Peru de Natal

Uma vez ao ano o encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela acontece no sítio de dois leitores, na zona rural de Saquarema, na frente da lagoa, um lugar de indescritível beleza. O primeiro encontro seria na nossa casa de onde saímos em caravana. O caminho até lá já é absolutamente deslumbrante. Ao chegar fui saudada ruidosamente por um peru, em homenagem ao conto do Mário de Andrade. Os donos da casa avisaram: não parem os carros debaixo das mangueiras carregadas! Fui de carona com a Adelaide Vidal, pois não temos carro e nunca soube dirigir. Reencontrei Rafael Santana, que foi amigo do meu amigo Latuf, que ao partir para a Via Láctea com seus livros, me deixou órfã. Rafael Santana é professor titular da UFRJ de literatura e agora entrou para o Clube. Trouxe um pedaço do Latuf, que era seu orientador. Máximo Tarantini, cineasta italiano que vive alguns meses em Saquarema, também é um novo membro do Clube, assim como Paulo Luiz Oliveira, que publicou o livro Tamoios, a presença dos índios na nossa região. Começamos o encontro com o Conto de Natal do Dickens, numa discussão acalorada. Cristiano Mota Mendes lembrou que no século XIX o ocultismo estava na moda, o que de certa moda explicaria a aparição do fantasma do sócio Marley. Falou também da critica social que Dickens faz. Norma Estrela falou de Cronos. Ronaldo falou que astroógicamente Scrooge era um saturniano. Afinal todos concordamos que apesar de não sermos leitores do século XIX e às vezes o conto soar estranho aos nossos ouvidos, o que fica é a transformação de um ser humano, para que assim ajude a transformar uma sociedade tão cruel. Passamos para o maravilhoso Peru de Natal do Mário. Falamos da sua irreverência, de como o patriarcado ali se quebra e começa o reino feminino. Rafael trouxe a lembrança das festas pagãs. Fomos tão felizes nesse conto. Estávamos todos nessa mesa de pura alegria. No Presente dos Magos de O.Henry, nos emocionamos com um amor tão singelo e verdadeiro. Afinal os dois, despojados do que tinham de mais precioso materialmente falando,ficaram mais ricos, pois a consciência de terem um ao outro se fortaleceu. No Natal na Barca falamos da barca de Caronte mas também da barca que leva ao novo, falamos da travessia, da fé, de milagres. É um conto forte e belíssimo esse da Lygia. Natal na Terra das Neves nos levou a um lugar tão estranho para nós, tão inóspito. Nesse conto de Jack London, o Natal é a justiça. E a partida na escuridão rumo à luz. Belo conto. Na Missa do Galo as galinhas d’angola gritavam como loucas no jardim! saudando o conto. Novamente a questão da mulher na sombra e como por alguns instantes aquela mulher se ilumina, transborda, seduz. O conto é de um erotismo sutil e magnífico. Muito se falou então de Machado e Mário de Andrade. Para o conto Presepe, a surpresa: Ronaldo tocou no violão uma canção feita para o conto e cantou junto com Ana. Ronaldo Mota nos prometeu vir sempre aos encontros daqui pra frente. Cantaram ainda junto com Cristiano duas músicas do espetáculo teatral Barquinho, pois tinham algo do espírito do Natal. Felipe Lacerda leu um poema do Drummond. Eu li meu poema de Natal e Fernando leu um poema de Natal do Chico Peres. Então fomos para a mesa que ninguém é de ferro. Hélio e Fernando, nossos anfitriões, prepararam a mesa mais linda. Fizemos nosso amigo oculto de livros e poemas. Angela Maria Quintieri cantou com Ronaldo ao violão. Todos do grupo trocamos juras de amor, pois já somos uma família ligada pela literatura.Antonio Antônio Cesar Alves, Fátima Fatima Alves, incansáveis em sua delicadeza, trazem muita alegria ao grupo. E os ausentes Gilcilene Cardoso, Maria Clara, Leila Bialowas, Jose Augusto Messias, Izabella Coutinho estiveram o tempo todo presentes. Teve bolo de aniversário para Felipe, Cristiano e para mim que faço anos dia 27. E fomos felizes para sempre. Ganhamos livros maravilhosos. Lindas escolhas.

O melhor lugar do mundo é dentro de um abraço

Chovia. A varanda estava molhada e úmida, então o nosso encontro com os alunos do EducandariodoBem De Saquarema aconteceu dentro de casa, na sala e ficou bem aconchegante. Eles já conheciam muitos dos meus livros e chegaram com perguntas inquietas que não queriam parar dentro da boca, então começamos pelas perguntas surpreendentes que me fizeram. Renan queria saber como é a mente de um poeta. Rayane queria saber como é a vida de uma escritora. Kamilla me perguntou qual o livro que mais gostei de escrever e porque decidi morar em Saquarema. Victor me perguntou como eu me sentia ao ler uma coisa que eu escrevi. Aiene queria saber que livro eu gostaria de escrever. Queriam saber da Babel, a nossa gata que se mudou para as estrelas. Falamos então sobre vida e morte. Falamos sobre os gatos. Disse para eles que a mente de um poeta talvez seja bastante parecida com a mente de um gato. Eles queriam saber o que é uma editora e como faço para conseguir publicar um livro. Eles tinham um poço inteiro de curiosidade e falei do meu livro Poço dos Desejos e li alguns poemas do livro. Li o poema do Abraço : DESEJO DE ABRAÇO Desejo de abraço nunca passa. Abraço é o nó mais delicado que há. Um braço aqui e outro lá e o coração se derrete, o corpo afunda na mais gigantesca felicidade. Fatima Alves disse que tinha no celular a música “O MELHOR LUGAR DO MUNDO É DENTRO DE UM ABRAÇO” do J.Quest e pedi para ouvirmos no final. Li também o poema “Desejo de ouvir o pensamento dos gatos” para falar um pouco da mente dos poetas. Eles falaram dos seus desejos. Falamos de leitura, da leitura do mundo. Eles queriam conhecer as nossas gatas. Juan buscou a Nana e a energia da sala era tão amorosa que Nana assistiu a tudo no colo do Juan prestando muita atenção. Ela adorou o poema dos gatos. A Luna, nossa gata persa bem velhinha, é bem tímida, um pouco autista e não gosta de multidão. Vinte pessoas para ela já é multidão. Fizemos a brincadeira da Orquestra Noturna, do livro Caixinha de Música e finalizamos com a música do J.Quest. Então, antes do lanche, todos nos abraçamos muito e de verdade. Havia parado de chover e eles escolhiam o que queriam comer na mesa, bolo, pão recheado feito por mim, panetone, suco, café com leite e iam lanchar no jardim. Ninguém queria ir embora. Havia, como no meu poema do livro Poço dos Desejos, um desejo de parar o tempo.

E.M. Joaquina

As crianças da E.M.Joaquina vieram de longe para o nosso encontro Café, Pão e Texto. As professoras com Elcimar, a Diretora, são amorosíssimas!!! A Lilliam, filha da nossa caseira Vanda fez muito sucesso com suas coxinhas de galinha e foi seu primeiro contato com o meu projeto, pude então medir com uma fita métrica de nuvens, o tamanho do seu impacto. Ela ficou encantada. Tivemos o momento pipi, o momento jardim, o momento poesia. Apresentei meus novos livros e brincamos muito. Adoro brincar. Eu não tenho idade. Eles não conheciam o mar!!! A Secretária de Educação , Miriam Inês, veio com sua equipe e até fotógrafo profissional. O que acontece aqui é o evento mais luxuoso possível. Crianças e adultos entrelaçados com os fios leves e densos da poesia. Agradeço a Vanessa Coelho o seu carinho comigo. E a E.M.Joaquina nos ajuda a pensar que uma educação diferente é possível.

E.M. Magid Repani

Gosto da palavra azáfama.As palavras que os árabes nos deixaram são lindíssimas. O dicionário me diz: grande pressa e ardor para executar uma tarefa. Pois bem, hoje de manhã corri bastante para deixar tudo ponto para o café da manhã com a E.M. Magid Rapeni, de Magé, R.J. Kátia Costa me disse que sairiam da escola às 7:00 e de Magé até aqui não é tão longe assim. Umas duas horas. Acontece que se perderam e chegaram com um pouco de atraso, mas já estava tudo pronto. Fiz dois pães imensos recheados com muzarela, bolos, pães doces, sucos, café com leite. As crianças eram pequenas, da terceira série, lindas, maravilhosas. Um menino passou mal no ônibus, vomitou e tomou um banho no meu banheiro, coitadinho. Mas logo ficou todo animado. Assim que chegaram correram todos para o jardim. Como eram pequenos, resolvi fazer muitas brincadeiras com os poemas. E comecei perguntando do que é que eles brincam na hora do recreio. Para minha surpresa, brincam de tudo de antigamente. Cabra-cega, amarelinha, queimado, escolinha, casinha, etc. Li então alguns poemas do livro Brinquedos e Brincadeiras, ed. FTD. Fizemos a Orquestra Noturna, e Unidunitê, do Caixinha de Música. Fizemos o Caldeirão da Bruxa, com o Poemas e Comidinhas, ed. Paulus. Eles já haviam visto o vídeo no meu site e amaram fazer o poema e a bruxaria sugerida. Fizemos o poema Cada Macaco no Seu Galho, do livro Quem Vê Cara Não Vê Coração, ed. Callis e foi divertidíssimo, pois todos imitavam macaco e tinham que trocar de lugar com o amigo. Depois lancharam , voltaram pro jardim e finalmente o momento mais esperado: O MAR!!! Muitos não conheciam o mar. Foi muito emocionante. Na volta limpar os pés no jardim com a mangueira também foi um momento maravilhoso. A escola tem um IDEB de 6.1,o melhor do Município e assim se pode avaliar a dedicação das professoras e da Diretora Kátia Costa. Até os motoristas participaram arrumando e desarrumando a varanda para o encontro. Na hora da despedida todos queriam morar aqui para sempre.

E.M. Clotilde

Hoje de manhã recebi a E.M.Clotilde, escola rural de Sampaio Correia, Saquarema, dentro do Projeto Café, Pão e Texto, pelas mãos da Professora Delma. Não havia mais vaga, pois recebo uma escola por mês e dia 5 já receberei uma escola de Magé. Mas como a Secretaria de Educação de Saquarema me pediu, eu não podia negar. Eram apenas quinze crianças da quinta série e os professores e o marido da Professora Delma que veio ajudar. Hoje não era dia do nosso caseiro , então esperamos a escola chegar para que todos ajudassem a arrumar a varanda. Clodoaldo, da Secretaria de Educação, o marido da Delma e as professoras e alunos ajudaram a mover mesas e bancos e logo a varanda estava arrumada para o nosso café literário. Pão, queijo, bolo, sucos, café com leite, sonhos… muita coisa gostosa. Comecei lendo o conto “Um Presente de Natal” de O’Henry. O conto era grande, por isso eu parava em cada parágrafo para que a gente fosse conversando. As crianças amaram. O conto é belíssimo. Depois apresentei meu novo livro “Coração à Deriva” com as maravilhosas ilustrações da Cláudia Simões, ed. Rovelle. Contei a história que construí com os poemas, mostrei as aquarelas , li algumas poesias e eles amaram. Depois fizemos alguns ditados populares do meu livro”Quem vê cara não vê coração”, ed. Callis, e então fizemos uma orquestra com o livro “Caixinha de Música” , parceria com meu filho Guga Murray, ed. Manati. Fizemos também o jogo Unidunitê, com meu poema com o mesmo nome. Fechei com o poema da paz, do meu livro Poço dos Desejos, ed. Moderna. Café, pão, texto, jardim. A criançada foi toda para o jardim descobrir as orquídeas floridas. Uma menina com olhos de gato me disse que o maior sonho da vida dela era vir na minha casa me conhecer! e que era louca por orquídeas. Eles fizeram muitas fotos no jardim, passeavam no jardim como se estivessem no Éden. E na saída me encheram de beijos e abraços, uma cachoeira de amor.

Mestres do Amor

Há uma magia e um mistério nos encontros. No Clube de Leitura da Casa Amarela essa maravilhosa alquimia sempre se repete. Ontem discutimos Judas, do Amos Óz e A Última Escala do Velho Cargueiro, do grande escritor colombiano Álvaro Mútis. Cristiano, que foi quem sugeriu a leitura do Judas, não pode vir, mas me escreveu pelo whatsup oferecendo uma chave para o elo entre os dois romances: “ Puxe pelas duas mulheres dos romances. São personagens extraordinárias. Mestres do amor, como Diadorim foi para Riobaldo”. Suzana Vargas sugeriu que um bom começo seria ler um trecho do velho cargueiro. Ela sempre faz isso em seus encontros de leitura. Adorei a idéia e escolhi o primeiro encontro do narrador com o navio, quando vai a Helsinque e quer chegar ao extremo da Finlândia para ver as cúpulas douradas de São Petersburgo. Felipe Lacerda, que voltou ao Clube quase depois de um ano de ausência, leu em voz alta, já que além de ter passado em primeiro lugar no concurso para professor em Duque de Caxias, é ator. Há uma beleza tão imensa nesta cena, é tudo tão absolutamente perfeito, que todos ficamos sem fôlego e a partir daí recontamos o romance que tem dois narradores, já quem um deles conta a história que ouve de outro. E o livro é uma incrível história de amor. E ao unir as duas mulheres dos dois livros ,Warda e Atalia, que são duas mestres do amor, foi possível começar a discutir o Judas, um dos melhores livros que já li na vida. Fizemos a mesma coisa, comecei lendo o primeiro parágrafo: “ Eis aí uma história dos dias de inverno no final de 1959 e início de 1960. Nesta história há erro e desejo, há amor frustrado e certa questão religiosa que ficou aqui sem resposta. Em alguns prédios ainda se reconhecem os sinais da guerra que há dez anos dividiu a cidade. Ao fundo dá para ouvir o toque distante de um acordeão ou os sons nostálgicos de uma gaita ao entardecer, por trás de uma persiana cerrada.” O romance inteiro já está aí, concordamos todos. Neste trecho mínimo Amos Oz já nos joga neste lugar, Jersusalém dos anos 60, já nos situa historicamente, falando das ruínas da Guerra da Independência, e nos fala de erro e desejo, e ao evocar os sons nostálgicos da gaita, também nos fala de memória. E a maior questão do livro que tem muitas e muitas camadas é a traição. Suzana Vargas disse que a epígrafe também diz o livro inteiro: “Eis que corre o traidor na beira do campo. Não ao vivo, mas ao morto que há nele a pedra mirava. Nathan Alterman” Shmuel, o estudante, nos é oferecido em sua inteireza quebrada. Ele perde tudo de uma só vez: a namorada, a mesada dos pais para poder estudar, a irmã que vai para a Itália. Então começa a sua aventura, ao aceitar o emprego de “distrair” e cuidar um pouco do velho intelectual, Guershom Wald. Shmuel escreve sua tese. A de que Judas não era um traidor, mas sim o discípulo que mais amou Jesus. O próprio avô de Shmuel foi considerado traidor pelos israelenses e assassinado, quando na verdade era um agente duplo. O pai de Atalia foi considerado um traidor, pois antes da Declaração do Estado de Israel pela ONU, ele pregava um não Estado, com árabes e israelenses vivendo juntos e misturados, sem fronteiras. Ele, como um profeta, já previa a carnificina futura. Então Amos Óz, concordamos todos, desarruma o conceito de traição. Os traços físicos, o cheiro de cada personagem é tantas vezes reforçado, que eles saem do livro e estão ali, bem diante dos nossos olhos, de carne e osso. Suzana Vargas mos diz que Amós Oz parece que escreve fazendo cinema. Gilcilene fez um depoimento lindíssimo. Ela disse que a cada encontro do livro seus preconceitos são destruídos, há uma desconstrução de tantas idéias preconcebidas que ela tinha. Fernando, Helio, Cesar, Flora, tantos falaram sobre a traição de Judas, e do que seria o mundo e o cristianismo se o judaísmo tivesse aceito Jesus. Shmuel , em sua tese, sustenta que, ao contrário, não foi uma traição. Judas não era um traidor. Abravanel não era um traidor, o avô do Shmuel não era um traidor. Falamos todos da beleza e do cuidado que havia entre Shmuel, o estudante e Guershom, o velho. Do cuidado com que Alalia, a mulher misteriosa e inalcançável tem com o estudante, ela, a sua “mestre do amor”. Messias , que não pode vir, também me mandou um whatsup sugerindo: “ Um dos clímax do livro é a carta da irmã!!!! Quase a metonímia do enredo do romance…” Lemos então um trecho da carta, belíssima, da irmã que vai para a Itália e pede ao irmão que não pare de estudar. Na verdade esta é a única relação familiar não destroçada. Maria Clara leu o trecho em que Guershom fala que Atalia, sua nora é sua “Koná”, que no hebraico contemporâneo, feminino de “koné”, quer dizer compradora, mas no hebraico bíblico tem o sentido de criador e dono. Assim, Atália era a sua “dona”. E foi impossível esgotar todas as maravilhas do livro que merece uma segunda leitura, uma terceira. Assim, de literatura, pão e vinho, a amizade de todos do grupo, a cada encontro se alimenta e fortalece. O almoço estava magnífico.

E.M. Brasil

Hoje, na minha casa, tive a honra de receber uma escola absolutamente extraordinária. a E.M.Brasil, uma escola da periferia do Rio, de Olaria. A escola tem um dos IDEBS mais altos de todo o Estado do Rio: 6.8 Este desempenho se deve ao ofício do sonho. A escola prioriza a literatura e a arte. E o que vivi hoje foi tão emocionante que não podia acreditar! Um grupo de 20 adolescentes, absolutamente apaixonados por literatura! A escola vai participar da FLUPP, uma Festa Literária que irá ocupar três dias inteiros e alguns autores e seus livros estarão presentes . Meus livros Colo de Avó, Diário da Montanha, O Mar e os Sonhos e Brinquedos e Brincadeiras foram os escolhidos. A turma é muito afiada. São pensadores e sonhadores. Comecei lendo um conto do meu livro Exercícios de Amor. Falamos sobre amor amizade, sobre processos de criação. Eles fazem aulas de teatro e artes visuais na escola. Agora estão trabalhando com mandalas. Falamos sobre o efeito curativo das mandalas e das cirandas, falamos sobre Bispo do Rosário e o Museu do Inconsciente da Dra. Nise da Silveira. Falamos sobre identidade. Os alunos leram em voz alta alguns poemas do meu livro Carteira de Identidade. Falamos dos nomes de cada um e seus significados. Gritamos nossos nomes para o Universo ouvir. Tocamos em temas duros como gravidez precoce, suicídio, adolescentes que se cortam. Falamos da importância das palavras. Há palavras que ferem e destroem pessoas. Outros alunos leram alguns poemas do meu livro Poço dos Desejos. Falamos sobre os desejos. Amanda disse que o seu desejo é ler todos os livros possíveis, ler infinitamente. Brendo disse que seu desejo era dar para a sua mãe em dobro tudo o que recebeu Marcela disse que seu desejo era não errar, acertar sempre. Juan Arias, meu marido, falou que isso era impossível. Erramos e acertamos. E disse que a ciência faz novas descobertas errando. Lygia quer se formar em medicina. Chandler quer realizar todos os seus desejos. Eles estavam acompanhados de Carla, a coordenadora do Projeto Flupp, Rosângela, Regente da Sala de Leitura e uma mãe que parecia uma aluna. Vieram todos com a camiseta que idealizaram para a Flupp: “Caminhos de Murray” com um desenho lindo. Tomamos um café da manhã tardio: cachorro quente, coxinha de galinha, (a filha da Vanda fez) bolo, chocolate quente (que ninguém quis) e suco de caju. Os jovens foram ver o mar de ressaca. Foram ao jardim. Fotografaram MUITO e no final de tudo demos um grande abraço coletivo bem apertado e gritamos de felicidade. Urramos. Daqui foram visitar a Igreja de Saquarema.