{"id":428,"date":"2013-03-14T16:29:59","date_gmt":"2013-03-14T19:29:59","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=428"},"modified":"2013-03-14T16:29:59","modified_gmt":"2013-03-14T19:29:59","slug":"lilian-rocha-de-a-hattori-universidade-federal-de-rondonia-campus-vilhena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2013\/03\/14\/lilian-rocha-de-a-hattori-universidade-federal-de-rondonia-campus-vilhena\/","title":{"rendered":"Lilian Rocha de A. Hattori &#8211; Universidade Federal de Rond\u00f4nia \u2013 Campus Vilhena"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uma possiblidade de leitura do poema \u201cO poeta\u201d, de Roseana Murray<\/strong><\/p>\n<p><strong>O poeta<\/strong><br \/>\n<em>O poeta vai tirando da vida<br \/>\nos seus poemas<br \/>\ncomo p\u00e1ssaros desobedientes<br \/>\ne amestrados<br \/>\nA palavra \u00e9 o seu castelo<br \/>\nsua \u00e1rvore encantada,<br \/>\nabracadabra construindo o universo.<\/em><\/p>\n<p>A presente an\u00e1lise procura demonstrar a desestabiliza\u00e7\u00e3o de sentido no poema \u201cO poeta\u201d, de Roseana Murray.<\/p>\n<p>No primeiro verso do poema o verbo \u201cvai\u201d acompanhado de um verbo no ger\u00fandio (\u201ctirando\u201d) cria uma ideia de prolongamento do ato do poeta, gerando a sensa\u00e7\u00e3o de que a a\u00e7\u00e3o dele \u00e9 eterna. A aus\u00eancia de pontua\u00e7\u00e3o encarada como pausa ou interrompimento, nessa estrofe, acentua esse prolongamento. \u00c9 como se o poeta estivesse sempre a construir os seus poemas.<\/p>\n<p><em>os seus poemas<br \/>\ncomo p\u00e1ssaros desobedientes<br \/>\ne amestrados<\/em><\/p>\n<p>O uso da compara\u00e7\u00e3o (\u201cos seus poemas \/ como p\u00e1ssaros desobedientes \u2215 e amestrados\u201d) cria semelhan\u00e7a entre os dois substantivos, pois a constru\u00e7\u00e3o do poema \u00e9 sempre uma lida, em que o poeta trabalha com uma pluralidade de sentidos que precisam ser adequados (amestrados) a sua necessidade.<\/p>\n<p><em>A palavra \u00e9 o seu castelo<\/em><\/p>\n<p>Esse verso pode SER entendido de duas formas Numa primeira, a \u201cpalavra\u201d pode ser tomada como moradia do poeta, j\u00e1 que ele a habita. Ela \u00e9 sua mat\u00e9ria prima e o seu resultado. Numa segunda leitura, a equipara\u00e7\u00e3o da \u201cpalavra\u201d ao \u201ccastelo\u201d confere \u00e0quela o poder de ser constru\u00edda.<\/p>\n<p><em>A palavra \u00e9 o seu castelo<br \/>\nsua \u00e1rvore encantada,<br \/>\nabracadabra construindo o universo.<\/em><\/p>\n<p>O \u00faltimo verso aparenta ser contradit\u00f3rio a toda a constru\u00e7\u00e3o anterior do poema. Pois, quando \u201cabracadabra\u201d \u00e9 colocada como sujeito da ora\u00e7\u00e3o (\u201cabracadabra construindo o universo\u201d), ela se torna a agente da constru\u00e7\u00e3o. De que universo fala o eu po\u00e9tico? Se do universo da linguagem, universo como linguagem, a constru\u00e7\u00e3o desse universo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 do poeta e sim da magia. Essa resultante desconstr\u00f3i o que antes havia sido colocado no poema. O que antes era constru\u00eddo como um poema metalingu\u00edstico \u00e9 destru\u00eddo por sua pr\u00f3pria estrutura.<\/p>\n<p>Universidade Federal de Rond\u00f4nia \u2013 Campus Vilhena<br \/>\nL\u00edngua Portuguesa V<br \/>\nProfessor: Carlos Cintra<br \/>\nAcad\u00eamica: Lilian Rocha de A. Hattori<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma possiblidade de leitura do poema \u201cO poeta\u201d, de Roseana Murray O poeta O poeta vai tirando da vida os seus poemas como p\u00e1ssaros desobedientes e amestrados A palavra \u00e9 o seu castelo sua \u00e1rvore encantada, abracadabra construindo o universo. A presente an\u00e1lise procura demonstrar a desestabiliza\u00e7\u00e3o de sentido no poema \u201cO poeta\u201d, de Roseana Murray. No primeiro verso do poema o verbo \u201cvai\u201d acompanhado de um verbo no ger\u00fandio (\u201ctirando\u201d) cria uma ideia de prolongamento do ato do poeta, gerando a sensa\u00e7\u00e3o de que a a\u00e7\u00e3o dele \u00e9 eterna. 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