{"id":726,"date":"2018-05-14T15:44:49","date_gmt":"2018-05-14T18:44:49","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=726"},"modified":"2018-05-14T15:44:49","modified_gmt":"2018-05-14T18:44:49","slug":"clube-de-leitura-da-casa-amarela-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2018\/05\/14\/clube-de-leitura-da-casa-amarela-10\/","title":{"rendered":"Clube de Leitura da Casa Amarela"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/31945245_1669674036473776_5176615973246992384_o.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-large wp-image-727\" src=\"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/31945245_1669674036473776_5176615973246992384_o-569x1024.jpg\" alt=\"31945245_1669674036473776_5176615973246992384_o\" width=\"300\" height=\"540\" \/><\/a>A luz do Sert\u00e3o de Olho D&#8217;\u00c1gua, do romance Outros Cantos, de Maria Val\u00e9ria Rezende inundou a sala do nosso Clube de Leitura da Casa Amarela.<\/p>\n<p>Foram muitas viagens e muitos tempos em nossa viagem. Assim como a personagem Maria, dentro de um \u00f4nibus, aos solavancos, volta ao passado numa longa noite atravessada de mem\u00f3rias, cada um de n\u00f3s se viu enredado nos fios coloridos dessa imensa rede de afetos e acolhimentos, quando Maria, ao ser despejada em seu ex\u00edlio, na verdade nos leva com seu corpo mi\u00fado a vivenciar a experi\u00eancia mais bela de amor. Ela, que chega de outros ex\u00edlios para ensinar, ter\u00e1 que aprender o que n\u00e3o se ensina em nenhuma escola.<\/p>\n<p>O livro nos trouxe muitas quest\u00f5es: o excesso de nossa sociedade de consumo, onde o objeto vale mais que a pessoa e o sentimento de infelicidade que isso traz.<\/p>\n<p>O contraste com a dureza da vida dessa comunidade onde nada havia, onde a \u00e1gua era o maior tesouro, mas o amor e a aceita\u00e7\u00e3o do outro era a verdadeira \u00e1gua. A escassez d\u00e1 li\u00e7\u00f5es de amor.<\/p>\n<p>Falamos de como o livro trabalha fortemente com todos os nossos cinco sentidos e sentimentos.<\/p>\n<p>Ao abrir a sua caixinha m\u00e1gica do tesouro, Maria nos faz abrir a nossa e desata a nossa mem\u00f3ria, cada um de n\u00f3s j\u00e1 passou por desertos e ex\u00edlios.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 feito de cenas bel\u00edssimas, prontas para um filme.<\/p>\n<p>M\u00e1ximo, nosso leitor cineasta chamou a aten\u00e7\u00e3o para a escurid\u00e3o do \u00f4nibus, a sua penumbra. Ao voltar ao passado com a personagem, ao voltar quarenta anos para tr\u00e1s, a luz quase nos cega.<\/p>\n<p>Cesar Alves nos contou que cada segundo livre que tinha, corria para o livro.<\/p>\n<p>Todos nos apaixonamos por F\u00e1tima, a grande mulher do romance.<\/p>\n<p>Todos falamos da f\u00e9 que era a chama da sobreviv\u00eancia dessa comunidade privada de tudo.<\/p>\n<p>E ao entrela\u00e7ar o livro de Cineas Santos, Dona Purcina, com o Outros Cantos, a nossa emo\u00e7\u00e3o foi verdadeiramente intensa.<\/p>\n<p>Dona Purcina nos leva tamb\u00e9m ao Sert\u00e3o, mas de uma outra maneira. Marcia Borges nos diz: Maria veio de fora, mas D.Purcina j\u00e1 estava l\u00e1 dentro.<\/p>\n<p>Cin\u00e9as nos conta a hist\u00f3ria dessa menina que se transforma numa mulher extraordin\u00e1ria, que n\u00e3o tinha como estudar, (como os habitantes de Olho D&#8217;\u00c1gua), mas fez o imposs\u00edvel para que seus filhos estudassem. A dureza de sua vida no Sert\u00e3o e na pequena cidade para onde leva os filhos, vai sendo contada em textos curtos, cheios de poesia e humor, at\u00e9 que ao se olhar no espelho um dia e n\u00e3o mais se reconhecer, sabemos que o livro existe porque Cin\u00e9as tamb\u00e9m precisava construir a sua caixa do tesouro para guardar Dona Purcina.<br \/>\nOs dois livros nos emocionaram imensamente.<\/p>\n<p>Tivemos muitas pessoas ausentes por motivos diversos e novos leitores chegaram para dividirmos o p\u00e3o e o vinho em torno de um livro, num ritual magn\u00edfico que come\u00e7ou em 2010 e se repete de dois em dois meses.<\/p>\n<p>Em julho nosso encontro ser\u00e1 em Visconde de Mau\u00e1 e vamos ler Jacques, o fatalista e seu amo, do Diderot e o poema Liberdade de Paul \u00c9luard.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luz do Sert\u00e3o de Olho D&#8217;\u00c1gua, do romance Outros Cantos, de Maria Val\u00e9ria Rezende inundou a sala do nosso Clube de Leitura da Casa Amarela. Foram muitas viagens e muitos tempos em nossa viagem. Assim como a personagem Maria, dentro de um \u00f4nibus, aos solavancos, volta ao passado numa longa noite atravessada de mem\u00f3rias, cada um de n\u00f3s se viu enredado nos fios coloridos dessa imensa rede de afetos e acolhimentos, quando Maria, ao ser despejada em seu ex\u00edlio, na verdade nos leva com seu corpo mi\u00fado a vivenciar a experi\u00eancia mais bela de amor. Ela, que chega de outros ex\u00edlios para ensinar, ter\u00e1 que aprender o que n\u00e3o se ensina em nenhuma escola. O livro nos trouxe muitas quest\u00f5es: o excesso de nossa sociedade de consumo, onde o objeto vale mais que a pessoa e o sentimento de infelicidade que isso traz. O contraste com a dureza da vida dessa comunidade onde nada havia, onde a \u00e1gua era o maior tesouro, mas o amor e a aceita\u00e7\u00e3o do outro era a verdadeira \u00e1gua. A escassez d\u00e1 li\u00e7\u00f5es de amor. Falamos de como o livro trabalha fortemente com todos os nossos cinco sentidos e sentimentos. Ao abrir a sua caixinha m\u00e1gica do tesouro, Maria nos faz abrir a nossa e desata a nossa mem\u00f3ria, cada um de n\u00f3s j\u00e1 passou por desertos e ex\u00edlios. O livro \u00e9 feito de cenas bel\u00edssimas, prontas para um filme. M\u00e1ximo, nosso leitor cineasta chamou a aten\u00e7\u00e3o para a escurid\u00e3o do \u00f4nibus, a sua penumbra. Ao voltar ao passado com a personagem, ao voltar quarenta anos para tr\u00e1s, a luz quase nos cega. Cesar Alves nos contou que cada segundo livre que tinha, corria para o livro. Todos nos apaixonamos por F\u00e1tima, a grande mulher do romance. Todos falamos da f\u00e9 que era a chama da sobreviv\u00eancia dessa comunidade privada de tudo. E ao entrela\u00e7ar o livro de Cineas Santos, Dona Purcina, com o Outros Cantos, a nossa emo\u00e7\u00e3o foi verdadeiramente intensa. Dona Purcina nos leva tamb\u00e9m ao Sert\u00e3o, mas de uma outra maneira. Marcia Borges nos diz: Maria veio de fora, mas D.Purcina j\u00e1 estava l\u00e1 dentro. Cin\u00e9as nos conta a hist\u00f3ria dessa menina que se transforma numa mulher extraordin\u00e1ria, que n\u00e3o tinha como estudar, (como os habitantes de Olho D&#8217;\u00c1gua), mas fez o imposs\u00edvel para que seus filhos estudassem. A dureza de sua vida no Sert\u00e3o e na pequena cidade para onde leva os filhos, vai sendo contada em textos curtos, cheios de poesia e humor, at\u00e9 que ao se olhar no espelho um dia e n\u00e3o mais se reconhecer, sabemos que o livro existe porque Cin\u00e9as tamb\u00e9m precisava construir a sua caixa do tesouro para guardar Dona Purcina. Os dois livros nos emocionaram imensamente. Tivemos muitas pessoas ausentes por motivos diversos e novos leitores chegaram para dividirmos o p\u00e3o e o vinho em torno de um livro, num ritual magn\u00edfico que come\u00e7ou em 2010 e se repete de dois em dois meses. 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