{"id":2500,"date":"2012-05-27T10:40:25","date_gmt":"2012-05-27T13:40:25","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=87"},"modified":"2012-05-27T10:40:25","modified_gmt":"2012-05-27T13:40:25","slug":"encontro-do-clube-de-leitura-da-casa-amarela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2012\/05\/27\/encontro-do-clube-de-leitura-da-casa-amarela\/","title":{"rendered":"Encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela"},"content":{"rendered":"<p>TEAR:<\/p>\n<p>Com fios de pensamento<br \/>\nse tece o mundo<br \/>\nse costuram peda\u00e7os<br \/>\nrasgados de vida,<br \/>\nnesse tear estranho<br \/>\nque s\u00f3 o homem possui:<br \/>\ntear de sonhos.<\/p>\n<p>in Resid\u00eancia no Ar, ed. Paulus, Roseana Murray, aquarelas Evelyn Kligerman<\/p>\n<p>N\u00f3s, crian\u00e7as, rogamos-Lhe,<br \/>\nnosso Deus, criador do mundo:<br \/>\nconceda-nos uma vida delicada e pura<br \/>\ne cultive em n\u00f3s a bondade.<\/p>\n<p>Ep\u00edgrafe do livro O Sobrevivente, Mem\u00f3rias de um brasileiro que escapou de Auschwitz, Ed.Record<\/p>\n<p>Ontem o encontro do nosso Clube de Leitura da Casa Amarela para discutir o livro A TR\u00c9GUA do Primo Levi foi diferente de tudo o que eu havia imaginado. Praticamente n\u00e3o pudemos discutir o livro, mal conseguimos nos aproximar dele, pois Angela, uma das leitoras do Clube trouxe como testemunha o Sr.Aleksander Henryk Laks com seu livro O Sobrevivente. A realidade explodiu a fic\u00e7\u00e3o.  Aleksander foi prisioneiro de Auschwitz, escapou, veio para o Brasil, se naturalizou brasileiro e vive para contar. Ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar, \u00e9 um homem alegre, cheio de vida, emotivo, sorridente e nos conquistou a todos, al\u00e9m do seu humor judaico. Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es ele desmentiu o Primo Levi, pois A Tr\u00e9gua \u00e9 um livro filtrado, literatura e realmente n\u00e3o nos importa o que ali \u00e9 verdade ou n\u00e3o, nos importa como o livro est\u00e1 escrito.<br \/>\nO Sr. Aleksander nos contou. Respondeu a muitas, muitas perguntas. Nos falou da fome, imensa, indescrit\u00edvel, algo com que ningu\u00e9m que n\u00e3o tenha sido prisioneiro de Campo, vivido a guerra pode imaginar. O Sr. Aleksander nos contou. E foi muito impactante ouvir. est\u00e1vamos todos na beira do abismo da emo\u00e7\u00e3o, quase todos com um n\u00f3 na garganta.  Hector, novo membro do Clube, trouxe um artigo sobre o antissemitismo hoje no mundo, previu uma nova Hecatombe, um futuro Holocausto e nos falou da sua descren\u00e7a em tudo. Mas a ep\u00edgrafe do livro (j\u00e1 comecei a ler, estou na metade e \u00e9 muito forte e muito bem escrito)  do livro O Sobrevivente nos fala da bondade e n\u00e3o da maldade. No livro A Tr\u00e9gua , encontramos dentro das rela\u00e7\u00f5es humanas, que \u00e9 a base do livro, a bondade espalhada como fina poeira luminosa dentro do horror. No livro A Escritura e a Vida, Jorge Sempr\u00fan nos fala da bondade quando um homem, prisioneiro alem\u00e3o comunista , troca a sua profiss\u00e3o de estudante de filosofia pela de estucador: provavelmente ali sua vida foi salva. N\u00e3o acredito em nenhuma repeti\u00e7\u00e3o do passado. Acredito que um dia o mundo descobrir\u00e1 a paz e a bondade ser\u00e1 a partitura do mundo. A presen\u00e7a luminosa do Sr. Aleksander que depois de ter passado cinco anos comendo 200 calorias por dia, ficou vivo para contar, para que o passado n\u00e3o se repita, nos deixou a todos completamente emocionados. E esperan\u00e7osos.<br \/>\nFrancisco leu um poema que escreveu a partir da Tr\u00e9gua. Felipe estava felic\u00edssimo de namorada nova, apaixonado e nos leu, maravilhosamente Pas\u00e1rgada, do Bandeira, para que cada um construa a sua Pas\u00e1rgada poss\u00edvel. Maria Clara tamb\u00e9m leu um novo poema. Juan perguntou ao Sr. Aleksander sobre a hist\u00f3ria do Padre Kolbe, que morreu em Auschwitz no lugar de um homem e o Sr. Aleksander disse que isso seria totalmente imposs\u00edvel, que ele n\u00e3o acreditava.<br \/>\nDurante o almo\u00e7o Angela tocou viol\u00e3o e todos cantamos a m\u00fasica &#8220;Para n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei de flores&#8221; , do Vandr\u00e9, todos cantamos juntos. O Sr. Aleksander se apaixonou pelo meu p\u00e3o e s\u00f3 queria comer o p\u00e3o! Tomou proseco, riu, se divertiu, nos seduziu. Minhas duas pastas, a de beringela e de gorgonzola fizeram sucesso.<br \/>\nMessias, nosso m\u00e9dico e amigo-irm\u00e3o, foi nosso grande ausente, pois \u00e0s nove horas da manh\u00e3 me telefonou dizendo que n\u00e3o poderia vir, estava com febre . Eu havia feito um bolo de anivers\u00e1rio para ele, mas cantamos parab\u00e9ns e ele ouviu pelo telefone.<br \/>\nFernando e H\u00e9lio , emocionad\u00edssimos, nos disseram da oportunidade \u00fanica de conhecer um sobrevivente de um Campo de Concentra\u00e7\u00e3o. Dentro de muito pouco tempo , j\u00e1 n\u00e3o haver\u00e1 mais nenhum sobrevivente vivo para contar com a sua pr\u00f3pria voz.<br \/>\nP\u00f3ximo encontro dia 21 de julho. Livros: O Amante, Marguerite Duras e o conto Os Mortos, do James Joyce. Um poema do Drummond, cada um escolha o seu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TEAR: Com fios de pensamento se tece o mundo se costuram peda\u00e7os rasgados de vida, nesse tear estranho que s\u00f3 o homem possui: tear de sonhos. in Resid\u00eancia no Ar, ed. Paulus, Roseana Murray, aquarelas Evelyn Kligerman N\u00f3s, crian\u00e7as, rogamos-Lhe, nosso Deus, criador do mundo: conceda-nos uma vida delicada e pura e cultive em n\u00f3s a bondade. Ep\u00edgrafe do livro O Sobrevivente, Mem\u00f3rias de um brasileiro que escapou de Auschwitz, Ed.Record Ontem o encontro do nosso Clube de Leitura da Casa Amarela para discutir o livro A TR\u00c9GUA do Primo Levi foi diferente de tudo o que eu havia imaginado. Praticamente n\u00e3o pudemos discutir o livro, mal conseguimos nos aproximar dele, pois Angela, uma das leitoras do Clube trouxe como testemunha o Sr.Aleksander Henryk Laks com seu livro O Sobrevivente. A realidade explodiu a fic\u00e7\u00e3o. Aleksander foi prisioneiro de Auschwitz, escapou, veio para o Brasil, se naturalizou brasileiro e vive para contar. Ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar, \u00e9 um homem alegre, cheio de vida, emotivo, sorridente e nos conquistou a todos, al\u00e9m do seu humor judaico. Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es ele desmentiu o Primo Levi, pois A Tr\u00e9gua \u00e9 um livro filtrado, literatura e realmente n\u00e3o nos importa o que ali \u00e9 verdade ou n\u00e3o, nos importa como o livro est\u00e1 escrito. O Sr. Aleksander nos contou. Respondeu a muitas, muitas perguntas. Nos falou da fome, imensa, indescrit\u00edvel, algo com que ningu\u00e9m que n\u00e3o tenha sido prisioneiro de Campo, vivido a guerra pode imaginar. O Sr. Aleksander nos contou. E foi muito impactante ouvir. est\u00e1vamos todos na beira do abismo da emo\u00e7\u00e3o, quase todos com um n\u00f3 na garganta. Hector, novo membro do Clube, trouxe um artigo sobre o antissemitismo hoje no mundo, previu uma nova Hecatombe, um futuro Holocausto e nos falou da sua descren\u00e7a em tudo. Mas a ep\u00edgrafe do livro (j\u00e1 comecei a ler, estou na metade e \u00e9 muito forte e muito bem escrito) do livro O Sobrevivente nos fala da bondade e n\u00e3o da maldade. No livro A Tr\u00e9gua , encontramos dentro das rela\u00e7\u00f5es humanas, que \u00e9 a base do livro, a bondade espalhada como fina poeira luminosa dentro do horror. No livro A Escritura e a Vida, Jorge Sempr\u00fan nos fala da bondade quando um homem, prisioneiro alem\u00e3o comunista , troca a sua profiss\u00e3o de estudante de filosofia pela de estucador: provavelmente ali sua vida foi salva. N\u00e3o acredito em nenhuma repeti\u00e7\u00e3o do passado. Acredito que um dia o mundo descobrir\u00e1 a paz e a bondade ser\u00e1 a partitura do mundo. A presen\u00e7a luminosa do Sr. Aleksander que depois de ter passado cinco anos comendo 200 calorias por dia, ficou vivo para contar, para que o passado n\u00e3o se repita, nos deixou a todos completamente emocionados. E esperan\u00e7osos. Francisco leu um poema que escreveu a partir da Tr\u00e9gua. Felipe estava felic\u00edssimo de namorada nova, apaixonado e nos leu, maravilhosamente Pas\u00e1rgada, do Bandeira, para que cada um construa a sua Pas\u00e1rgada poss\u00edvel. Maria Clara tamb\u00e9m leu um novo poema. Juan perguntou ao Sr. Aleksander sobre a hist\u00f3ria do Padre Kolbe, que morreu em Auschwitz no lugar de um homem e o Sr. Aleksander disse que isso seria totalmente imposs\u00edvel, que ele n\u00e3o acreditava. Durante o almo\u00e7o Angela tocou viol\u00e3o e todos cantamos a m\u00fasica &#8220;Para n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei de flores&#8221; , do Vandr\u00e9, todos cantamos juntos. O Sr. Aleksander se apaixonou pelo meu p\u00e3o e s\u00f3 queria comer o p\u00e3o! Tomou proseco, riu, se divertiu, nos seduziu. Minhas duas pastas, a de beringela e de gorgonzola fizeram sucesso. Messias, nosso m\u00e9dico e amigo-irm\u00e3o, foi nosso grande ausente, pois \u00e0s nove horas da manh\u00e3 me telefonou dizendo que n\u00e3o poderia vir, estava com febre . Eu havia feito um bolo de anivers\u00e1rio para ele, mas cantamos parab\u00e9ns e ele ouviu pelo telefone. Fernando e H\u00e9lio , emocionad\u00edssimos, nos disseram da oportunidade \u00fanica de conhecer um sobrevivente de um Campo de Concentra\u00e7\u00e3o. Dentro de muito pouco tempo , j\u00e1 n\u00e3o haver\u00e1 mais nenhum sobrevivente vivo para contar com a sua pr\u00f3pria voz. P\u00f3ximo encontro dia 21 de julho. Livros: O Amante, Marguerite Duras e o conto Os Mortos, do James Joyce. 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