{"id":1923,"date":"2023-05-12T12:18:34","date_gmt":"2023-05-12T15:18:34","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=1923"},"modified":"2023-05-12T12:18:34","modified_gmt":"2023-05-12T15:18:34","slug":"clube-de-leitura-da-casa-amarela-33","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2023\/05\/12\/clube-de-leitura-da-casa-amarela-33\/","title":{"rendered":"Clube de Leitura da Casa Amarela"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-1924 aligncenter\" src=\"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-09-at-20.42.00-768x1024.jpeg\" alt=\"whatsapp-image-2023-05-09-at-20-42-00\" width=\"696\" height=\"928\" \/><\/p>\n<p>\u00c1gua de Barrela, de Eliana Alves Cruz, foi o livro escolhido e lido e discutido no Clube de Leitura da Casa Amarela.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 magn\u00edfico e a gente chora e aplaude a for\u00e7a das mulheres nesta genealogia de uma fam\u00edlia que come\u00e7a na \u00c1frica, passa a Escravid\u00e3o e segue depois da Aboli\u00e7\u00e3o, o dia seguinte e o dia depois do seguinte at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>\u00c9 a hist\u00f3ria das fam\u00edlias pretas, sequestradas, torturadas, dos corpos pretos abusados, aniquilados e das fam\u00edlias brancas, como pano de fundo da crueldade dos Senhores.<\/p>\n<p>\u00c9 a Hist\u00f3ria do Brasil descortinada. Que j\u00e1 sabemos que continua o seu ciclo de racismo, crueldades, assassinatos.<\/p>\n<p>Ao desembarcar dos tumbeiros, negros de v\u00e1rias etnias misturadas, logo perdem o nome e ganham \u00e0 for\u00e7a um novo nome: s\u00e3o despojados da sua identidade. A Igreja \u00e9 c\u00famplice desde o princ\u00edpio. Eles s\u00e3o convertidos sem possibilidade de escolha.<\/p>\n<p>Os Orix\u00e1s tinham que ser cultuados secretamente.<\/p>\n<p>E mesmo na extrema despossess\u00e3o de tudo, havia alegria nos amores, nos nascimentos, nas festas dos terreiros secretos.<\/p>\n<p>O livro consegue nos encher de cheiros, paisagens, sensa\u00e7\u00f5es de pertencimento. A escrita \u00e9 maravilhosa.<\/p>\n<p>A for\u00e7a de resist\u00eancia das mulheres negras \u00e9 monumental. O livro fala de um matriarcado.<\/p>\n<p>Os depoimentos foram espl\u00eandidos e o racismo estrutural, que persiste feito doen\u00e7a, v\u00edrus quase incur\u00e1vel, foi discutido at\u00e9 o \u00e2mago. Discutimos tamb\u00e9m a mesti\u00e7agem, tema complicad\u00edssimo no Brasil, j\u00e1 que a mesti\u00e7agem existe porque o corpo da mulher escravizada pertencia ao senhor branco e as jovens negras eram violentadas, e a &#8220;barrela&#8221; \u00e9 a met\u00e1fora de um desejo de embranquecimento do Brasil e muitas vezes prevalece ainda at\u00e9 dentro de fam\u00edlias negras. Neste caso embranquecer para ter acesso, passagem.<\/p>\n<p>Relembrando Abdias Nascimento, que ao negro liberto havia como \u00fanico &#8220;privil\u00e9gio&#8221; tornar-se branco, seja de dentro para fora ou de fora para dentro, por meio de seu tom de pele mais claro.<\/p>\n<p>Mas, a consci\u00eancia negra emerge cada dia mais forte. A escrita negra cada dia nos oferece novos e bel\u00edssimos talentos.<\/p>\n<p>\u00c1gua de Barrela deveria estar no Ensino M\u00e9dio de todas as Escolas P\u00fablicas de todo o pa\u00eds como literatura e complemento aos livros de Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Samuel, nosso jardineiro e anjo da guarda, deu o seu depoimento muito pessoal, como mesti\u00e7o.<\/p>\n<p>E Vanda fez a melhor feijoada do mundo no fog\u00e3o de lenha e Liliam, sua filha, fez o melhor bolo de chocolate do mundo. Sempre cantamos parab\u00e9ns para os aniversariantes e os desaniversariantes. Tivemos gente nova entrando no Clube e agora n\u00e3o cabe mais leitores , fisicamente, estamos com um n\u00famero muito bom de pessoas incr\u00edveis.<\/p>\n<p>Ao longo de tantos anos de tantos livros lidos, nos tornamos leitores melhores e pessoas melhores.<\/p>\n<p>Patr\u00edcia Quinteiro, cantora e musicista, que veio de Teres\u00f3polis com caixa de som e microfone, deu um show, com direito a canjas e dan\u00e7amos e nos abra\u00e7amos e rimos e celebramos a vida e a literatura com muito vinho e ax\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c1gua de Barrela, de Eliana Alves Cruz, foi o livro escolhido e lido e discutido no Clube de Leitura da Casa Amarela. O livro \u00e9 magn\u00edfico e a gente chora e aplaude a for\u00e7a das mulheres nesta genealogia de uma fam\u00edlia que come\u00e7a na \u00c1frica, passa a Escravid\u00e3o e segue depois da Aboli\u00e7\u00e3o, o dia seguinte e o dia depois do seguinte at\u00e9 hoje. \u00c9 a hist\u00f3ria das fam\u00edlias pretas, sequestradas, torturadas, dos corpos pretos abusados, aniquilados e das fam\u00edlias brancas, como pano de fundo da crueldade dos Senhores. \u00c9 a Hist\u00f3ria do Brasil descortinada. Que j\u00e1 sabemos que continua o seu ciclo de racismo, crueldades, assassinatos. Ao desembarcar dos tumbeiros, negros de v\u00e1rias etnias misturadas, logo perdem o nome e ganham \u00e0 for\u00e7a um novo nome: s\u00e3o despojados da sua identidade. A Igreja \u00e9 c\u00famplice desde o princ\u00edpio. Eles s\u00e3o convertidos sem possibilidade de escolha. Os Orix\u00e1s tinham que ser cultuados secretamente. E mesmo na extrema despossess\u00e3o de tudo, havia alegria nos amores, nos nascimentos, nas festas dos terreiros secretos. O livro consegue nos encher de cheiros, paisagens, sensa\u00e7\u00f5es de pertencimento. A escrita \u00e9 maravilhosa. A for\u00e7a de resist\u00eancia das mulheres negras \u00e9 monumental. O livro fala de um matriarcado. Os depoimentos foram espl\u00eandidos e o racismo estrutural, que persiste feito doen\u00e7a, v\u00edrus quase incur\u00e1vel, foi discutido at\u00e9 o \u00e2mago. Discutimos tamb\u00e9m a mesti\u00e7agem, tema complicad\u00edssimo no Brasil, j\u00e1 que a mesti\u00e7agem existe porque o corpo da mulher escravizada pertencia ao senhor branco e as jovens negras eram violentadas, e a &#8220;barrela&#8221; \u00e9 a met\u00e1fora de um desejo de embranquecimento do Brasil e muitas vezes prevalece ainda at\u00e9 dentro de fam\u00edlias negras. Neste caso embranquecer para ter acesso, passagem. 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