O Encontro
Ontem foi um dia luminoso, o nosso encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela. Primeiro chegou Pepito, todo de branco, era seu aniversário e ele está apaixonado . Depois o povo de Duque de Caxias, que amo de paixão. Eles vieram na véspera e dormiram em Saquarema para não perder a hora! Andrea me trouxe um vaso de pimenta roxa, ela me disse: já que o livro é apimentado… Felipe e Cris envolveram a sala em alegria. Angela, professora de Saquarema e sua aluna, Thaís, Evelyn, Luis, Juan, Tia Alice, nosso caseiro Samuel , Francisco, cada vez a sala ficava mais cheia. Angelo, leitor do blog, poeta, professor de educação física e leitor voraz, chegou com uma braçada de flores, eu não o conhecia. Para começar Pepito leu um poema em espanhol da sua coletânea de poemas sobre tangos. Angelo falou de cor um poema de sua autoria. Juan, Luis e Pepito leram um trecho do discurso do Vargas Llosa na entrega do Nobel. Então começamos a conversar sobre As Travessuras da Menina Má. Reviramos o livro, os personagens, as situações. Cada um contou alguma história do seu acervo pessoal…Falamos dos amigos espalhados pelo livro, da solidão da Menina Má, do belíssimo personagem que entendia a lingua do mar. Então chegou Angela, leitora do blog e sua cunhada, professora de arte . Chegaram atrasadas porque havia um engarrafamento muito grande. Trouxeram dois bolos, um preto e um branco. Mas ainda puderam participar das discussões. O livro foi unanimidade: todos amaram. Ninguém havia lido Vargas Llosa antes e Francisco já havia comprado Pantaleão e as Visitadoras. Acho que agora todos vão querer ler outros livros do autor. Já marcamos nosso próximo encontro, dia 30 de abril e o livro é Viva Chama de Tracy Chevalier, ed. Bertrand Brasil. É um romance interessantíssimo que gira en torno da figura do William Blake e a autora é a que escreveu Moça com Brinco de Pérola. Éramos 18 pessoas numa mesa gigante e brindamos e celebramos a literatura e a vida. Cantamos parabéns para Angela e Pepito. Ontem tinhamos no Clube duas Angelas e um Angelo. Mas na verdade a casa estava cheia de anjos.
Clube de Leitura da Casa Amarela
Ontem éramos 14 pessoas . Nos apertamos em volta da mesa da varanda e coubemos todos. Quando criei o Clube pensei nos professores de Saquarema, mas ontem eram minoria. Vieram de Duque de Caxias, Teresópolis, Rio. Discutimos o livro a Distância entre Nós de Thrity Umrigar: toda a tristeza, o sofrimento e a beleza da trama. A grandeza, a força de Bhima, que conduz a história. Muitos acharam o livro pesado demais, desesperado demais. Outros se identificaram com algumas situações, alguns personagens. Uns sentiram ternura, outros, raiva, até ódio. Felipe, Secretário de Leitura de Duque de Caxias disse que nunca mais queria ler um livro indiano na sua vida. Que nunca havia lido um livro tão pesado. Evelyn , minha irmã, falou de nossa babá Eunice, que entregou o próprio filho para outra pessoa criar para nos criar. Assim como Bhima entregou a sua vida a uma família estranha. Discutimos preconceitos, comparamos India e Brasil, acho que foi muito positivo. Ganhei muitos presentes: Andréia trouxe uma compota de pera, tão linda que dá pena comer. O vidro foi decorado pelo grupo e veio numa linda sacola de pano. Angela, leitora do blog, fez um livro artesanal desenhado por ela, com toda a minha viagem pela Espanha, que ela retirou daqui do blog. Emocionante. Os depoimentos eram belos: Gil nos contou a sua ternura por Bhima, a personagem do livro que era empregada doméstica, pois sua mãe também era empregada doméstica. Thais nos contou que sua mãe havia falecido uma semana atrás e que durante a doença da mãe o livro a ajudou muito. Delma fazia anos e fiz um bolo-surpresa para ela, mas a minha surpresa é que ela trouxe um bolo! todo azul, feito pelo namorado. Tivemos dois bolos e ela teve que apagar muitas velas. Agradeço a todos a presença. Nosso próximo livro : As Travessuras da menina Má, Vargas LLosa e nosso encontro será no dia 5 de fevereiro.
Clube de Leitura da Casa Amarela
Há mais de 30 anos saboreio as poesias de Roseana Murray, com meus alunos, com minhas amigas no nosso “círculo de mulheres”: ” quantas mulheres existem escritas em minhas paredes secretas como é secreto um rio correndo dentro da noite.” Tenho como livro de cabeceira – Paredes Vazadas – hoje esgotado. Leio e releio (são deles os versos que aqui, nesse texto,transcrevo): seus versos me atingem fundo e me fazem emergir como um ser humano melhor. No início desse ano,trabalhamos,no “círculo de mulheres”,seu poema Genealogia: ” Morro ao contrário e viro minha mãe ela vinha da Polônia sem adivinhar que me carregava em seu destino.” Mergulhamos em busca de nossas mães, avós, bisavós. E as fizemos ressuscitar em nós mesmas. Descobri o blog da Roseana e lhe escrevi,contando sobre essa experiência emocionante.Ela respondeu com gentileza.E assim começou nosso contato: ela escrevendo em seu blog,eu comentando,ela respondendo.Ao ler sobre ” O clube de leitura da casa amarela”,eu suspirei: quem me dera poder participar dele.Professores se reúnem,depois de ler o livro indicado e conversam sobre o autor e sua obra. O próximo seria dia 7 de agosto. Eu lhe escrevi sobre minha inveja!Ela me convidou: venha.O livro Quase- Memórias ,de Carlos Heitor Cony,é a senha. Minha primeira reação: eu? Na casa de Roseana Murray? Quem sou eu!!!! Minha segunda reação: por que não? “Se existe uma vontade,existe um caminho” – eu tinha escrito na minha página do orkut.Transformei essas palavras em ações. Iara,minha nora que mora na França ( mulher do meu filho caçula – músico),adora os poemas de Roseana: eu a apresentei a eles.Escreve sempre no blog dela,também. – Posso convidar minha Norinha? – Claro que sim,ela será benvinda. Assim coloquei em movimento a roda da vida,acionada pelo meu desejo.Iara comprou as passagens de avião( ela estaria no Brasil nessa época,visitando a família),eu agendei com minha irmã caçula-mineira-carioca as aulas de dissertação que daria ao meu sobrinho-afilhado-pré-vestibulando para quase final de julho.Pronto! Lá fui eu,rumo ao Rio de Janeiro. No dia 7 de agosto,meu cunhado e minha irmã nos levaram até Saquarema,onde mora Roseana e seu marido,o jornalista-escritor Juan Arias.Em duas horas estávamos chegando à cidade turística,cuja atração maior é seu mar bravio. Às 11,10 h fomos recebidos no portão com um abraço caloroso!Roseana ficava repetindo: você veio,você veio! A casa é mesmo amarela e fica de frente para o mar.Do segundo andar a vista é deslumbrante: céu e mar se fundem,alegres. As pessoas foram chegando( o pessoal de Duque de Caxias se perdeu mas chegou a tempo).Sentamo-nos na sala,em círculo: éramos 13 pessoas.A conversa sobre o romance denso e lírico de Cony correu fácil,às vezes alegre,às vezes emotiva,como o próprio livro.Experiências foram trocadas.Lágrimas discretamente enxugadas.Histórias pessoais divididas.Um banquete,do qual me alimentei com entusiasmo e alegria! Às duas horas nos foi oferecido um almoço na varanda: pão,feito pela dona da casa,tabule e arroz com bacalhau.Sobremesas deliciosas: creme de chocolate e pudim de goiaba com ricota( a minha diabetes foi fechada no fundo da gaveta e esquecida, naqueles momentos).Quando descobri que a cozinheira era de São João del’Rei foi uma festa só: encontrar uma conterrânea em Saquarema e provando sua deliciosa comida! Depois do cafezinho,Iara nos presenteou,cantando “Lua branca” de Chiquinha Gonzaga.Sua voz cristalina e suave invadiu a tarde,invadiu o coração das pessoas e arrancou lágrimas e histórias compartilhadas. Evelyn, irmã de Roseana, é artista plástica e esteve o tempo todo conosco,participando com alegria. No fundo da casa amarela,um jardim.Lá fizemos a sessão de fotos. Livros de Juan Arias e Roseana foram distribuídos pelos anfitriões.Levei “Um por minuto” de Luís Gustavo ( meu filho mais velho) e coloquei dedicatória para todos: agradecimento pelos momentos perfeitos que dividimos. Às 15 horas ,como combinado,Fátima e Luís Cláudio vieram nos buscar.Despedidas chorosas! No caminho de volta ao Rio,só falávamos em Juan,Roseana,Evelyn e todo o grupo de professores. Em Minas revelei as fotos.Não me canso de olhá-las.Sorrio e faço sempre uma oração de gratidão.E me lembro de um artigo que li,depois que voltei para casa: a vida lhe faz convites inesperados e o que você responde? Eu disse SIM!SIM! E minha ousadia me proporcionou momentos que viverão em mim.Para sempre! ” Que trem é esse esse trem da minha vida que anda por trilhos de luar e abismo.”