{"id":2489,"date":"2015-05-16T09:50:27","date_gmt":"2015-05-16T12:50:27","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=55"},"modified":"2015-05-16T09:50:27","modified_gmt":"2015-05-16T12:50:27","slug":"as-cidades-invisiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2015\/05\/16\/as-cidades-invisiveis\/","title":{"rendered":"As Cidades Invis\u00edveis"},"content":{"rendered":"<p>Ontem foi nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela .O dia estava nublado e um pouquinho frio. \u00c0s 10 horas. as pessoas come\u00e7aram a chegar.<br \/>\nNosso grande amigo e nosso m\u00e9dico Messias e K\u00e1tia, sua mulher, Cristiano, Ana e Edith vieram do Rio.<br \/>\nA Zete chegou de Cabo Frio para onde havia ido visitar uns amigos.<br \/>\nE chegaram H\u00e9lio, Fernando, Chico, C\u00e9sar, F\u00e1tima, Maria Clara. Hector e Flora chegaram atrasados trazendo mais um casal: Norma Estrela e n\u00e3o me lembro o nome do seu marido. Por \u00faltimo Gil, gripad\u00edssima.<br \/>\nCome\u00e7o quase pelo final. A Zete trouxe para a nossa roda o seu sotaque baiano e uma fala bel\u00edssima: Come\u00e7ou dizendo que sua cidade, Ribeira do Amparo, era invis\u00edvel e Saquarema para ela tamb\u00e9m era invis\u00edvel. E agora as duas eram vis\u00edveis, pois ao falar da sua cidade ela passava a existir. E Saquarema agora existia para ela.<br \/>\nPara falar sobre as Cidades Invis\u00edveis do Italo Calvino, puxamos muitos fios coloridos. Falamos da sua matriz, a cidade natal de Marco Polo, Veneza, da beleza , da poesia, da delicadeza da escrita, das alucina\u00e7\u00f5es, as cidades s\u00e3o todas alucinadas.<br \/>\nFalamos dos avessos, da cidade dos mortos, das sombras, das ru\u00ednas, da decad\u00eancia das cidades. Do jogo dos espelhos, da beleza do encontro entre Kublai Khan e Marco Polo, do viajante e do grande Imperador que n\u00e3o se move. Do narrador e do que escuta . E tudo o que \u00e9 imaginado , fulgura e existe. Falamos da influ\u00eancia de Borges, de Scherazade e por fim falamos sobre o olhar e sobre o tempo. Nas Cidades Invis\u00edveis passado e futuro coexistem, Oriente e Ocidente. Tempo e Espa\u00e7o.<br \/>\nFalamos sobre as megal\u00f3polis hoje, a inviabilidades das cidades imensas. A inviabilidade do planeta!<br \/>\nE terminamos com o \u00faltimo par\u00e1grafo do livro:<br \/>\n&#8221; E Polo:<br \/>\n_ O inferno dos vivos n\u00e3o \u00e9 algo que ser\u00e1: se existe, \u00e9 aquele que est\u00e1 aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de n\u00e3o sofrer. A primeira \u00e9 f\u00e1cil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste at\u00e9 o ponto de deixar de perceb\u00ea-lo. A segunda \u00e9 arriscada e exige aten\u00e7\u00e3o e aprendizagem cont\u00ednuas: tentar saber reconhecer quem e o que no no meio do inferno, n\u00e3o \u00e9 inferno e preserv\u00e1-lo e abrir espa\u00e7o.&#8221;<br \/>\nComo diz meu neto todas as noites: _ Mam\u00e3e, me conta as coisas bonitas.<br \/>\nAs coisas bonitas s\u00e3o o que acontece de bom na sua vida.<br \/>\nQue nosso olhar busque sempre as clareiras que existem dentro do inferno.<br \/>\nJuan escreveu um texto bel\u00edssimo que leu em espanhol, fazendo um elo entre as cidades invis\u00edveis de Calvino e a Veneza de Marco Polo.<br \/>\nEdith leu alto uma cr\u00f4nica do Rubem Braga: Recado ao Senhor 903.<br \/>\nZete leu o poema Perda da Elizabeth Bishop.<br \/>\nMaria Clara trouxe uma reportagem de Marcelo Moutinho sobre a origem das cr\u00f4nicas do Rio de Janeiro. Trouxe tamb\u00e9m a letra de duas m\u00fasicas . &#8221; O nome da Cidade&#8221; de Caetano Veloso, maravilhoso poema que Maria Clara cantou maravilhosamente e &#8220;Lamento Sertanejo&#8221; de Dominguinhos e Gilberto Gil que cantamos todos juntos.<br \/>\nAna tamb\u00e9m cantou uma m\u00fasica linda sobre Porto Alegre, a sua cidade. Ana \u00e9 bibliotec\u00e1ria e cantora. Tem uma voz muito bonita.<br \/>\nDepois fomos para a varanda e o almo\u00e7o estava espl\u00eandido: escondidinho de aipim com carne seca, escondidinho de aipim com abobrinha e gorgonzola, arroz, feij\u00e3o, couve, salada. Fiz dois p\u00e3es lindos que foram devidamente devorados com azeite. C\u00e9sar trouxe espumante para todos e oferecemos um \u00f3timo vinho argentino, em homenagem ao Hector.<br \/>\nUma torta com o nome do C\u00e9sar marcou seu anivers\u00e1rio. E est\u00e1vamos todos em estado de gra\u00e7a: literatura, amigos, p\u00e3o, azeite e vinho, comida maravilhosa, a m\u00fasica do mar&#8230;<br \/>\nEsta \u00e9 uma lind\u00edssima clareira, com o ch\u00e3o varrido em c\u00edrculos, onde dan\u00e7am as fadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem foi nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela .O dia estava nublado e um pouquinho frio. \u00c0s 10 horas. as pessoas come\u00e7aram a chegar. Nosso grande amigo e nosso m\u00e9dico Messias e K\u00e1tia, sua mulher, Cristiano, Ana e Edith vieram do Rio. A Zete chegou de Cabo Frio para onde havia ido visitar uns amigos. E chegaram H\u00e9lio, Fernando, Chico, C\u00e9sar, F\u00e1tima, Maria Clara. Hector e Flora chegaram atrasados trazendo mais um casal: Norma Estrela e n\u00e3o me lembro o nome do seu marido. Por \u00faltimo Gil, gripad\u00edssima. Come\u00e7o quase pelo final. A Zete trouxe para a nossa roda o seu sotaque baiano e uma fala bel\u00edssima: Come\u00e7ou dizendo que sua cidade, Ribeira do Amparo, era invis\u00edvel e Saquarema para ela tamb\u00e9m era invis\u00edvel. E agora as duas eram vis\u00edveis, pois ao falar da sua cidade ela passava a existir. E Saquarema agora existia para ela. Para falar sobre as Cidades Invis\u00edveis do Italo Calvino, puxamos muitos fios coloridos. Falamos da sua matriz, a cidade natal de Marco Polo, Veneza, da beleza , da poesia, da delicadeza da escrita, das alucina\u00e7\u00f5es, as cidades s\u00e3o todas alucinadas. Falamos dos avessos, da cidade dos mortos, das sombras, das ru\u00ednas, da decad\u00eancia das cidades. Do jogo dos espelhos, da beleza do encontro entre Kublai Khan e Marco Polo, do viajante e do grande Imperador que n\u00e3o se move. Do narrador e do que escuta . E tudo o que \u00e9 imaginado , fulgura e existe. Falamos da influ\u00eancia de Borges, de Scherazade e por fim falamos sobre o olhar e sobre o tempo. Nas Cidades Invis\u00edveis passado e futuro coexistem, Oriente e Ocidente. Tempo e Espa\u00e7o. Falamos sobre as megal\u00f3polis hoje, a inviabilidades das cidades imensas. A inviabilidade do planeta! E terminamos com o \u00faltimo par\u00e1grafo do livro: &#8221; E Polo: _ O inferno dos vivos n\u00e3o \u00e9 algo que ser\u00e1: se existe, \u00e9 aquele que est\u00e1 aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de n\u00e3o sofrer. A primeira \u00e9 f\u00e1cil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste at\u00e9 o ponto de deixar de perceb\u00ea-lo. A segunda \u00e9 arriscada e exige aten\u00e7\u00e3o e aprendizagem cont\u00ednuas: tentar saber reconhecer quem e o que no no meio do inferno, n\u00e3o \u00e9 inferno e preserv\u00e1-lo e abrir espa\u00e7o.&#8221; Como diz meu neto todas as noites: _ Mam\u00e3e, me conta as coisas bonitas. As coisas bonitas s\u00e3o o que acontece de bom na sua vida. Que nosso olhar busque sempre as clareiras que existem dentro do inferno. Juan escreveu um texto bel\u00edssimo que leu em espanhol, fazendo um elo entre as cidades invis\u00edveis de Calvino e a Veneza de Marco Polo. Edith leu alto uma cr\u00f4nica do Rubem Braga: Recado ao Senhor 903. Zete leu o poema Perda da Elizabeth Bishop. Maria Clara trouxe uma reportagem de Marcelo Moutinho sobre a origem das cr\u00f4nicas do Rio de Janeiro. 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