia, o tempo tamb\u00e9m de degusta\u00e7\u00e3o do leitor que vai tamb\u00e9m al\u00e9m do que \u00e9 vis\u00edvel aos olhos. No livro exemplar sobre os g\u00eaneros liter\u00e1rios, Conceitos fundamentais da po\u00e9tica, de Emil Staiger, encontramos a recorda\u00e7\u00e3o l\u00edrica, que n\u00e3o \u00e9 apenas o ingressar do mundo no sujeito. \u00c9 muito mais do que isso. \u00c9 o \u201cum-no-outro\u201d, \u201cde modo que se poderia dizer indiferentemente: o poeta recorda a natureza, ou a natureza recorda o poeta\u201d. Neste sentido h\u00e1 uma fus\u00e3o entre os dois planos, fazendo do sujeito um objeto e deste um avizinhar-se do humano. Vejamos o bel\u00edssimo poema \u201cCaminhar sobre as \u00e1guas\u201d: \u201cLevo o mar\/dentro dos olhos\/como quem leva\/uma fruta na bolsa\/varia\u00e7\u00f5es sobre\/todos os tons\/do azul.\u201d. Dessa forma, encontramos nos poemas de Murray, uma m\u00fasica na natureza, uma certa culturaliza\u00e7\u00e3o do ambiente, em que no\u00e7\u00f5es abstratas como o tempo dan\u00e7am nos mares da realidade natural. E tamb\u00e9m h\u00e1 uma certa naturaliza\u00e7\u00e3o da arte, percebendo-se entre ambas, cultura e natureza, os interc\u00e2mbios poss\u00edveis. Assim temos o voo do po\u00e9tico nesta obra fant\u00e1stica de Roseana: \u201cnessa cor, nessa m\u00fasica l\u00edquida\u201d. Al\u00e9m da intertextualidade que se mostra em seus versos, temos a metalinguagem mesclada com ela num mesmo poema. Vejamos o di\u00e1logo com Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, dando novas asas \u00e0 poesia dele: \u201cUm verso simples,\/ sozinho,\/n\u00e3o tece a manh\u00e3:\/\u00e9 preciso um galo\/e um sol,\/nas m\u00e3os um sonho\/ainda sujo de estrelas,\/ainda sujo de infinito.\/Um verso precisa\/de outro verso,\/para que seu tecido\/vire barco.\u201d \u00c9 preciso que a intertextualidade e a metalinguagem estejam de m\u00e3os dadas para que os efeitos e desdobramentos do po\u00e9tico se enalte\u00e7am. E isso Roseana Murray faz de forma maravilhosa, dando tons vibrantes e particulares para outros autores cotejados. O fasc\u00ednio que Murray tem pelas palavras necess\u00e1rias e essenciais para a constru\u00e7\u00e3o de sua rica urdidura l\u00edrica faz de seu livro algo luminoso para a verdadeira poesia que deve se pautar pelo mais importante e n\u00e3o se perder em vias de m\u00e3o \u00fanica, mas pluralizar os c\u00f3digos lingu\u00edsticos por um assunto tem\u00e1tico \u00fanico que se desdobra de forma variada e crescente em sua obra admir\u00e1vel pela sua for\u00e7a po\u00e9tica. Portanto, a sua poesia revela as sutilezas do azul, que ultrapassa o ordin\u00e1rio para se fazer o sublime regado de sil\u00eancio e vazio. Sua obra transcende o convencional ao nos apresentar as quebras das diferen\u00e7as e dicotomias como o interc\u00e2mbio entre o natural e o cultural, nos levando a uma altura que vai al\u00e9m das estrelas. Tendo uma poesia original, l\u00edrica, bela e essencial, suas vozes art\u00edsticas costuram um tecido multifacetado utilizando-se para isso de uma sem\u00e2ntica pr\u00f3pria que repete certas palavras que<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-736","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-e-opinioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=736"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/736\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}