{"id":1411,"date":"2020-10-28T10:14:07","date_gmt":"2020-10-28T12:14:07","guid":{"rendered":"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/?p=1411"},"modified":"2020-10-28T10:14:07","modified_gmt":"2020-10-28T12:14:07","slug":"clube-de-leitura-da-casa-amarela-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2020\/10\/28\/clube-de-leitura-da-casa-amarela-21\/","title":{"rendered":"Clube de Leitura da Casa Amarela"},"content":{"rendered":"<p>Nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela teve uma alt\u00edssima voltagem emocional.<\/p>\n<p>Fazemos sem imagem. O processo \u00e9 simples: abro o encontro e vou chamando as pessoas. Cada pessoa j\u00e1 gravou seu depoimento previamente.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WhatsApp-Image-2020-10-26-at-20.50.43.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1412\" src=\"http:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/WhatsApp-Image-2020-10-26-at-20.50.43-169x300.jpeg\" alt=\"whatsapp-image-2020-10-26-at-20-50-43\" width=\"338\" height=\"600\" \/><\/a>Entre uma grava\u00e7\u00e3o e outra h\u00e1 um intervalo para os coment\u00e1rios digitados.<\/p>\n<p>A voz de cada um ressoa n\u00edtida e a emo\u00e7\u00e3o de cada fala se espraia por nosso corpo como ondas de r\u00e1dio, not\u00edcias do que um livro \u00e9 capaz de fazer em nossas entranhas. Como a R\u00e1dio Rel\u00f3gio chegava at\u00e9 Macab\u00e9a.<\/p>\n<p>Lemos A Hora da Estrela, da Clarice Lispector.<\/p>\n<p>Macab\u00e9a, essa estrela quebrada, s\u00edntese dos invis\u00edveis, dos ningu\u00e9ns, de quem n\u00e3o tem palavras, de quem da vida s\u00f3 recebe migalhas, como pombos an\u00f4nimos numa pra\u00e7a, nos invadiu com sua quase exist\u00eancia. Os depoimentos, enquanto se avolumavam, traziam leituras riqu\u00edssimas e diferentes, tesouros.<\/p>\n<p>Clarice nos fala numa entrevista, enquanto escrevia o livro, que foi na Feira de S.Crist\u00f3v\u00e3o que a personagem entrou dentro dela. E nos diz que ao sair da Feira pensou: &#8220;e se um carro me atropelasse?&#8221;<\/p>\n<p>A Hora da Estrela \u00e9 de uma for\u00e7a que quase nos aniquila. Al\u00e9m de ser a met\u00e1fora de milh\u00f5es de brasileiros, h\u00e1 uma Macab\u00e9a dentro da gente, quando, inseguros, buscamos tateando o amor e a felicidade.<\/p>\n<p>Mas o milagre em Clarice \u00e9 a maravilha da sua escrita. Cada frase \u00e9 um susto, um assombro, um poema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela teve uma alt\u00edssima voltagem emocional. Fazemos sem imagem. O processo \u00e9 simples: abro o encontro e vou chamando as pessoas. Cada pessoa j\u00e1 gravou seu depoimento previamente. Entre uma grava\u00e7\u00e3o e outra h\u00e1 um intervalo para os coment\u00e1rios digitados. A voz de cada um ressoa n\u00edtida e a emo\u00e7\u00e3o de cada fala se espraia por nosso corpo como ondas de r\u00e1dio, not\u00edcias do que um livro \u00e9 capaz de fazer em nossas entranhas. Como a R\u00e1dio Rel\u00f3gio chegava at\u00e9 Macab\u00e9a. Lemos A Hora da Estrela, da Clarice Lispector. Macab\u00e9a, essa estrela quebrada, s\u00edntese dos invis\u00edveis, dos ningu\u00e9ns, de quem n\u00e3o tem palavras, de quem da vida s\u00f3 recebe migalhas, como pombos an\u00f4nimos numa pra\u00e7a, nos invadiu com sua quase exist\u00eancia. Os depoimentos, enquanto se avolumavam, traziam leituras riqu\u00edssimas e diferentes, tesouros. Clarice nos fala numa entrevista, enquanto escrevia o livro, que foi na Feira de S.Crist\u00f3v\u00e3o que a personagem entrou dentro dela. E nos diz que ao sair da Feira pensou: &#8220;e se um carro me atropelasse?&#8221; A Hora da Estrela \u00e9 de uma for\u00e7a que quase nos aniquila. Al\u00e9m de ser a met\u00e1fora de milh\u00f5es de brasileiros, h\u00e1 uma Macab\u00e9a dentro da gente, quando, inseguros, buscamos tateando o amor e a felicidade. Mas o milagre em Clarice \u00e9 a maravilha da sua escrita. 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