{"id":1422,"date":"2020-12-14T16:05:35","date_gmt":"2020-12-14T18:05:35","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=1422"},"modified":"2020-12-14T16:05:35","modified_gmt":"2020-12-14T18:05:35","slug":"clube-de-leitura-da-casa-amarela-22","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2020\/12\/14\/clube-de-leitura-da-casa-amarela-22\/","title":{"rendered":"Clube de Leitura da Casa Amarela"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-12-13-at-06.46.58.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-12-13-at-06.46.58.jpeg\" alt=\"whatsapp-image-2020-12-13-at-06-46-58\" width=\"640\" height=\"426\" class=\"alignnone size-full wp-image-1423\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma sinfonia de vozes maravilhosas, uma orquestra de leituras, que como uma pedrinha que se joga no lago e suas pequenas ondas v\u00e3o se alargando, assim aconteceu no encontro do dia 12 de dezembro em nossa discuss\u00e3o sobre o livro Despertar os Le\u00f5es, de Ayelet Gundar-Goshen, uma jovem escritora israelense. <\/p>\n<p>Eram dois livros, o outro, o conto do Balzac, Uma Paix\u00e3o no Deserto.<\/p>\n<p>O Clube da Casa Amarela agora \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o de vozes. Ao inv\u00e9s de tijolos, ferragens, portas e janelas, a casa f\u00edsica se faz em  timbres, palavras, ideias.<br \/>\nOntem passamos quatro horas em dois desertos e abolimos o tempo, abolimos os 200 anos que separam um deserto do outro.<\/p>\n<p>Os dois livros falam de paix\u00e3o, desejo e morte.<\/p>\n<p>Mas Despertar os Le\u00f5es vai muito al\u00e9m de paix\u00e3o e desejo e morte. Em sua trama nos traz quest\u00f5es \u00e9ticas, a trag\u00e9dia dos refugiados ilegais, o fosso social entre os vis\u00edveis e os invis\u00edveis, a quest\u00e3o das mulheres refugiadas, constantemente violentadas, o trabalho ilegal, quase escravo. Entramos no mundo invis\u00edvel dos refugiados eritreus em Israel.<\/p>\n<p>\u00c9 um livro denso, belo.<\/p>\n<p>Fala de um amor que lateja, entre pessoas de dois universos t\u00e3o desiguais.<\/p>\n<p>Fala do le\u00e3o selvagem dentro de cada um. <\/p>\n<p>O conto do Balzac fala de uma paix\u00e3o inesperada, singular.<\/p>\n<p>O olhar sobre o deserto em cada um dos dois livros \u00e9 muito diferente.<\/p>\n<p>Em Despertar os Le\u00f5es o deserto \u00e9 hostil. Em Uma Paix\u00e3o no Deserto o deserto \u00e9 bel\u00edssimo, de uma dolorosa beleza.<\/p>\n<p>Nos dois desertos, as hist\u00f3rias se passam sob o signo da lua. Sob o feiti\u00e7o da lua, que estava l\u00e1, imut\u00e1vel , pantera de prata, nas duas tramas.<\/p>\n<p>A lua foi a regente do nosso encontro, em pleno sol.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o aos leitores do Clube de Leitura da Casa Amarela, a cada um, sem o seu amor pelos livros, as quatro horas que passamos juntos seriam muito diferentes. Seriam as horas que passamos em nossos afazeres, muitas vezes sem deixar marcas.<\/p>\n<p>Pela voz de cada um, pelos coment\u00e1rios de cada um, essas horas ficar\u00e3o para sempre inscritas em nossos cora\u00e7\u00f5es, nesse tempo duro em que atravessamos um grande deserto cheio de minas e na literatura encontramos alento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma sinfonia de vozes maravilhosas, uma orquestra de leituras, que como uma pedrinha que se joga no lago e suas pequenas ondas v\u00e3o se alargando, assim aconteceu no encontro do dia 12 de dezembro em nossa discuss\u00e3o sobre o livro Despertar os Le\u00f5es, de Ayelet Gundar-Goshen, uma jovem escritora israelense. Eram dois livros, o outro, o conto do Balzac, Uma Paix\u00e3o no Deserto. O Clube da Casa Amarela agora \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o de vozes. Ao inv\u00e9s de tijolos, ferragens, portas e janelas, a casa f\u00edsica se faz em timbres, palavras, ideias. Ontem passamos quatro horas em dois desertos e abolimos o tempo, abolimos os 200 anos que separam um deserto do outro. Os dois livros falam de paix\u00e3o, desejo e morte. Mas Despertar os Le\u00f5es vai muito al\u00e9m de paix\u00e3o e desejo e morte. Em sua trama nos traz quest\u00f5es \u00e9ticas, a trag\u00e9dia dos refugiados ilegais, o fosso social entre os vis\u00edveis e os invis\u00edveis, a quest\u00e3o das mulheres refugiadas, constantemente violentadas, o trabalho ilegal, quase escravo. Entramos no mundo invis\u00edvel dos refugiados eritreus em Israel. \u00c9 um livro denso, belo. Fala de um amor que lateja, entre pessoas de dois universos t\u00e3o desiguais. Fala do le\u00e3o selvagem dentro de cada um. O conto do Balzac fala de uma paix\u00e3o inesperada, singular. O olhar sobre o deserto em cada um dos dois livros \u00e9 muito diferente. Em Despertar os Le\u00f5es o deserto \u00e9 hostil. Em Uma Paix\u00e3o no Deserto o deserto \u00e9 bel\u00edssimo, de uma dolorosa beleza. Nos dois desertos, as hist\u00f3rias se passam sob o signo da lua. Sob o feiti\u00e7o da lua, que estava l\u00e1, imut\u00e1vel , pantera de prata, nas duas tramas. A lua foi a regente do nosso encontro, em pleno sol. Agrade\u00e7o aos leitores do Clube de Leitura da Casa Amarela, a cada um, sem o seu amor pelos livros, as quatro horas que passamos juntos seriam muito diferentes. Seriam as horas que passamos em nossos afazeres, muitas vezes sem deixar marcas. Pela voz de cada um, pelos coment\u00e1rios de cada um, essas horas ficar\u00e3o para sempre inscritas em nossos cora\u00e7\u00f5es, nesse tempo duro em que atravessamos um grande deserto cheio de minas e na literatura encontramos alento.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1423,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-1422","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-clube-de-leitura-da-casa-amarela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1422\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}