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<oembed><version>1.0</version><provider_name>Roseana Murray</provider_name><provider_url>https://roseanamurray.com/site</provider_url><author_name>admin</author_name><author_url>https://roseanamurray.com/site/author/admin/</author_url><title>Krishnamurti Go&#xE9;s dos Anjos - Roseana Murray</title><type>rich</type><width>600</width><height>338</height><html>&lt;blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="j17HEzVW9W"&gt;&lt;a href="https://roseanamurray.com/site/2018/05/15/krishnamurti-goes-dos-anjos/"&gt;Krishnamurti Go&#xE9;s dos Anjos&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;iframe sandbox="allow-scripts" security="restricted" src="https://roseanamurray.com/site/2018/05/15/krishnamurti-goes-dos-anjos/embed/#?secret=j17HEzVW9W" width="600" height="338" title="&#x201C;Krishnamurti Go&#xE9;s dos Anjos&#x201D; &#x2014; Roseana Murray" data-secret="j17HEzVW9W" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" class="wp-embedded-content"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script&gt;
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</html><description>Sabemos que o metr&#xF4;nomo &#xE9; um instrumento que marca o ritmo das m&#xFA;sicas. O seu funcionamento &#xE9; constru&#xED;do para dar suporte a mensura&#xE7;&#xE3;o da passagem do tempo, permite que a m&#xFA;sica flua com maior organiza&#xE7;&#xE3;o e expressividade e assim, tempo e m&#xFA;sica se misturam metaforicamente a tecer a po&#xE9;tica de Roseana que se pergunta sobre essa costura de t&#xEA;nues fios: &#x201C;A linha&#x201D; &#x201C;De onde vem / essa linha fina / de costurar poesia? / De qual oriente? / De qual mil e uma / noites, / de qual dia? / De onde a seda / dessa linha / que borda, / que transborda / do papel / para o mar / e o c&#xE9;u? / De que estrela / desconhecida, / de que bicho / da seda?&#x201D; Abordando temas densos como a solid&#xE3;o, a morte, a ang&#xFA;stia, a mem&#xF3;ria e as perdas, os poemas se sustentam em refinado jogo de linguagem que transparece apenas para revelar o que &#xE9; simples e delicado no cotidiano que est&#xE1; em todas as coisas, sobretudo no sil&#xEA;ncio. Este, visto n&#xE3;o somente como necess&#xE1;rio &#xE0; apreens&#xE3;o das verdades da vida, mas, por outro lado, quando precisa ser quebrado. Um ouvido no sil&#xEA;ncio e outro no verbo portanto. &#x201C;Noz&#x201D; &#x201C;E se o teu sil&#xEA;ncio / se partisse feito uma noz, / um c&#xE1;lice / e se fizesse m&#xFA;sica, / e rumor de um rio, / de um riso, / de passos sobre folhas / secas, / de fio de luz / esgar&#xE7;ando a noite, / ou chuva. / E se o teu sil&#xEA;ncio / se abrisse / e desvendasse / uma escrita t&#xE3;o antiga, / perdida?&#x201D; A autora segue despertando verdadeiras epifanias, veja-se a profundidade existencial de um poema como: &#x201C;O que te espera&#x201D; &#x201C;Ancorado no cais / da palavra / um barco te espera, / um rio te espera, / no azul da montanha, / um o&#xE1;sis te espera / na orla do deserto, / uma miragem / te espera / na superf&#xED;cie da vig&#xED;lia, / a vida te espera, / o assombro, / o espanto&#x201D; E sempre um retorno ao fundamental da vida. &#x201C;As m&#xE3;os&#x201D; nos faz relembrar o pensamento de Octavio Paz. &#x201C;As palavras chegam e se juntam sem que ningu&#xE9;m as chame; e essas reuni&#xF5;es e separa&#xE7;&#xF5;es [&#x2026;] s&#xE3;o regidas por uma ordem de afinidades e repuls&#xF5;es. As palavras se juntam e se separam atendendo a certos princ&#xED;pios r&#xED;tmicos&#x201D;. &#x201C;As m&#xE3;os querem / m&#xFA;sica / quando abrem / a caixa da vida / para que a noite / escreva estrelas / cadentes / e o dia o seu trigo, / seus girass&#xF3;is. / As m&#xE3;os querem / a &#xE1;gua do po&#xE7;o / das palavras / que voam&#x201D;. Em outro poema, &#x201C;Pasto&#x201D;, a poeta cria por analogia. Seu modelo &#xE9; o ritmo que move o poema, palavras em estado de abund&#xE2;ncia verbal, corrente r&#xED;tmica que se manifesta em imagens e n&#xE3;o em conceitos. &#x201C;Em meu pasto / de palavras, / por debaixo / da terra, / onde correm / profundos / os veios de &#xE1;gua, / os veios do que / pode e n&#xE3;o pode / ser dito, / onde uma luz / &#xE0;s vezes sombra / acende a m&#xFA;sica / oculta dos sentidos, / cavalos se aquietam / diante do abismo, / onde caem as horas&#x201D; E mais uma vez, e aprofundando o que j&#xE1; fora dito, o poema &#x201C;O rio invis&#xED;vel&#x201D; revela o talento da autora que se volta para perceber a poesia contida desde um simples rio, ao sol. &#x201C;A musica do rio / invis&#xED;vel, / que canta / conduzindo / os navegantes, / os sem rumo, / os perdidos, / os maltrapilhos. / H&#xE1; que ouvir / essa voz distante, / para sair / do labirinto. / H&#xE1; que buscar / as setas / que apontam / o nome: / aquele escrito / com o sol. / S&#xF3; ent&#xE3;o / a alma pode / voar e levar / o corpo / e mesmo que a luz / desfa&#xE7;a suas asas, / ser&#xE1; poss&#xED;vel enxergar / na escurid&#xE3;o Uma obra como &#x201C;Poemas para metr&#xF4;nomo e vento&#x201D; ajuda-nos a ascender a novas fases de consci&#xEA;ncia. Inebria-nos com o c&#xE2;ntico das grandes leis da vida, nos faz voar, leve, r&#xE1;pido, distilando intelectualidade mas, num sentido de orienta&#xE7;&#xE3;o. Desperta afinal, resson&#xE2;ncias noutras almas e isso j&#xE1; &#xE9; muito. O mundo hoje, mais do que nunca tem necessidade destas revela&#xE7;&#xF5;es &#xED;ntimas. Precisa destas afirma&#xE7;&#xF5;es de espiritualidade, necessita de quem grite, em tempos de materialismo e ego&#xED;smo desenfreados, a grande palavra da alma; de quem d&#xEA;, em tempos de apatia e indiferen&#xE7;a, exemplo de f&#xE9;; de quem repita, as grandes verdades esquecidas. Confiram detidamente isto, e outras coisas bem pr&#xF3;ximas, em poemas como: &#x201C;Geografia&#x201D;, &#x201C;Para caber no corpo&#x201D;, &#x201C;Nas paredes&#x201D;, &#x201C;A chave&#x201D;, &#x201C;Voo&#x201D;, &#x201C;Viajante&#x201D; e finalmente &#x201C;Vazio&#x201D;, que transcrevemos: &#x201C;Antes quase no come&#xE7;o / do mundo, / quando as estrelas / diziam o caminho / e os p&#xE1;ssaros eram / a fronteira entre / o c&#xE9;u e a terra, / as palavras ainda / buscavam a sua m&#xFA;sica / e os p&#xE9;s deixavam / a marca indel&#xE9;vel / dos que passavam / em busca do que n&#xE3;o / tinha nome. / Hoje, o vazio do que / est&#xE1; sempre abarrotado / de tudo / &#xE9; o abismo onde ca&#xED;mos / todos os dias. / As palavras j&#xE1; n&#xE3;o / se entrela&#xE7;am, / s&#xE3;o ru&#xED;dos roucos / e in&#xFA;teis. / H&#xE1; que reinventar / o tempo. / Largo e liso / feito um lago. / Espelho do que / um dia fomos&#x201D;. Livro: Poemas para metr&#xF4;nomo e vento &#x2013; Poesias de Roseana Murray Editora Penalux, Guaratinguet&#xE1; SP, 2018, 110 p. ISBN: 978-85-5833-323-8</description></oembed>
