{"id":1759,"date":"2022-08-15T14:05:44","date_gmt":"2022-08-15T17:05:44","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=1759"},"modified":"2023-11-14T16:58:20","modified_gmt":"2023-11-14T16:58:20","slug":"clube-de-leitura-da-casa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2022\/08\/15\/clube-de-leitura-da-casa-2\/","title":{"rendered":"Clube de Leitura da Casa Amarela"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1760\" src=\"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/WhatsApp-Image-2022-08-15-at-14.03.05-1024x461.jpeg\" alt=\"whatsapp-image-2022-08-15-at-14-03-05\" width=\"696\" height=\"313\" \/><\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 70, eu me sentava num cepo em cima do fog\u00e3o de lenha na casa da D.Maria e Seu El\u00f3i, na ro\u00e7a, em Visconde de Mau\u00e1, para ouvir hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Sentado do outro lado da cozinha grande, num banco encostado na janela, Seu El\u00f3i picava o fumo de rolo, enrolava lentamente um cigarro de palha e falava sem come\u00e7o-meio-fim, um rio sinuoso de palavras que ia me levando em suas \u00e1guas, numa linguagem toda pr\u00f3pria daquele lugar na montanha, que viveu isolado por tantos e tantos anos e s\u00f3 a partir dos 70 come\u00e7ou a se abrir.<\/p>\n<p>Assim, quando li pela primeira vez Grande Sert\u00e3o: Veredas, pude entrar, porque j\u00e1 estava acostumada com as narrativas enoveladas do S.El\u00f3i, na beira do fogo. Foi de grande ajuda.<\/p>\n<p>No encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela, tendo pouco tempo para conversar sobre um dos livros mais impressionantes da nossa literatura, o \u00fanico jeito era fazer uma festa, uma celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E foi assim.<\/p>\n<p>Samuel, nosso anjo jardineiro, logo acendeu o fogo do nosso fog\u00e3o de lenha e arrumou a varanda.<\/p>\n<p>As pessoas foram chegando com vinhos, presentes e a alegria dos dias de festa.<\/p>\n<p>Juan Arias abriu o encontro com a leitura de um artigo publicado recentemente no El Pa\u00eds sobre a for\u00e7a da poesia nos momentos tenebrosos.<\/p>\n<p>Cristiano Mota Mendes, o maior dos apaixonados pelo livro que j\u00e1 conheci, foi o leitor guia da discuss\u00e3o, com trechos escolhidos.<\/p>\n<p>Cada um apanha para si o que desejar deste livro absurdamente belo.<\/p>\n<p>Alguns colocaram o foco nos personagens, outros nas guerras, outros no amor de Riobaldo e Diadorim.<\/p>\n<p>Grande Sert\u00e3o, ao longo dos anos, me ensinou a alegria nos momentos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>\u00c9 a li\u00e7\u00e3o mais maravilhosa.<\/p>\n<p>Agora, enquanto atravessamos o Liso do Sussuar\u00e3o, precisamos manter uma certa alegria para n\u00e3o nos perdemos nos nevoeiros da tristeza.<\/p>\n<p>Neste momento temos um Herm\u00f3genes no comando.<\/p>\n<p>Neste momento o diabo existe no meio do redemoinho.<\/p>\n<p>Mas o pacto existiu, ser\u00e1?<\/p>\n<p>Houve m\u00fasica. Ronaldo Mota cantou a Can\u00e7\u00e3o de Siruiz.<\/p>\n<p>Teve um almo\u00e7o maravilhoso preparado pela Vanda.<\/p>\n<p>Fiz p\u00e3es. Lilliam, a filha da Vanda fez um bolo de anivers\u00e1rio para os que fizeram anos at\u00e9 este dia, nos meses de julho e agosto.<\/p>\n<p>Tivemos crian\u00e7as no encontro.<\/p>\n<p>O amor era a luz da casa.<\/p>\n<p>Cantamos.<\/p>\n<p>O mar cantou.<\/p>\n<p>E recome\u00e7aremos a ler Grande Sert\u00e3o: Veredas outra vez. Uma e outra vez.<\/p>\n<p>Porque era uma vez um Riobaldo, um Diadorim&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde a d\u00e9cada de 70, eu me sentava num cepo em cima do fog\u00e3o de lenha na casa da D.Maria e Seu El\u00f3i, na ro\u00e7a, em Visconde de Mau\u00e1, para ouvir hist\u00f3rias. Sentado do outro lado da cozinha grande, num banco encostado na janela, Seu El\u00f3i picava o fumo de rolo, enrolava lentamente um cigarro de palha e falava sem come\u00e7o-meio-fim, um rio sinuoso de palavras que ia me levando em suas \u00e1guas, numa linguagem toda pr\u00f3pria daquele lugar na montanha, que viveu isolado por tantos e tantos anos e s\u00f3 a partir dos 70 come\u00e7ou a se abrir. Assim, quando li pela primeira vez Grande Sert\u00e3o: Veredas, pude entrar, porque j\u00e1 estava acostumada com as narrativas enoveladas do S.El\u00f3i, na beira do fogo. Foi de grande ajuda. No encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela, tendo pouco tempo para conversar sobre um dos livros mais impressionantes da nossa literatura, o \u00fanico jeito era fazer uma festa, uma celebra\u00e7\u00e3o. E foi assim. Samuel, nosso anjo jardineiro, logo acendeu o fogo do nosso fog\u00e3o de lenha e arrumou a varanda. As pessoas foram chegando com vinhos, presentes e a alegria dos dias de festa. Juan Arias abriu o encontro com a leitura de um artigo publicado recentemente no El Pa\u00eds sobre a for\u00e7a da poesia nos momentos tenebrosos. Cristiano Mota Mendes, o maior dos apaixonados pelo livro que j\u00e1 conheci, foi o leitor guia da discuss\u00e3o, com trechos escolhidos. Cada um apanha para si o que desejar deste livro absurdamente belo. Alguns colocaram o foco nos personagens, outros nas guerras, outros no amor de Riobaldo e Diadorim. Grande Sert\u00e3o, ao longo dos anos, me ensinou a alegria nos momentos dif\u00edceis. \u00c9 a li\u00e7\u00e3o mais maravilhosa. Agora, enquanto atravessamos o Liso do Sussuar\u00e3o, precisamos manter uma certa alegria para n\u00e3o nos perdemos nos nevoeiros da tristeza. Neste momento temos um Herm\u00f3genes no comando. Neste momento o diabo existe no meio do redemoinho. Mas o pacto existiu, ser\u00e1? Houve m\u00fasica. Ronaldo Mota cantou a Can\u00e7\u00e3o de Siruiz. Teve um almo\u00e7o maravilhoso preparado pela Vanda. Fiz p\u00e3es. Lilliam, a filha da Vanda fez um bolo de anivers\u00e1rio para os que fizeram anos at\u00e9 este dia, nos meses de julho e agosto. Tivemos crian\u00e7as no encontro. O amor era a luz da casa. Cantamos. O mar cantou. E recome\u00e7aremos a ler Grande Sert\u00e3o: Veredas outra vez. Uma e outra vez. Porque era uma vez um Riobaldo, um Diadorim&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2969,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-1759","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-clube-de-leitura-da-casa-amarela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1759","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1759"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1759\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2970,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1759\/revisions\/2970"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}