{"id":3292,"date":"2024-09-23T10:01:15","date_gmt":"2024-09-23T10:01:15","guid":{"rendered":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=3292"},"modified":"2024-09-23T10:04:25","modified_gmt":"2024-09-23T10:04:25","slug":"renata-rossi-roseana-murray-faz-adversidade-virar-poesia-em-o-braco-magico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2024\/09\/23\/renata-rossi-roseana-murray-faz-adversidade-virar-poesia-em-o-braco-magico\/","title":{"rendered":"Roseana Murray faz adversidade virar poesia em \u2018O bra\u00e7o m\u00e1gico\u2019 &#8211; Renata Rossi"},"content":{"rendered":"<h4>Renata Rossi<\/h4>\n<p>Em seu novo livro, a av\u00f3 poeta transforma o acidente em que perdeu um bra\u00e7o em ato po\u00e9tico, explorando a magia dos la\u00e7os de afeto e a cumplicidade com os netos.<\/p>\n<p>Depois de ser atacada por tr\u00eas c\u00e3es enquanto caminhava em Saquarema (RJ), em abril deste ano, Roseana Murray recorreu \u00e0 poesia como forma de cura. Em entrevista ao Lunetas, a autora conta sobre a ideia do livro \u201cO bra\u00e7o m\u00e1gico\u201d (Estrela Cultural), que surgiu ainda no hospital onde foi socorrida. \u201cBusco beleza em tudo, mas claro que n\u00e3o h\u00e1 nada de belo em perder o bra\u00e7o. Ent\u00e3o, para que pudesse suportar essa perda, criei um bra\u00e7o m\u00e1gico e isso me salvou.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>\u201cOs poetas fazem qualquer coisa virar poesia, mesmo a mais terr\u00edvel adversidade\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Ao buscar dentro de si poesia para tentar ressignificar o acidente que quase tirou sua vida, Roseana cria ent\u00e3o um ambiente on\u00edrico por onde transita entre duendes, fadas, piqueniques recheados de gulodices, e passeios de bal\u00e3o e tapete m\u00e1gico.<\/p>\n<p>Tudo isso na companhia dos netos, que se tornaram personagens nesta aventura com a av\u00f3 poeta que tem um bra\u00e7o com superpoderes. \u201cLuis, menino m\u00fasico, tocava guitarra para a av\u00f3. Gabi, garota arteira, fazia camisas coloridas para ela. Era a maneira de eles dizerem que a amavam.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>\u201cQuando oferecemos amor do<br \/>\nfundo do cora\u00e7\u00e3o, ele cresce,<br \/>\nfica imenso, depois explode<br \/>\npara espalhar suas sementes<br \/>\npelo Universo.\u201d<br \/>\nTrecho do livro \u201cO bra\u00e7o m\u00e1gico\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>\u201cO bra\u00e7o m\u00e1gico\u201d, Roseana Murray e Fernando Zensh\u00f4 (Estrela Cultural)<\/strong><br \/>\nDedicada a familiares, amigos e aos profissionais do hospital, esta hist\u00f3ria entre av\u00f3 e seus netos conta como um bra\u00e7o com superpoderes \u00e9 capaz de espalhar amor. Al\u00e9m disso, pode alegrar quem est\u00e1 triste e promover aventuras no c\u00e9u, na terra e no mar. Assim, Roseana Murray transforma o bra\u00e7o que perdeu em ato po\u00e9tico, para seguir se espantando com as belezas da vida. Por fim, espera tamb\u00e9m que o bra\u00e7o m\u00e1gico leve os leitores at\u00e9 seus pr\u00f3prios cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 as aquarelas de Fernando Zensh\u00f4 simulam um sonho e representam o renascimento da av\u00f3. Ap\u00f3s o acidente, ela passa a ter duas datas de nascimento e, portanto, duas festas de anivers\u00e1rio. Para o ilustrador, a aquarela reflete a nossa falta de controle sobre os acontecimentos. \u201c\u00c9 da natureza dessa t\u00e9cnica que as formas se misturem e isso traduz a ess\u00eancia da hist\u00f3ria, envolta em magia. A vida coloca um acidente no caminho e a poeta o ressignifica\u201d, diz.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3293\" aria-describedby=\"caption-attachment-3293\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3293\" src=\"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/cena-01-1610x1080-1-1024x687.webp\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"604\" srcset=\"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/cena-01-1610x1080-1-1024x687.webp 1024w, https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/cena-01-1610x1080-1-300x201.webp 300w, https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/cena-01-1610x1080-1-768x515.webp 768w, https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/cena-01-1610x1080-1-1536x1030.webp 1536w, https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/cena-01-1610x1080-1.webp 1610w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3293\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es de Fernando Zensh\u00f4<br \/>A av\u00f3 poeta com seu bra\u00e7o m\u00e1gico conduz os netos em aventuras no mar<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O peso da chave da poesia<\/strong><br \/>\nA capacidade de ver poesia em tudo resultou em outro livro p\u00f3s-acidente. \u201cA morte sobre o corpo\u201d, com ilustra\u00e7\u00f5es de Jidduks, foi escrito para o p\u00fablico adulto. Como ela reafirma na abertura da obra, \u201ccolocar a minha dor em poesia me fez muito bem\u201d.<\/p>\n<p>Dessa forma, os poemas narram as dores \u2013 f\u00edsicas e emocionais \u2013 causadas pela aus\u00eancia do bra\u00e7o. Mas tamb\u00e9m contam sobre os aprendizados que est\u00e3o em curso, como reaprender a escrever, agora com a m\u00e3o esquerda: \u201cViro crian\u00e7a outra vez. Rabisco palavras, risco o tempo, a casa da inf\u00e2ncia existe, equilibrada no balan\u00e7o da mem\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>\u201cA Morte sobre meu corpo<br \/>\nn\u00e3o conseguiu me levar.<br \/>\nTalvez pesasse muito<br \/>\na minha chave da poesia,<br \/>\na que carrego sempre<br \/>\nno pesco\u00e7o.<br \/>\nTalvez um anjo<br \/>\ntenha soprado na sua cara.<br \/>\nFiquei ali, na rua, abra\u00e7ada<br \/>\ncom as pedras<br \/>\nat\u00e9 que viessem me buscar.\u201d<br \/>\nPoema de \u201cA morte sobre o corpo\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3294\" src=\"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capa-a-morte-sobre-o-corpo-roseana-murray-ebook-717x1024-1-210x300.webp\" alt=\"\" width=\"127\" height=\"181\" srcset=\"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capa-a-morte-sobre-o-corpo-roseana-murray-ebook-717x1024-1-210x300.webp 210w, https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capa-a-morte-sobre-o-corpo-roseana-murray-ebook-717x1024-1.webp 717w\" sizes=\"(max-width: 127px) 100vw, 127px\" \/><strong>\u201cA morte sobre o corpo\u201d, Roseana Murray e Jidduks<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s viver uma experi\u00eancia de quase morte, a poeta compartilha neste livro sua jornada de transforma\u00e7\u00e3o e cura atrav\u00e9s da poesia. Assim, a colet\u00e2nea destinada a adultos reflete sobre o poder do amor e da arte para transcender a dor. Roseana dedica a obra aos profissionais do Hospital Estadual Alberto Torres, onde foi socorrida.<\/p>\n<p><em><strong>\u2018A inf\u00e2ncia \u00e9 o tempo da poesia\u2019<\/strong><\/em><br \/>\nCom mais de 100 livros publicados, a literatura foi sempre companheira de Roseana Murray desde a inf\u00e2ncia e tamb\u00e9m ref\u00fagio. \u201cMuito pequena, numa casa triste de imigrantes judeus poloneses que vieram antes da guerra, eu j\u00e1 me escondia dentro dos livros para fugir daquela atmosfera\u201d, conta em seu e-book \u201cLivros e leitores\u201d, com ilustra\u00e7\u00f5es de Elvira Vigna. \u201cAssim que aprendi a ler, me mudei para o S\u00edtio do pica-pau amarelo. Fui com as minhas bagagens. Todos os dias caminhava at\u00e9 a casa de uma amiga que tinha a cole\u00e7\u00e3o inteira e, sentada numa poltrona, lia sem parar at\u00e9 o fim da tarde.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>\u201cDescobri que j\u00e1 havia uma fortaleza dentro de mim. Uma fortaleza feita de livros.\u201d Roseana Murray, em \u201cLivros e leitores\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Para a av\u00f3 poeta, os netos \u201cacordam a minha alma de crian\u00e7a\u201d. Essa cumplicidade rende mem\u00f3rias afetivas e, no caso da fam\u00edlia Murray, se tornam livros. Em \u201cO bra\u00e7o m\u00e1gico\u201d, \u201cav\u00f3s e netos se encontram no pa\u00eds do mais puro amor\u201d, diz a poeta. Mas Luis e Gabi tamb\u00e9m vivem aventuras em dois e-books independentes, \u201cO galinheiro arco-\u00edris\u201d e \u201cCrian\u00e7as e bichos\u201d, e no livro \u2018L\u00e1 vem o Luis\u2019 (Leya).<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 nessa busca pelo espanto da vida que Roseana se fez poeta das crian\u00e7as, como disse uma de suas leitoras. Para ela, a inf\u00e2ncia \u00e9 o tempo da poesia. \u201cAo virarmos adultos e perdemos o assombro, a poesia desvira e n\u00e3o entendemos mais nada. Porque a falta de l\u00f3gica da vida \u00e9 poesia e, se quisermos controlar tudo, morremos asfixiados.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renata Rossi Em seu novo livro, a av\u00f3 poeta transforma o acidente em que perdeu um bra\u00e7o em ato po\u00e9tico, explorando a magia dos la\u00e7os de afeto e a cumplicidade com os netos. Depois de ser atacada por tr\u00eas c\u00e3es enquanto caminhava em Saquarema (RJ), em abril deste ano, Roseana Murray recorreu \u00e0 poesia como forma de cura. Em entrevista ao Lunetas, a autora conta sobre a ideia do livro \u201cO bra\u00e7o m\u00e1gico\u201d (Estrela Cultural), que surgiu ainda no hospital onde foi socorrida. \u201cBusco beleza em tudo, mas claro que n\u00e3o h\u00e1 nada de belo em perder o bra\u00e7o. Ent\u00e3o, para que pudesse suportar essa perda, criei um bra\u00e7o m\u00e1gico e isso me salvou.\u201d \u201cOs poetas fazem qualquer coisa virar poesia, mesmo a mais terr\u00edvel adversidade\u201d Ao buscar dentro de si poesia para tentar ressignificar o acidente que quase tirou sua vida, Roseana cria ent\u00e3o um ambiente on\u00edrico por onde transita entre duendes, fadas, piqueniques recheados de gulodices, e passeios de bal\u00e3o e tapete m\u00e1gico. 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Assim, Roseana Murray transforma o bra\u00e7o que perdeu em ato po\u00e9tico, para seguir se espantando com as belezas da vida. Por fim, espera tamb\u00e9m que o bra\u00e7o m\u00e1gico leve os leitores at\u00e9 seus pr\u00f3prios cora\u00e7\u00f5es. J\u00e1 as aquarelas de Fernando Zensh\u00f4 simulam um sonho e representam o renascimento da av\u00f3. Ap\u00f3s o acidente, ela passa a ter duas datas de nascimento e, portanto, duas festas de anivers\u00e1rio. Para o ilustrador, a aquarela reflete a nossa falta de controle sobre os acontecimentos. \u201c\u00c9 da natureza dessa t\u00e9cnica que as formas se misturem e isso traduz a ess\u00eancia da hist\u00f3ria, envolta em magia. A vida coloca um acidente no caminho e a poeta o ressignifica\u201d, diz. O peso da chave da poesia A capacidade de ver poesia em tudo resultou em outro livro p\u00f3s-acidente. \u201cA morte sobre o corpo\u201d, com ilustra\u00e7\u00f5es de Jidduks, foi escrito para o p\u00fablico adulto. Como ela reafirma na abertura da obra, \u201ccolocar a minha dor em poesia me fez muito bem\u201d. Dessa forma, os poemas narram as dores \u2013 f\u00edsicas e emocionais \u2013 causadas pela aus\u00eancia do bra\u00e7o. Mas tamb\u00e9m contam sobre os aprendizados que est\u00e3o em curso, como reaprender a escrever, agora com a m\u00e3o esquerda: \u201cViro crian\u00e7a outra vez. Rabisco palavras, risco o tempo, a casa da inf\u00e2ncia existe, equilibrada no balan\u00e7o da mem\u00f3ria.\u201d \u201cA Morte sobre meu corpo n\u00e3o conseguiu me levar. Talvez pesasse muito a minha chave da poesia, a que carrego sempre no pesco\u00e7o. Talvez um anjo tenha soprado na sua cara. Fiquei ali, na rua, abra\u00e7ada com as pedras at\u00e9 que viessem me buscar.\u201d Poema de \u201cA morte sobre o corpo\u201d \u201cA morte sobre o corpo\u201d, Roseana Murray e Jidduks Ap\u00f3s viver uma experi\u00eancia de quase morte, a poeta compartilha neste livro sua jornada de transforma\u00e7\u00e3o e cura atrav\u00e9s da poesia. Assim, a colet\u00e2nea destinada a adultos reflete sobre o poder do amor e da arte para transcender a dor. Roseana dedica a obra aos profissionais do Hospital Estadual Alberto Torres, onde foi socorrida. \u2018A inf\u00e2ncia \u00e9 o tempo da poesia\u2019 Com mais de 100 livros publicados, a literatura foi sempre companheira de Roseana Murray desde a inf\u00e2ncia e tamb\u00e9m ref\u00fagio. \u201cMuito pequena, numa casa triste de imigrantes judeus poloneses que vieram antes da guerra, eu j\u00e1 me escondia dentro dos livros para fugir daquela atmosfera\u201d, conta em seu e-book \u201cLivros e leitores\u201d, com ilustra\u00e7\u00f5es de Elvira Vigna. \u201cAssim que aprendi a ler, me mudei para o S\u00edtio do pica-pau amarelo. Fui com as minhas bagagens. Todos os dias caminhava at\u00e9 a casa de uma amiga que tinha a cole\u00e7\u00e3o inteira e, sentada numa poltrona, lia sem parar at\u00e9 o fim da tarde.\u201d \u201cDescobri que j\u00e1 havia uma fortaleza dentro de mim. 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