{"version":"1.0","provider_name":"Roseana Murray","provider_url":"https:\/\/roseanamurray.com\/site","author_name":"admin","author_url":"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/author\/admin\/","title":"Vera Maria Tietzmann Silva - Roseana Murray","type":"rich","width":600,"height":338,"html":"<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"eGXRUuJUUQ\"><a href=\"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2013\/01\/02\/vera-maria-tietzmann-silva\/\">Vera Maria Tietzmann Silva<\/a><\/blockquote><iframe sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" src=\"https:\/\/roseanamurray.com\/site\/2013\/01\/02\/vera-maria-tietzmann-silva\/embed\/#?secret=eGXRUuJUUQ\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Vera Maria Tietzmann Silva&#8221; &#8212; Roseana Murray\" data-secret=\"eGXRUuJUUQ\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" class=\"wp-embedded-content\"><\/iframe><script>\n\/*! This file is auto-generated *\/\n!function(d,l){\"use strict\";l.querySelector&&d.addEventListener&&\"undefined\"!=typeof URL&&(d.wp=d.wp||{},d.wp.receiveEmbedMessage||(d.wp.receiveEmbedMessage=function(e){var t=e.data;if((t||t.secret||t.message||t.value)&&!\/[^a-zA-Z0-9]\/.test(t.secret)){for(var s,r,n,a=l.querySelectorAll('iframe[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),o=l.querySelectorAll('blockquote[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),c=new RegExp(\"^https?:$\",\"i\"),i=0;i<o.length;i++)o[i].style.display=\"none\";for(i=0;i<a.length;i++)s=a[i],e.source===s.contentWindow&&(s.removeAttribute(\"style\"),\"height\"===t.message?(1e3<(r=parseInt(t.value,10))?r=1e3:~~r<200&&(r=200),s.height=r):\"link\"===t.message&&(r=new URL(s.getAttribute(\"src\")),n=new URL(t.value),c.test(n.protocol))&&n.host===r.host&&l.activeElement===s&&(d.top.location.href=t.value))}},d.addEventListener(\"message\",d.wp.receiveEmbedMessage,!1),l.addEventListener(\"DOMContentLoaded\",function(){for(var e,t,s=l.querySelectorAll(\"iframe.wp-embedded-content\"),r=0;r<s.length;r++)(t=(e=s[r]).getAttribute(\"data-secret\"))||(t=Math.random().toString(36).substring(2,12),e.src+=\"#?secret=\"+t,e.setAttribute(\"data-secret\",t)),e.contentWindow.postMessage({message:\"ready\",secret:t},\"*\")},!1)))}(window,document);\n\/\/# sourceURL=https:\/\/roseanamurray.com\/site\/wp-includes\/js\/wp-embed.min.js\n<\/script>\n","description":"Roseana Murray: poemas para ler na escola Poesia juvenil, um terreno pouco trilhado. A ideia de se fazer um tipo especial de texto para o adolescente \u00e9 relativamente nova. As gera\u00e7\u00f5es passadas, que se iniciavam na leitura pelos quadrinhos e livros infantis, passavam \u00e0s novelas de aventuras e, destas, aos grandes ficcionistas e poetas, fazendo essa transi\u00e7\u00e3o de modo natural, sem traumas ou dificuldades. Quando os horm\u00f4nios promoviam suas mudan\u00e7as no corpo, e o anseio amoroso ou as d\u00favidas existenciais avassalavam a mente e inquietavam o cora\u00e7\u00e3o, meninos e meninas buscavam nos poetas consagrados a voz capaz de expressar em palavras o que eles pr\u00f3prios sentiam. Liam, ent\u00e3o, indiscriminadamente poetas cl\u00e1ssicos e modernos, portugueses e brasileiros, de Castro Alves a Vin\u00edcius, de Cam\u00f5es a Cec\u00edlia. N\u00e3o se cogitava a hip\u00f3tese de existir uma poesia voltada para a adolesc\u00eancia. Nos anos 70, com a expans\u00e3o editorial e a intensa oferta de livros para a crian\u00e7a e o jovem, esse p\u00fablico passou a ter acesso a uma produ\u00e7\u00e3o cultural espec\u00edfica e atraente. Contudo, a presen\u00e7a da literatura infantil e juvenil na escola parece ter acompanhado a divis\u00e3o das s\u00e9ries, predominando as obras infantis, voltadas para a primeira fase do Ensino Fundamental, havendo menos op\u00e7\u00f5es para pr\u00e9-adolescentes e adolescentes. [1] Texto publicado na colet\u00e2nea de artigos cr\u00edticos Olhar o poema: teoria e pr\u00e1tica do letramento po\u00e9tico, organizada por D\u00e9bora Cristina dos Santos e Silva, Goiandira Ortiz de Camargo e Maria Severina Batista Guimar\u00e3es (Goi\u00e2nia: C\u00e2none Editorial, 2012), p.165-177. Ainda assim, a chamada literatura juvenil, de contornos e limites t\u00e3o imprecisos quanto os do f\u00edsico e da mente de seus leitores, sem d\u00favida existe e vem merecendo a aten\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica especializada, servindo j\u00e1 h\u00e1 algum tempo de corpus de an\u00e1lise para disserta\u00e7\u00f5es e teses acad\u00eamicas. Uma consulta aos cat\u00e1logos das editoras logo deixa perceber que sob o r\u00f3tulo de juvenil h\u00e1 um imenso n\u00famero de novelas e contos, por\u00e9m escassos livros de poemas. A faixa fronteiri\u00e7a entre o infantil e o adulto, o reduzido espa\u00e7o que permeia essas duas fases da vida, parece estreitar-se ainda mais quando se entra no dom\u00ednio do po\u00e9tico. Em boa parte dos livros de poemas declaradamente juvenis observa-se que a qualidade est\u00e9tica com frequ\u00eancia deixa a desejar, seja pela banalidade do conte\u00fado, seja pela indig\u00eancia das solu\u00e7\u00f5es formais \u2013 s\u00e3o poucas as obras que merecem o nome de poesia. Nesse cen\u00e1rio, a obra de Roseana Murray destaca-se pela excel\u00eancia. Roseana Murray, que estreou na literatura em 1980 com um livro de poemas para a inf\u00e2ncia, inclui-se entre os primeiros poetas a contemplar o p\u00fablico jovem. Desde a d\u00e9cada de 80, ela vem construindo uma obra s\u00f3lida e constante, de amplo reconhecimento da cr\u00edtica, o que se evidencia nas sucessivas premia\u00e7\u00f5es e nos estudos cr\u00edticos sobre sua obra, realizados principalmente nos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras. Roseana tamb\u00e9m incursionou na fic\u00e7\u00e3o, mas seu territ\u00f3rio essencial \u00e9 a poesia, que ela produz em diversas modula\u00e7\u00f5es, ora mais voltada para crian\u00e7as, ora para jovens ou mesmo para leitores adultos. As grada\u00e7\u00f5es de tom, l\u00e9xico, tem\u00e1tica ou recursos estil\u00edsticos \u00e0s vezes s\u00e3o t\u00e3o sutis que se levanta a d\u00favida sobre qual seria, afinal, o p\u00fablico-alvo pretendido. Frequentemente \u00e9 no formato e no projeto gr\u00e1fico, ou, ainda, no cat\u00e1logo da editora, mais do que nos textos em si, que o leitor vai encontrar esse esclarecimento. Se o destinat\u00e1rio dos poemas de Roseana Murray nem sempre \u00e9 declarado, a sua leitura autoriza duas certezas: de que se est\u00e1 diante de textos genuinamente po\u00e9ticos e de que a autora n\u00e3o subestima seu leitor com facilita\u00e7\u00f5es de linguagem e obviedades de assuntos. Poesia, um modo especial de ver a realidade Mais do que a t\u00edpica disposi\u00e7\u00e3o na mancha gr\u00e1fica ou a valoriza\u00e7\u00e3o do estrato sonoro da l\u00edngua, o poema se revela como tal por constituir um modo especial de olhar. O poeta observa o mundo com um olhar novo, como se o visse pela primeira vez. O leitor, diante do texto, revive essa capacidade de ter um olhar inaugural, capaz de ver poeticamente as coisas mais banais. Por isso, todo poema bem constru\u00eddo deve surpreender o leitor, seja pela originalidade do enfoque, seja pelo uso criativo da linguagem. Um poema se faz com uma constela\u00e7\u00e3o de imagens. Sim, porque \u00e9 de fato nas imagens que se alicer\u00e7a a linguagem po\u00e9tica. A palavra ou locu\u00e7\u00e3o que corporifica a imagem \u2013 em geral um substantivo concreto que se deixa visualizar na mente de quem l\u00ea \u2013 marca-se pela densidade e se intensifica pela repeti\u00e7\u00e3o. A leitura de um texto po\u00e9tico pede uma atitude especial do leitor: atenta, alerta, dispon\u00edvel, isso porque cabe a ele fazer o preenchimento dos espa\u00e7os do n\u00e3o dito, a tradu\u00e7\u00e3o das met\u00e1foras e alegorias, o desvendamento daquilo que \u00e9 apenas sugerido, a descoberta das alus\u00f5es a outros textos e autores. Ora, quem concede esse papel de parceria no jogo po\u00e9tico, como faz Roseana Murray, parte do pressuposto de que seu leitor \u00e9 inteligente. O leitor de poesia precisa estar atento \u00e0s peculiaridades da dic\u00e7\u00e3o po\u00e9tica para ser capaz de fru\u00ed-la em sua justa medida. Para tanto, ele deve ter o ouvido agu\u00e7ado para apreciar o jogo das sonoridades que, como a m\u00fasica, evoca sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es, refor\u00e7ando o que as palavras dizem. E ele precisa ter tamb\u00e9m a vis\u00e3o desenvolvida, ser capaz de \u201cver com a imagina\u00e7\u00e3o\u201d, visualizar mentalmente em cores, formas e volumes aquilo que as imagens po\u00e9ticas apenas sugerem. Para perceber as imagens e reconhecer as intertextualiza\u00e7\u00f5es, escondidas aqui e ali sob a capa de alus\u00f5es, o leitor de poesia n\u00e3o pode ser um ne\u00f3fito. Ele precisa ter alguma experi\u00eancia de leitura, ser capaz de ir al\u00e9m da superf\u00edcie dos versos. Por isso, esses recursos estil\u00edsticos s\u00e3o menos frequentes nos poemas infantis, onde os jogos sonoros e as brincadeiras com as palavras, que as crian\u00e7as tanto apreciam, s\u00e3o mais presentes. Al\u00e9m disso, o leitor precisa desarmar-se das peias do pensamento l\u00f3gico e abrir-se \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o sem r\u00e9deas, como faz nos momentos de sonho ou de devaneio. Isto porque a poesia reside"}