{"id":1592,"date":"2021-08-24T09:23:24","date_gmt":"2021-08-24T12:23:24","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=1592"},"modified":"2021-08-24T09:23:24","modified_gmt":"2021-08-24T12:23:24","slug":"clube-de-leitura-da-casa-amarela-26","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2021\/08\/24\/clube-de-leitura-da-casa-amarela-26\/","title":{"rendered":"Clube de Leitura da Casa Amarela"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/clube-de-leitura-da-casa-amarela-1024x1024.jpeg\" alt=\"clube-de-leitura-da-casa-amarela\" width=\"696\" height=\"696\" class=\"alignnone size-large wp-image-1593\" \/><\/p>\n<p>Como dar conta de um livro t\u00e3o belo, t\u00e3o monumental, como &#8220;Com a Vida pela Frente&#8221;, de \u00c9mile Ajar\/Romain Gary?<\/p>\n<p>Grandes livros chegaram nas minhas m\u00e3os por um sopro de magia, sem busc\u00e1-los. Foi este o caso.<\/p>\n<p>Acho que foi na d\u00e9cada de 70, ou come\u00e7o dos 80, que uma amiga muito amada, Monica Botkay, me emprestou o pequeno volume de La Vie Devant Soi.<\/p>\n<p>Eu me apaixonei perdidamente pelo livro, de paix\u00e3o fulminante. Mas tinha que devolv\u00ea-lo. <\/p>\n<p>Nesta \u00e9poca n\u00e3o podia me dar de presente um livro importado e n\u00e3o havia em portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Mas nunca o esqueci. Momo, Mme Rosa e todos os maravilhosos personagens me habitavam.<\/p>\n<p>Em 1994, fui a Paris, fiquei hospedada na casa de uns amigos que n\u00e3o conheciam o livro. Cheguei no final da tarde e no dia seguinte de manh\u00e3 fui atr\u00e1s do livro.<\/p>\n<p>Foi o primeiro que vi, na beira do Sena, me esperando.<\/p>\n<p>Foi t\u00e3o belo reencontrar todo mundo! Meus amigos leram e pass\u00e1vamos muito tempo discutindo o livro.<\/p>\n<p>Uma vez, Bartolomeu Campos Queiroz falou dele num encontro para professores. Ouvi-lo falar de Momo e Mme Rosa foi como se um raio me atingisse. Ningu\u00e9m que eu conhecesse conhecia o livro!<\/p>\n<p>Quando criei o Clube de Leitura da Casa Amarela,em 2010,  achei a tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas, li e n\u00e3o gostei.<\/p>\n<p>Mas agora, a edi\u00e7\u00e3o da Todavia tem uma tradu\u00e7\u00e3o perfeita e finalmente pudemos nos encontrar em volta de um dos livros que mais amei e amo na vida.<\/p>\n<p>Pelos olhos e pela fala de Momo, entramos em seu submundo de prostitutas, cafet\u00f5es, travestis, africanos, mu\u00e7ulmanos, e uma velha judia, Mme Rosa, ex puta, sobrevivente de Aushwitz, com um retrato de Hitler debaixo da cama, para se lembrar que sempre pode ser pior. <\/p>\n<p>Entramos num apartamento em Belleville, Paris, l\u00e1 em cima, no sexto andar de um pr\u00e9dio de periferia, sem elevador, que abriga uma infinidade de gente de todos os cantos e at\u00e9 um Senhor franc\u00eas!<\/p>\n<p>O apartamento da velha judia \u00e9 um lar clandestino para filhos de prostitutas mediante pagamento, pois nessa \u00e9poca era proibido as m\u00e3es que exerciam a profiss\u00e3o criarem seus filhos. Mas ela tinha pap\u00e9is falsos para todos e um policial que ela criou que a protegia.<\/p>\n<p>Por esse lado n\u00e3o havia problema.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de amor de Mme Rosa, velha judia e Momo, menino mu\u00e7ulmano, talvez seja a mais bela que j\u00e1 tenha lido na vida.<\/p>\n<p>Para mim \u00e9 um livro \u00fanico. Absurdamente belo, triste, c\u00f4mico. <\/p>\n<p>O Clube de Leitura da Casa Amarela amou e passamos quatro horas dicutindo online e nos emocionando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como dar conta de um livro t\u00e3o belo, t\u00e3o monumental, como &#8220;Com a Vida pela Frente&#8221;, de \u00c9mile Ajar\/Romain Gary? Grandes livros chegaram nas minhas m\u00e3os por um sopro de magia, sem busc\u00e1-los. Foi este o caso. Acho que foi na d\u00e9cada de 70, ou come\u00e7o dos 80, que uma amiga muito amada, Monica Botkay, me emprestou o pequeno volume de La Vie Devant Soi. Eu me apaixonei perdidamente pelo livro, de paix\u00e3o fulminante. Mas tinha que devolv\u00ea-lo. Nesta \u00e9poca n\u00e3o podia me dar de presente um livro importado e n\u00e3o havia em portugu\u00eas. Mas nunca o esqueci. Momo, Mme Rosa e todos os maravilhosos personagens me habitavam. Em 1994, fui a Paris, fiquei hospedada na casa de uns amigos que n\u00e3o conheciam o livro. Cheguei no final da tarde e no dia seguinte de manh\u00e3 fui atr\u00e1s do livro. Foi o primeiro que vi, na beira do Sena, me esperando. Foi t\u00e3o belo reencontrar todo mundo! Meus amigos leram e pass\u00e1vamos muito tempo discutindo o livro. Uma vez, Bartolomeu Campos Queiroz falou dele num encontro para professores. Ouvi-lo falar de Momo e Mme Rosa foi como se um raio me atingisse. Ningu\u00e9m que eu conhecesse conhecia o livro! Quando criei o Clube de Leitura da Casa Amarela,em 2010, achei a tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas, li e n\u00e3o gostei. Mas agora, a edi\u00e7\u00e3o da Todavia tem uma tradu\u00e7\u00e3o perfeita e finalmente pudemos nos encontrar em volta de um dos livros que mais amei e amo na vida. Pelos olhos e pela fala de Momo, entramos em seu submundo de prostitutas, cafet\u00f5es, travestis, africanos, mu\u00e7ulmanos, e uma velha judia, Mme Rosa, ex puta, sobrevivente de Aushwitz, com um retrato de Hitler debaixo da cama, para se lembrar que sempre pode ser pior. Entramos num apartamento em Belleville, Paris, l\u00e1 em cima, no sexto andar de um pr\u00e9dio de periferia, sem elevador, que abriga uma infinidade de gente de todos os cantos e at\u00e9 um Senhor franc\u00eas! O apartamento da velha judia \u00e9 um lar clandestino para filhos de prostitutas mediante pagamento, pois nessa \u00e9poca era proibido as m\u00e3es que exerciam a profiss\u00e3o criarem seus filhos. Mas ela tinha pap\u00e9is falsos para todos e um policial que ela criou que a protegia. Por esse lado n\u00e3o havia problema. 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