Clube de Leitura do Vale Criativo

No dia 28/06, um domingo, tivemos a nossa noite de onça, de Maria-Maria, na relação erótica entre um humano que antes havia sido um desonçador e que no momento do conto, é parente das onças, e a mais bela das onças é a sua paixão. Este homem recebe uma visita, um viajante perdido. Jamais se ouve a sua voz, mas aos poucos, nós, os leitores e o homem invisível, vamos nos dando conta que o dono da choupana tem sede de sangue. Estou falando do Meu tio, o Iauaretê, um conto magnífico de Guimarães Rosa, que foi publicado antes da sua morte na Revista Senhor e está no livro póstumo Estas Histórias. Como é um monólogo, foi o livro do mês do Clube de Leitura do Vale Criativo, aqui em Mauá. Cada pessoa leu um trecho do conto numa leitura dramatizada, afinal são quase todos alunos do teatro. Uma noite magnífica, de lua cheia e cheia de bons vinhos e petiscos. Sou a coordenadora deste lindo Clube de dramaturgia e agradeço tanto a Julia e ao Pedro a confiança que depositaram em mim. O Meu tio, claramente, dialoga com o conto do Balzac, Uma Paixão no Deserto.

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No dia 3/05 , sempre aos domingos, o Clube de Leitura do Vale Criativo se reuniu no Teatro para conversarmos sobre a peça que lemos , “Testemunha de Acusação”, de Agatha Christie. Agatha escreveu essa peça incrível em forma de conto e mais de 25 anos depois a transformou em peça, mudando o final. Mas, ao chegarmos ao Teatro, no balcão, cada pessoa deixava uma iguaria . Vinhos e iguarias para discutirmos um livro numa noite fria de chuva, o que pode existir de melhor? É uma turma de atores, e ler dramaturgia além de fazer todo o sentido, é a construção de uma biblioteca de grandes autores dentro de cada um. Um assassinato. Uma velhinha. Uma Governanta. Um julgamento. É Agatha Christie. Qualquer um pode ter matado a velhinha. Agatha trabalha com perfeição para isso. A descrição dos cenários é minuciosa , como se a autora estivesse também dirigindo os atores, pois ela diz ao ator: – você cruza a lareira por aqui… você passa por ali… Ela deixa um recado para os Diretores. Ela pede para não desistirem do grande número de atores no palco. Se for preciso, podem chamar gente do público,da plateia. E soubemos pela Júlia, que nesse exato momento a peça está sendo encenada em Londres e o júri é feito com gente da plateia! Ela também marca a iluminação. É maravilhosa a descrição dos personagens. Algumas vezes hilária. E o final, totalmente inesperado, é simplesmente magnífico. Mas aconteceu algo inesperado, de repente, ao ler um trecho, Júlia fez uma leitura dramatizada e Regina continuou. Foi tão bom que combinamos que a partir de agora, isso se fará sempre. Afinal, todos são atores.

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O Clube de Leitura do Vale Criativo se reuniu no teatro, em Visconde de Mauá, para conversarmos sobre o livro Hamnet , de Maggie O’Farrell. Muitos viram o filme. Mas muitos não viram, então, nos concentramos no livro, com algumas pinceladas do filme. A beleza, tristeza, angústia dos personagens nos tocam profundamente. Agnes, que sai viva da sua época para nos habitar, essa mulher que sai da sombra para nos deslumbrar, profunda conhecedora de ervas, árvores e corações, é quem nos diz: viram, nós mulheres existíamos! Cenas vivas se transformaram em palavras vivas. Foi belíssimo o nosso encontro, com vinhos e pães e pastinhas e etc, antes e na saideira. Na minha opinião, todo Clube de Leitura tem que ter algumas comidinhas. Próximo livro? Um Bonde Chamado Desejo, de Tenesse Williams, um grande Clássico do teatro e do cinema.

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Discutir a peça Liberdade, Liberdade, do Millôr Fernandes e Flávio Rangel, foi uma tarefa poética muito potente. Assisti a peça com 14 anos e algumas cenas ficaram todos estes anos intactas dentro de mim. Um leitor, o Cláudio, encontrou a gravação no Spotify e ouvir Nara Leão cantando e a voz incrível do Paulo Autran, as cadeiras rangendo, depois de ler o livro, foi viajar no tempo. Impressionante este espetáculo Resistência, cujo fio condutor, numa colagem costurada com sangue é a palavra Liberdade, desde a Grécia antiga com o envenenamento de Sócrates, até sempre. A peça, encenada em 1965 e proibida logo depois, é atualíssima, nessa saudade que muitos sentem da tirania. O poema Liberdade, do Paul Éluard, foi lido em voz alta por todos, cada um falando uma estrofe. Nosso encontro, regado a amor, vinho e delícias, é acalanto. O Clube entra em recesso e volta em janeiro.

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“Esperando Godot” de Samuel Beckett foi a peça que discutimos neste fim de setembro, início da Primavera. Beckett inaugura o Teatro do Absurdo. Esperando Godot, essa espera contínua, o absurdo da vida, o não sentido da vida é encenado num palco vazio, num não tempo, num não lugar, apenas uma árvore sem folhas, hibernando ela própria, acrescentando ao vazio o seu próprio vazio. Com dois pares de personagens, dois vagabundos e um Senhor e seu escravo e um menino, que também são dois, mensageiros de Godot. Os diálogos são mecânicos, as palavras são ocas, também vazias, como para encher o ar de som, como se o silêncio fosse insuportável. Esperando o quê? Quem é Godot? Diante do non sense da existência, os vagabundos esperam, quem sabe, um prato de comida, um lugar para dormir. O Senhor e seu Escravo esperam a liberdade? Precisamos nos lembrar que a peça foi escrita logo após o final da II Guerra, a Europa recém se reconstruia, milhões de pessoas foram despojadas de seus próprios nomes. Vladimir e Estragon, os vagabundos ao menos possuem nomes, como o Pozzo e seu escravo Lucky. Godot seria a espera eterna de uma humanidade plena, de uma utopia nunca realizada? Godot seriam as três folhas vivas na árvore, que também as esperava? Para encontrar Godot cada um deve escolher que sentido quer dar à sua própria vida?

Lançamento

Transformei minha amiga Juliane Carvalho em personagem no conto que escrevi. A CHAPELEIRA MALUCA, no meu conto, faz chapéus maravilhosos que mudam pensamentos. O pano de fundo é uma floresta, claro, inspirada em Mauá. O conto virou um E book gratuito, com os desenhos de Mariana Massarani que ganhei de presente. Fazer um lançamento aqui na montanha não é a mesma coisa que fazer um lançamento na cidade. Quando cheguei ao Centro Cultural da Márcia Patrocínio, com os pães artesanais de vários tipos, os vinhos e queijos e pastas de truta, tomate seco e pesto, as mesas já estavam prontas. A Juliane levou seus chapéus na sua mala belíssima. Cada chapéu mais bonito que o outro. E os livros impressos dentro de bolsas lindas exalavam ternura. Tudo começou com o Coral de Visconde de Mauá regido pela Márcia. De arrepiar. E a festa seguiu por horas e horas o seu caminho luminoso.

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Ler uma peça de teatro tem sido uma experiência gratificante para todos , muito diferente de ler um romance ou um conto. O que desejo é construir uma pequeníssima biblioteca com os Grandes autores de teatro. O auto do Ariano é simplesmente divino e endiabrado. Remonta a Gil Vicente, nos traz o cordel nordestino, os saltimbancos, o circo. Com uma crítica feroz a todo o poder, a Igreja, os patrões, também é uma ode à amizade e ao perdão. Um retrato vivo das mazelas do sertão nordestino da época em que foi escrito, tudo isso em tom de farsa e comédia. Nossa próxima leitura será Esperando Godot, de Becket

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O Clube de Leitura do Vale Criativo enfrentou no dia 25/06 um frio intenso e A Tempestade de Shakespeare. Cada pessoa trouxe alguma gulodice e o que quisesse beber. Antes de entrarmos no teatro, conversamos muito do lado de fora, comemos, uma taça de vinho na mão para esquentar. Dentro do Teatro discutimos a peça em algumas das suas muitas camadas. Primeiro como um conto de fadas, na esfera do maravilhoso. As intrigas da corte, a magia, os poderes do Próspero, a “monstruosidade” do Calibã, o final feliz. Numa outra camada, uma crítica ao colonialismo. Era a época das grandes potências conquistadoras. A figura de Calibã, o dono da ilha, visto como monstro, puro instinto, e logo escravo, versus a cultura que dava a Próspero poderes mágicos com o seu saber. O perdão de Próspero ao irmão que lhe usurpou o cargo e o enviou para a morte com sua filha Miranda, nos fez refletir muito. O esperado seria a vingança. A peça então, termina com o final super feliz, não só com o perdão, mas com o casamento de Miranda e Ferdinando.

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Nosso encontro no Clube de leitura do Vale Criativo para conversarmos sobre Édipo Rei de Sófocles foi riquíssimo. Conseguimos desvendar algumas camadas desta tragédia. Muita gente do grupo faltou e decidimos aceitar participantes de fora do Teatro. Quem se animar fale com a Julia Fajardo. Nosso próximo livro será A Tempestade de Shakespeare .

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Foi pura magia o primeiro encontro do Clube de Leitura do Vale Criativo com o livro de Memórias da Fernanda Montenegro , Prólogo, Ato, Epílogo. Estou radiante com a participação e entusiasmo dos leitores. E depois da nossa discussão, vinho e comidinha no bistrô do Babel no Teatro.