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<oembed><version>1.0</version><provider_name>Roseana Murray</provider_name><provider_url>https://roseanamurray.com/site</provider_url><author_name>admin</author_name><author_url>https://roseanamurray.com/site/author/admin/</author_url><title>Com Ginzburg e Calvino - Roseana Murray</title><type>rich</type><width>600</width><height>338</height><html>&lt;blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="IMfQ23hMBT"&gt;&lt;a href="https://roseanamurray.com/site/2016/02/17/com-ginzburg-e-calvino/"&gt;Com Ginzburg e Calvino&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;iframe sandbox="allow-scripts" security="restricted" src="https://roseanamurray.com/site/2016/02/17/com-ginzburg-e-calvino/embed/#?secret=IMfQ23hMBT" width="600" height="338" title="&#x201C;Com Ginzburg e Calvino&#x201D; &#x2014; Roseana Murray" data-secret="IMfQ23hMBT" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" class="wp-embedded-content"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script&gt;
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</html><description>Ontem me dei conta de que nosso Clube de Leitura da Casa Amarela j&#xE1; tem seis anos. Sei porque meu grande e amado amigo Latuf, que foi embora para Pas&#xE1;rgada em 2010, estava vivo quando fizemos nosso primeiro encontro. Acho que agora n&#xE3;o h&#xE1; mais perigo do Clube se desmanchar no ar, sempre tive esse medo. Desde crian&#xE7;a achava que ningu&#xE9;m viria nos meus anivers&#xE1;rios e que claro, iriam se esquecer de mim. Mas os la&#xE7;os que a literatura cria entre as pessoas s&#xE3;o impressionantes. E cada vez mais gente quer vir ao nosso encontro. Ontem recebemos cinco pessoas novas. A casa estava lotada. E me trouxeram muitos presentes! Tortas, vinho, geleias, licores. O livro As Pequenas Virtudes, que chegou nas minhas m&#xE3;os inesperadamente numa tarde em Salvador, pelas m&#xE3;os da minha amiga Verbena, deixou todo mundo emocionado, extasiado. S&#xE3;o cr&#xF4;nicas. O livro se divide em duas partes. A primeira, bastante autobiogr&#xE1;fica, a segunda, como sublinhou Maria Clara, mais ensa&#xED;stica. Fomos passando cr&#xF4;nica por cr&#xF4;nica. Falamos do ex&#xED;lio e da mem&#xF3;ria. Da escrita maravilhosa da Nat&#xE1;lia. M&#xE1;ximo Tarantini, italiano, nos falou das dist&#xE2;ncias naquela &#xE9;poca. Ent&#xE3;o, quando a fam&#xED;lia estava exilada em Abruzzo, escondida, durante a guerra, al&#xE9;m da sensa&#xE7;&#xE3;o de ex&#xED;lio, pois haviam abandonado a pr&#xF3;pria casa, os amigos, a fam&#xED;lia, tudo o que amavam, havia a dificuldade de se chegar at&#xE9; l&#xE1;. N&#xE3;o &#xE9; como hoje, diz Maximo, quando se vai de Roma a Abruzzo em quarenta minutos. Rafael falou de Proust para falar da mem&#xF3;ria. Cristiano lembrou que a cantiga infantil que Nat&#xE1;lia ouvia em Abruzzo era um pren&#xFA;ncio da morte do seu marido, como se anunciasse o seu assassinato. Cada cr&#xF4;nica dessa primeira parte, onde ela fala da sua vida, tem a sua cor. Uma nostalgia que &#xE9; como um vento triste, &#xE0;s vezes muito humor, como quando ela fala da sua estadia na Inglaterra, ou da sua rela&#xE7;&#xE3;o com o segundo marido. Em outra cr&#xF4;nica Nat&#xE1;lia conta a amizade com Cesare Pavese, autor premiad&#xED;ssimo. &#xC9; o mais belo tratado sobre a amizade: ela n&#xE3;o esconde nada do g&#xEA;nio dific&#xED;limo do amigo, das suas manias e esquisitices, mas com suas palavras ela vai untando o amigo com uma camada espessa de amor, quase um unguento. At&#xE9; o desfecho , o seu suic&#xED;dio, pensado e preparado, num m&#xEA;s quente de agosto, num hotel em Turim, a sua cidade natal. Li um poema bel&#xED;ssimo do Pavese. M&#xE1;ximo nos lembrou que o suic&#xED;dio naquela &#xE9;poca era uma filosofia de vida. Cesare dizia que a &#xFA;nica liberdade que o homem tinha era a de escolher o momento de sair da vida. Lembramos que anos mais tarde Primo Levi tamb&#xE9;m se matou. Na cr&#xF4;nica sapatos rotos falamos da liberdade . Da import&#xE2;ncia de ter uma inf&#xE2;ncia s&#xF3;lida, com sapatos fortes, para que no futuro se possa fazer belas escolhas, inclusive a de andar com sapatos rotos, uma met&#xE1;fora maravilhosa. Gilcilene nos disse que As Pequenas Virtudes, cr&#xF4;nica maravilhosa sobre as Pequenas e Grandes Virtudes, trouxe de volta seu pai, pela rela&#xE7;&#xE3;o desprendida que ele tinha com o dinheiro. Falamos um pouco sobre o significado do dinheiro. Denise e Chico disseram que a cr&#xF4;nica fez com que repensassem muitas atitudes com os filhos. A paix&#xE3;o de todos foi a cr&#xF4;nica Meu Of&#xED;cio, que no caso de Nat&#xE1;lia era a escrita, mas suas considera&#xE7;&#xF5;es valem para qualquer of&#xED;cio. Em nosso Clube temos contadores, advogados, professores, um m&#xE9;dico, Dr. Messias, comerciantes,poetas e cada um se viu nesta cr&#xF4;nica, Todos sublinharam como Nat&#xE1;lia trabalha o tempo todo com luz e sombra, Messias disse que ela traz para a sua escrita todas as nuances do ser humano, todas as suas faces. Ao passar para Calvino, Marcovaldo, Cristiano disse que nem parecia o mesmo escritor das Cidades Invis&#xED;veis (que j&#xE1; lemos no clube).Mas a sua escrita maravilhosa &#xE9; sempre a mesma. Propus que cada um falasse o que quisesse sobre qualquer epis&#xF3;dio. E que maravilha de considera&#xE7;&#xF5;es. Cristiano definiu Marcovaldo: uma mistura de Chaplin com D.Quixote. Ou foi Maria Clara, n&#xE3;o tenho certeza.. &#xCD;amos nos lembrando e rindo e amando relembrar. M&#xE1;ximo disse algo muito interessante. Depois da Guerra a It&#xE1;lia se uniu e perdoou. Todos se perdoaram querendo olhar para o futuro. Marcovaldo fazia parte deste momento. Falamos da sua busca pela beleza, pela natureza, quando a It&#xE1;lia deixava de ser agr&#xE1;ria para ser industrial. Acho que Marcovaldo, apesar da sua condi&#xE7;&#xE3;o de extrema pobreza, da consci&#xEA;ncia que tinha dessa pobreza, da sua vida miser&#xE1;vel, n&#xE3;o desistia de tentar viver poeticamente: a&#xED; reside a sua maravilha. O seu olhar buscava os caminhos para chegar at&#xE9; o fio que divide a dureza da vida, da experi&#xEA;ncia po&#xE9;tica. Alguns leram poemas da Emily Dickinson. Ronaldo e Ana cantaram: alimento.antes do almo&#xE7;o. Fiz tabule, um arroz cremoso com frango desfiado e um arroz bem mediterr&#xE2;neo com atum. Cantamos parab&#xE9;ns para os aniversariantes, Samuel, nosso caseiro, Angela e Fernando. Vinho branco e vinho tinto. Meus p&#xE3;es. Cada um ganhou um livro do Juan autografado, O Amor Imposs&#xED;vel, longa entrevista com Saramago. O livro &#xE9; maravilhoso e est&#xE1; saindo do cat&#xE1;logo da Manati. Se algu&#xE9;m tiver interesse pode encomendar na editora. Angela trouxe livros para sortear e M&#xE1;ximo tamb&#xE9;m. Nosso pr&#xF3;ximo encontro ser&#xE1; dia 7 de maio. Os livros: O Memorial de Maria Moura de Raquel de Queir&#xF3;z e O Compadre de Ogum de Jorge Amado. Poemas do Quintana.</description></oembed>
