{"id":2059,"date":"2023-10-03T12:40:12","date_gmt":"2023-10-03T15:40:12","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=2059"},"modified":"2023-10-03T12:40:12","modified_gmt":"2023-10-03T15:40:12","slug":"clube-de-leitura-da-casa-amarela-34","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2023\/10\/03\/clube-de-leitura-da-casa-amarela-34\/","title":{"rendered":"Clube de Leitura da Casa Amarela"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-2060\" src=\"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/614e9ac0-c17d-4a05-b213-16a970fd372a-1024x768.jpg\" alt=\"614e9ac0-c17d-4a05-b213-16a970fd372a\" width=\"696\" height=\"522\" \/><\/p>\n<p>Ler O Mundo se Despeda\u00e7a de Chinua Achebe \u00e9 fazer uma viagem no tempo at\u00e9 Umu\u00f3fia, uma Vila Igbo, antes da chegada do branco.<\/p>\n<p>Conhecer toda a estrutura econ\u00f4mica (baseada nos inhames), os costumes religiosos, os Deuses, o Chi, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de Deus pessoal, interno de cada um, seria a for\u00e7a de cada um Conhecer no corpo e na alma, \u00e9 o que a literatura faz.<\/p>\n<p>\u00c9 uma viagem impressionante at\u00e9 o som dos tambores, a for\u00e7a que o cl\u00e3 d\u00e1 a cada um com sua teia de amizades, fam\u00edlias, parentescos.<\/p>\n<p>Presenciamos as festas de casamento, os banquetes, a sa\u00edda dos ancestrais cobertos de r\u00e1fia, com seus recados severos. Essa sociedade possui uma argamassa feita de mem\u00f3ria, de pontes entre os vivos e os mortos, de prov\u00e9rbios e hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>A magia permeia cada pequeno ato do cotidiano.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe nenhuma separa\u00e7\u00e3o entre o sagrado e o profano.<\/p>\n<p>O poder e a for\u00e7a dos homens, o cultivo dos inhames feito por homens, as hist\u00f3rias contadas pelos homens, de guerras e viol\u00eancia e as hist\u00f3rias das mulheres, cheias de humor, imagina\u00e7\u00e3o e delicadezas, as planta\u00e7\u00f5es de verduras, planta\u00e7\u00f5es feminas faz<br \/>\na separa\u00e7\u00e3o da sociedade entre homens e mulheres, separa\u00e7\u00e3o absoluta. Como visitante de Umu\u00f3fia, prefiro ouvir as hist\u00f3rias das mulheres.<\/p>\n<p>As leis do cl\u00e3 eram sever\u00edssimas e o pior que poderia acontecer era a sua desobedi\u00eancia. As puni\u00e7\u00f5es eram terr\u00edveis, a morte ou o ex\u00edlio.<\/p>\n<p>O Or\u00e1culo tinha uma fun\u00e7\u00e3o impressionante e suas falas eram obedecidas.<\/p>\n<p>A cena da mulher-or\u00e1culo carregando a menina doente nas costas para lev\u00e1-la at\u00e9 a gruta m\u00e1gica onde ningu\u00e9m<\/p>\n<p>pode entrar, para cur\u00e1-la, me leva junto, no escuro da noite.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o entrou o branco colonizador. E despeda\u00e7ou esse mundo.<\/p>\n<p>E Janir, uma das nossas leitoras, disse, com a sua delicadeza de anjo:<br \/>\n&#8220;Um preto vai ler esse livro como preto. Um branco vai ler esse livro como branco.<\/p>\n<p>Felizmente temos pessoas pretas nesse grupo, que n\u00e3o nos deixam esquecer que combater o racismo, a dor di\u00e1ria dessa doen\u00e7a insana, \u00e9 tarefa di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o comemos uma comida bem brasileira, preparada pelas m\u00e3os de fada da Vanda: arroz de carreteiro, feij\u00e3o, couve , batata , e para dar um toque africano, cuscuz marroquino, tudo regado a vinho. E no final bolo<br \/>\nObrigada a cada um dos presentes:<br \/>\nEdith, Cristiano, Ana, Jiddu, Delma, Helo\u00edsa, as crian\u00e7as Bia e Maria Rita, Adelaide, Maristela, Janir, Vilma, Christian, Belle, Maria Clara, Gilcilene e Flora.<br \/>\nE Samuel e Vanda, meus anjos guardi\u00e3es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ler O Mundo se Despeda\u00e7a de Chinua Achebe \u00e9 fazer uma viagem no tempo at\u00e9 Umu\u00f3fia, uma Vila Igbo, antes da chegada do branco. Conhecer toda a estrutura econ\u00f4mica (baseada nos inhames), os costumes religiosos, os Deuses, o Chi, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de Deus pessoal, interno de cada um, seria a for\u00e7a de cada um Conhecer no corpo e na alma, \u00e9 o que a literatura faz. \u00c9 uma viagem impressionante at\u00e9 o som dos tambores, a for\u00e7a que o cl\u00e3 d\u00e1 a cada um com sua teia de amizades, fam\u00edlias, parentescos. Presenciamos as festas de casamento, os banquetes, a sa\u00edda dos ancestrais cobertos de r\u00e1fia, com seus recados severos. Essa sociedade possui uma argamassa feita de mem\u00f3ria, de pontes entre os vivos e os mortos, de prov\u00e9rbios e hist\u00f3rias. A magia permeia cada pequeno ato do cotidiano. N\u00e3o existe nenhuma separa\u00e7\u00e3o entre o sagrado e o profano. O poder e a for\u00e7a dos homens, o cultivo dos inhames feito por homens, as hist\u00f3rias contadas pelos homens, de guerras e viol\u00eancia e as hist\u00f3rias das mulheres, cheias de humor, imagina\u00e7\u00e3o e delicadezas, as planta\u00e7\u00f5es de verduras, planta\u00e7\u00f5es feminas faz a separa\u00e7\u00e3o da sociedade entre homens e mulheres, separa\u00e7\u00e3o absoluta. Como visitante de Umu\u00f3fia, prefiro ouvir as hist\u00f3rias das mulheres. As leis do cl\u00e3 eram sever\u00edssimas e o pior que poderia acontecer era a sua desobedi\u00eancia. As puni\u00e7\u00f5es eram terr\u00edveis, a morte ou o ex\u00edlio. O Or\u00e1culo tinha uma fun\u00e7\u00e3o impressionante e suas falas eram obedecidas. A cena da mulher-or\u00e1culo carregando a menina doente nas costas para lev\u00e1-la at\u00e9 a gruta m\u00e1gica onde ningu\u00e9m pode entrar, para cur\u00e1-la, me leva junto, no escuro da noite. Ent\u00e3o entrou o branco colonizador. E despeda\u00e7ou esse mundo. E Janir, uma das nossas leitoras, disse, com a sua delicadeza de anjo: &#8220;Um preto vai ler esse livro como preto. Um branco vai ler esse livro como branco. Felizmente temos pessoas pretas nesse grupo, que n\u00e3o nos deixam esquecer que combater o racismo, a dor di\u00e1ria dessa doen\u00e7a insana, \u00e9 tarefa di\u00e1ria. Ent\u00e3o comemos uma comida bem brasileira, preparada pelas m\u00e3os de fada da Vanda: arroz de carreteiro, feij\u00e3o, couve , batata , e para dar um toque africano, cuscuz marroquino, tudo regado a vinho. E no final bolo Obrigada a cada um dos presentes: Edith, Cristiano, Ana, Jiddu, Delma, Helo\u00edsa, as crian\u00e7as Bia e Maria Rita, Adelaide, Maristela, Janir, Vilma, Christian, Belle, Maria Clara, Gilcilene e Flora. 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