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<oembed><version>1.0</version><provider_name>Roseana Murray</provider_name><provider_url>https://roseanamurray.com/site</provider_url><author_name>admin</author_name><author_url>https://roseanamurray.com/site/author/admin/</author_url><title>Mestres do Amor - Roseana Murray</title><type>rich</type><width>600</width><height>338</height><html>&lt;blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="XEC6l3h3v7"&gt;&lt;a href="https://roseanamurray.com/site/2015/10/03/mestres-do-amor/"&gt;Mestres do Amor&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;iframe sandbox="allow-scripts" security="restricted" src="https://roseanamurray.com/site/2015/10/03/mestres-do-amor/embed/#?secret=XEC6l3h3v7" width="600" height="338" title="&#x201C;Mestres do Amor&#x201D; &#x2014; Roseana Murray" data-secret="XEC6l3h3v7" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" class="wp-embedded-content"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script&gt;
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</html><description>H&#xE1; uma magia e um mist&#xE9;rio nos encontros. No Clube de Leitura da Casa Amarela essa maravilhosa alquimia sempre se repete. Ontem discutimos Judas, do Amos &#xD3;z e A &#xDA;ltima Escala do Velho Cargueiro, do grande escritor colombiano &#xC1;lvaro M&#xFA;tis. Cristiano, que foi quem sugeriu a leitura do Judas, n&#xE3;o pode vir, mas me escreveu pelo whatsup oferecendo uma chave para o elo entre os dois romances: &#x201C; Puxe pelas duas mulheres dos romances. S&#xE3;o personagens extraordin&#xE1;rias. Mestres do amor, como Diadorim foi para Riobaldo&#x201D;. Suzana Vargas sugeriu que um bom come&#xE7;o seria ler um trecho do velho cargueiro. Ela sempre faz isso em seus encontros de leitura. Adorei a id&#xE9;ia e escolhi o primeiro encontro do narrador com o navio, quando vai a Helsinque e quer chegar ao extremo da Finl&#xE2;ndia para ver as c&#xFA;pulas douradas de S&#xE3;o Petersburgo. Felipe Lacerda, que voltou ao Clube quase depois de um ano de aus&#xEA;ncia, leu em voz alta, j&#xE1; que al&#xE9;m de ter passado em primeiro lugar no concurso para professor em Duque de Caxias, &#xE9; ator. H&#xE1; uma beleza t&#xE3;o imensa nesta cena, &#xE9; tudo t&#xE3;o absolutamente perfeito, que todos ficamos sem f&#xF4;lego e a partir da&#xED; recontamos o romance que tem dois narradores, j&#xE1; quem um deles conta a hist&#xF3;ria que ouve de outro. E o livro &#xE9; uma incr&#xED;vel hist&#xF3;ria de amor. E ao unir as duas mulheres dos dois livros ,Warda e Atalia, que s&#xE3;o duas mestres do amor, foi poss&#xED;vel come&#xE7;ar a discutir o Judas, um dos melhores livros que j&#xE1; li na vida. Fizemos a mesma coisa, comecei lendo o primeiro par&#xE1;grafo: &#x201C; Eis a&#xED; uma hist&#xF3;ria dos dias de inverno no final de 1959 e in&#xED;cio de 1960. Nesta hist&#xF3;ria h&#xE1; erro e desejo, h&#xE1; amor frustrado e certa quest&#xE3;o religiosa que ficou aqui sem resposta. Em alguns pr&#xE9;dios ainda se reconhecem os sinais da guerra que h&#xE1; dez anos dividiu a cidade. Ao fundo d&#xE1; para ouvir o toque distante de um acorde&#xE3;o ou os sons nost&#xE1;lgicos de uma gaita ao entardecer, por tr&#xE1;s de uma persiana cerrada.&#x201D; O romance inteiro j&#xE1; est&#xE1; a&#xED;, concordamos todos. Neste trecho m&#xED;nimo Amos Oz j&#xE1; nos joga neste lugar, Jersusal&#xE9;m dos anos 60, j&#xE1; nos situa historicamente, falando das ru&#xED;nas da Guerra da Independ&#xEA;ncia, e nos fala de erro e desejo, e ao evocar os sons nost&#xE1;lgicos da gaita, tamb&#xE9;m nos fala de mem&#xF3;ria. E a maior quest&#xE3;o do livro que tem muitas e muitas camadas &#xE9; a trai&#xE7;&#xE3;o. Suzana Vargas disse que a ep&#xED;grafe tamb&#xE9;m diz o livro inteiro: &#x201C;Eis que corre o traidor na beira do campo. N&#xE3;o ao vivo, mas ao morto que h&#xE1; nele a pedra mirava. Nathan Alterman&#x201D; Shmuel, o estudante, nos &#xE9; oferecido em sua inteireza quebrada. Ele perde tudo de uma s&#xF3; vez: a namorada, a mesada dos pais para poder estudar, a irm&#xE3; que vai para a It&#xE1;lia. Ent&#xE3;o come&#xE7;a a sua aventura, ao aceitar o emprego de &#x201C;distrair&#x201D; e cuidar um pouco do velho intelectual, Guershom Wald. Shmuel escreve sua tese. A de que Judas n&#xE3;o era um traidor, mas sim o disc&#xED;pulo que mais amou Jesus. O pr&#xF3;prio av&#xF4; de Shmuel foi considerado traidor pelos israelenses e assassinado, quando na verdade era um agente duplo. O pai de Atalia foi considerado um traidor, pois antes da Declara&#xE7;&#xE3;o do Estado de Israel pela ONU, ele pregava um n&#xE3;o Estado, com &#xE1;rabes e israelenses vivendo juntos e misturados, sem fronteiras. Ele, como um profeta, j&#xE1; previa a carnificina futura. Ent&#xE3;o Amos &#xD3;z, concordamos todos, desarruma o conceito de trai&#xE7;&#xE3;o. Os tra&#xE7;os f&#xED;sicos, o cheiro de cada personagem &#xE9; tantas vezes refor&#xE7;ado, que eles saem do livro e est&#xE3;o ali, bem diante dos nossos olhos, de carne e osso. Suzana Vargas mos diz que Am&#xF3;s Oz parece que escreve fazendo cinema. Gilcilene fez um depoimento lind&#xED;ssimo. Ela disse que a cada encontro do livro seus preconceitos s&#xE3;o destru&#xED;dos, h&#xE1; uma desconstru&#xE7;&#xE3;o de tantas id&#xE9;ias preconcebidas que ela tinha. Fernando, Helio, Cesar, Flora, tantos falaram sobre a trai&#xE7;&#xE3;o de Judas, e do que seria o mundo e o cristianismo se o juda&#xED;smo tivesse aceito Jesus. Shmuel , em sua tese, sustenta que, ao contr&#xE1;rio, n&#xE3;o foi uma trai&#xE7;&#xE3;o. Judas n&#xE3;o era um traidor. Abravanel n&#xE3;o era um traidor, o av&#xF4; do Shmuel n&#xE3;o era um traidor. Falamos todos da beleza e do cuidado que havia entre Shmuel, o estudante e Guershom, o velho. Do cuidado com que Alalia, a mulher misteriosa e inalcan&#xE7;&#xE1;vel tem com o estudante, ela, a sua &#x201C;mestre do amor&#x201D;. Messias , que n&#xE3;o pode vir, tamb&#xE9;m me mandou um whatsup sugerindo: &#x201C; Um dos cl&#xED;max do livro &#xE9; a carta da irm&#xE3;!!!! Quase a meton&#xED;mia do enredo do romance&#x2026;&#x201D; Lemos ent&#xE3;o um trecho da carta, bel&#xED;ssima, da irm&#xE3; que vai para a It&#xE1;lia e pede ao irm&#xE3;o que n&#xE3;o pare de estudar. Na verdade esta &#xE9; a &#xFA;nica rela&#xE7;&#xE3;o familiar n&#xE3;o destro&#xE7;ada. Maria Clara leu o trecho em que Guershom fala que Atalia, sua nora &#xE9; sua &#x201C;Kon&#xE1;&#x201D;, que no hebraico contempor&#xE2;neo, feminino de &#x201C;kon&#xE9;&#x201D;, quer dizer compradora, mas no hebraico b&#xED;blico tem o sentido de criador e dono. Assim, At&#xE1;lia era a sua &#x201C;dona&#x201D;. E foi imposs&#xED;vel esgotar todas as maravilhas do livro que merece uma segunda leitura, uma terceira. Assim, de literatura, p&#xE3;o e vinho, a amizade de todos do grupo, a cada encontro se alimenta e fortalece. O almo&#xE7;o estava magn&#xED;fico.</description></oembed>
