Sala de Leitura Roseana Murray

Hoje foi dia de festa na Sala de Leitura que leva meu nome, na ,E.M Clotilde de Oliveira Rodrigues, em Sampaio Correia, em Saquarema. Qual o motivo? Amor! Estavam querendo ver a pessoa que dá o seu nome para o lugar, que segundo eles e elas, é o paraíso da escola. Já na chegada um menino era o meu anfitrião e tive que passar por um corredor de crianças e jovens que cantavam para mim. Dentro da Sala de Leitura, que é linda, crianças declamaram meus poemas com fantasias, recebi corações com as mais belas declarações, declamaram seus próprios poemas. Depois fomos para a Sala de Multimeios, onde estava reunido o Clube de Poesia. A porta estava pintada de azul com uma janelinha amarela, com o número da minha casa. Estava fechada. Bati na porta. Abriram. E aí quase morri de emoção: fizeram instalações belíssimas com os meus livros. Cada espaço mais lindo que o outro. Três meninas estavam fantasiadas de três velhinhas tão velhinhas. Foi uma viagem incrível ao universo da minha poesia! Na hora de ir embora um grupo me agarrou e foi o abraço coletivo mais maravilhoso! Ninguém queria me largar!!! E por causa do livro Colo de Avó e Caixinha de Música, ainda ganhei uma miniatura de caixinha de música que é uma máquina de costura. PS: As crianças leram os poemas SUPER BEM!!! E estavam radiantes de felicidade.

Clube de Leitura da Casa Amarela

O encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela é sempre uma festa. Uns chegam, outros somem, alguns voltam, mas o Clube resiste desde 2010 e é sempre maravilhoso estarmos juntos em volta de um ou dois livros. Os livros indicados eram De Repente nas Profundezas do Bosque, de Amós Oz e Momo, de Michael Ende. Os dois livros se entrelaçam. Intolerância, exclusão, medo, culpa, na belíssima fábula do Amós Oz, tema mais do que urgente. Em Momo, toda a questão da escuta e do tempo. Os dois livros são atualíssimos. Nos dois são as crianças que podem nos resgatar. Os livros foram amados por todos, lidos, relidos, sublinhados e são tesouros que jamais nos abandonarão. Além dos temas, a escrita das duas fábulas, cada autor com seu estilo, são puro deleite. Uma fábula tem o dom de ser atemporal. Se “de repente nas profundezas do bosque” trabalha completamente no simbólico, nessa aldeia de onde todos os animais foram embora, e os personagens são, cada um, preciosos, em “Momo”, tudo se passa na cidade e o que são os homens cinzentos, o que representam, fica por conta de cada leitor. Pedi que cada um trouxesse um poema sobre o tempo, de qualquer poeta. Trouxeram Cecília, Fernando Pessoa, Neruda, Drummond, Rubem Alves e até Roseana Murray. E o almoço que a Vanda Oliveira preparou no fogão de lenha era pura poesia! E os vinhos, a torta dos aniversariantes, a champagne, a música do mar, tudo era amor e dádiva. A todos os que aqui estiveram e vieram de perto e de longe, agradeço tanto! Aos que não puderam vir o meu desejo imenso de que possam estar aqui no dia 8 de dezembro com O Livro dos Abraços, do Eduardo Galeano e um poema do Juan Gelman. Em tempos incertos, só a amizade e a literatura, o aconchego dos abraços pode nos consolar.

Café, Pão e Texto

Hoje recebi 20 Professoras das Salas de Leitura de Saquarema, pelas mãos de Roseléa Olímpio. Como hoje também havia recebido uma nova tiragem do meu livro Qual a Palavra, resolvi de última hora que nosso encontro teria a paz como tema. Comecei falando como sempre sobre a importância que deveria ter a Sala de Leitura numa escola. Digo deveria, porque em muitos lugares não é assim. Basta olhar o IDEB. Roseléa leu o livro, na verdade um poema mais longo, pois estou com um problema nas cordas vocais e estou quase sem voz. A partir deste poema falamos das mil questões que envolvem essa pequena e imensa palavra. Propus um exercício escrito. Disse a elas que todos sabemos o que a guerra faz, mas e a paz? A partir dos textos lindos que escreveram, nossa conversa tomou um rumo bem diferente do que eu esperava: a paz interior. Como se busca essa paz? Onde encontrá-la? Então falei do documentário brasileiro que vi: O Tempo que o Tempo Tem, imperdível, tem na Netflix. Falamos do tempo, do nosso tempo e suas demandas… e poderíamos ficar aqui falando até o final dos tempos! Foi um encontro maravilhoso. E fomos então para a mesa do café.

Joel Cardoso

POEMAS PARA METRÔNOMO E VENTO Roseana Murray – Guaratinguetá: Penalux, 2018, 110 páginas. Roseana Murray, minha poeta maior… Estou em falta com você. Recebi, há já alguns dias (alguns dias?… que ironia!… já se passaram mais de 30 dias), pelo correio, o livro que me enviou. Cada livro seu é um presente… presente dos deuses… “… o que não pode / ser dito, / onde carregar?” (“Entre as páginas”. p. 50.). Vou tentar me redimir, me justificar… Como estava às voltas com a elaboração do meu MEMORIAL, para ascender ao nível de PROFESSOR TITULAR (que submeto à apreciação da banca avaliativa no próximo dia 2 de outubro), estive o tempo todo preocupado com esta (ingrata) tarefa. Tarefa, repito, ingrata e incômoda, tentando organizar meu caos interior, mesmo sabendo ser “Impossível arrumar / o caos por onde trafegam / as horas (“As horas”, p. 43). Seu livro, seus poemas – que bom! -, foram um bálsamo que minimizaram minha ansiedade, meu atabalhoamento nesse percurso. Claro que cito você nesse memorial. Claro que transcrevo alguns de seus poemas. O poema “Ausência” (p. 62), por exemplo, abre a sessão em que relembro o ‘nosso’ Latuf. No embalo subjetivo que demarcam os passos dessa dança rememorativa, pareceu-me que o poema foi escrito para ele… Poemas não têm endereço… Nós os direcionamos… cada leitor se apodera deles amoldando-os às suas carências, às suas subjetividades, aos seus devaneios… O poema se constrói de palavras indizíveis, estações que, ao aflorarem, redefinem, e alinhavam saberes necessários e insubstituíveis, dos quais nós, às vezes, nem mesmo suspeitávamos. Retirando da vida o que de essencial a nossa sensibilidade permite. Por que “… o poema se faz / com a vida que se vai / vivendo” (“Farinha e Aurora”, p. 82). De repente, ‘não mais que de repente’, perguntamo-nos: “De onde vem / essa linha fina / de costurar poema?” (p. 12). Vem dos anseios da alma, querida… Criação primordial, a poesia se faz necessária. Se é alimento para a alma de quem a produz, se torna, de forma similar, essencial para quem lê. Somos atravessados e modificados pelos versos, aves canoras que, ao sair do corpo do poema, pousam mansamente em nosso ser. E sentimos que é como se sempre estivessem ali… Através dos poemas tomamos consciência de instâncias que desconhecíamos, instâncias que não supúnhamos existirem em nós… instâncias que, sufocadas, reprimidas, abafadas pelos ritos do cotidiano, buscam espaço para, ao domesticar a nossa solidão, quebrar muros cerceadores do nosso interior… Não é que “a vida / não é tarefa / pequena, / às vezes é dor / e pedra! (“Pipa”, p. 17)?… No poema, os versos, ao se manifestarem plenos, alados, lírica e sonoramente, pousam de mansinho em nós… Com a poesia desvendamos o que há de divino, o que há do sagrado-profano que paradoxalmente nos habita. Somos nós mesmos e as nossas sombras, as nossas regiões abissais dominadas, incorporadas… e somos, também, especularmente, o outro, em sua dimensão paralela… A poesia é o nosso registro de permanência no efêmero que se eterniza. Através dela, despimos as nossas mascaras, abdicamos dos nossos nomes, dos prenomes, dos pronomes… Reinventamo-nos… Conferimo-nos novos rostos, novas fisionomias e nos (a)firmamos, nos reconhecemos em todos eles… Buscamos novos sentidos, mais que isso, necessitamos deles. “Como desembaraçar / os fios, / os rios, / oceanos, / montanhas / as linhas do passado / e as teias do futuro?” (“Bagagem”, p. 57). A precariedade da palavra nos abre portas, nos conduz às metáforas… metáforas que alteram a rotação do nosso universo… Somos todos linguagem e escritura, signos e símbolos, realidades e devaneios, interligamos o efêmero à eternidade, soletramos alfabetos desconhecidos. Os poemas, ao se auto traduzirem, nos traduzem também. Textos que, numa teia interminável, remetem a outros textos. “Um verso simples, / sozinho, / não tece a manhã: / é preciso um galo / e um sol, / nas mãos um sonho / ainda sujo de estrelas / ainda sujo de infinito.” (“Um verso e outro”, p. 58). Assim como o dia, festa que nos surpreende a cada amanhecer, ao se revelar em suas nuances, movendo as nuvens do nosso céu interior, a poesia nos encanta, nos comove, nos absorve, nos alimenta. Somos a mistura do que fomos, com aquilo que, no presente, nos tornamos… somos também as nossas expectativas futuras, os nossos desejos de agora entrelaçados às marcas, aos vestígios de um passado que insiste, persiste, resiste. “O passado / era essa água / estranha, / feita de tempo, / ilusão, / bruma fugidia” (p. 37), e, quase sempre, tão exigente, tão ali bem pertinho, de plantão… Apaziguamos a noite dos nossos desejos… acendemos estrelas novas na nossa constelação eivada de desejos, povoada de ansiedades, modeladas pela amplitude da nossa solidão… E assim vamos nós “pelas ruas do tempo, / com as sobras, / o corpo abarrotado / de tudo o que pode / entornar no poema (“Sobras”, p. 38). Presente, exigência do agora, a vida singra e sangra na estrada dos versos… as palavras redefinem os contornos da nossa existência, realidade e sonho, testemunho e negação da realidade. Você personifica, para mim, a nossa poeta maior. Uma poeta que, despindo as palavras do sentido que as vestes do cotidiano lhe atribuem, confere novos sentidos a elas. Seguimos sempre, por vezes, à nossa revelia, sabendo que “em algum lugar / o destino / prepara as suas / encruzilhadas” (!Encruzilhadas”, p. 61). E isso é muito… Com você, me permito voar… Sabendo que “Para alçar voo / um pensamento / basta…” (“Lição de Voo, p. 52). Por isso eu a amo. Obrigado por tudo… Beijos n’alma Joel Cardoso – Universidade Federal do Pará – UFPA

Café, Pão e Texto

Com todo o frio e toda a chuva eles chegaram!!! O ônibus se perdeu e fiquei muito aflita. Mas a mesa já estava pronta e cheia de delícias e a alegria do nosso encontro era de todas as cores. Ganhei uma cesta cheia de maravilhas de Conceição de Macabu, mas as maiores iguarias foram as que ouvi . A Secretária de Educação, a Vivian, me contou: a Secretaria de Educação coloca a leitura como personagem principal em toda a rede. Os alunos têm aulas de teatro, capoeira, balé, jiu-jitsu, uma Escola de Música que possui um convênio com o Instituto Villa Lobos e a Secretaria de Esportes oferece aulas de canoagem e uma escola de futebol. Ela me diz que o Prefeito da cidade é completamente comprometido com as escolas. Fui escolhida como autora homenageada e a segunda Feira de Livros acontecerá a partir do dia 31 de agosto. Estão todos na maior felicidade me esperando. Fizemos o encontro dentro de casa e coube todo mundo. Falamos e falamos e li poemas e contei um pouco da minha caminhada. Um casal adorável veio fazer um vídeo, o Renato e a Elaine e ficou tudo gravado e registrado. Quando, depois da Feira, o vídeo ficar pronto, colocarei no meu site. A sessão de fotos aconteceu na praia e no jardim. Estou exausta, mas foi um encontro maravilhoso!!!

UMEI Áurea Trindade Pimentel de Menezes

Elas entraram trazendo a Eunice, uma boneca maravilhosa, que trabalha na UMEI Áurea Trindade Pimentel de Menezes, contando histórias para as crianças. Isolina Miranda me contou que a Eunice foi diretamente inspirada na minha Eunice, minha segunda mãe, que chegou na minha casa quando eu tinha três meses e só foi embora quando se aposentou, com meus filhos criados. A UMEI fica em Itaipu, tem horário integral e a Diretora Débora me conta, que apesar das dificuldades a escola tenta oferecer toda a felicidade possível. E pelo que ela e a Sub Diretora Rose Pena me contaram e as professoras confirmaram, a escola consegue. Foi uma tarde maravilhosa e me contaram os passeios e os projetos e fiquei sabendo que o poema que os pequenininhos mais amam é o Desejo de Abraço, do meu livro Poço dos Desejos, pois adoram abraçar e ser abraçados. Café com leite, pães e bolos e ouvi uma professora falando para outra o quanto era maravilhoso esse encontro fora da escola e num lugar tão belo. Ficaram emocionadas porque eu mesma faço o pão e sirvo, mas se não fosse assim qual seria a graça? Nana, que é super reservada, não gosta muito de gente, adorou o grupo e a Eunice e passou todo o nosso encontro sentada no meu colo. E Babel, que adora gente, não apareceu! Vai entender os gatos!

Neurivan Sousa

O ótimo livro “Poemas para metrônomo e vento”, da consagrada Roseana Murray, (Penalux, 2018), traz uma poesia sob medida que nos enlaça pela sutileza e deslumbramento das imagens. A densidade de seus poemas é de água e de pedra e de ventos e de árvores e de luas e de luz… Sua voz é de uma sonoridade rítmica tão delicada que se confunde com a polifonia produzida pelo beijo da aragem nas cortinas dos nossos olhos. É ler e se deixar levar pela fluidez de um rio manso e maiúsculo. Neurivan Sousa Professor – Santa Rita/MA

Clube de Leitura da Casa Amarela

O encontro do Clube de Leitura da Casa Amarela, que uma vez por ano acontece na casinha branca do bosque, em Visconde de Mauá, trouxe Diderot para a nossa sala, com todo o seu humor, ironia, irreverência. Que o romance Jaques, o Fataliste e seu Amo, com mais de 200 anos, traga um selo de atualidade, como se tivesse sido escrito hoje, foi o espanto que todos trouxeram para o grupo. Diderot faz um romance que vai sendo anunciado enquanto é construído. O narrador chama o leitor para dentro dessa viagem que sai de um lugar qualquer e vai para outro lugar qualquer enquanto vamos ouvindo mil e uma histórias maravilhosas com muitos narradores. Diderot desafia a nobreza, a Igreja e todas as regras. E gostaríamos de ter Jacques eternamente ao nosso lado, em suas aventuras, ouvindo a história dos seus amores. Liberdade, o poema do Paul Éluard, foi sendo lido em voz alta, estrofe por estrofe, nesse encontro onde falamos de servidão, tirania e liberdade. É um dos poemas mais belos que conheço. E ganhamos de presente um cassoulet, a feijoada francesa, do Chef Andre Murray, de comer rezando e a torta dos aniversariantes da Chef Daniela Keiko Takahagui Murray. E vinhos maravilhosos trazidos pelo grupo. Muito bom para preparar o clima de final da Copa do Mundo amanhã. E o próximo encontro será no dia 15 de setembro em Saquarema e vamos ler ou reler os livros De Repente nas Profundezas do Bosque, do Amós Oz e Momo de Michael Ende. Cada leitor trará um poema do poeta de sua escolha sobre o Tempo.