
A oficina de poesia começou no jardim da casa da Adriana aqui na Villa la Angostura na Rua Cerro Bayo, na Patagônia.
Éramos 13 mulheres, o grupo que está lendo e discutindo filosofia com a minha amiga, neste momento Spinoza.
Nunca haviam escrito um poema.
Começamos falando da diferença entre poesia e prosa.
Li meu poema A HORA AZUL.
A HORA AZUL
Algumas horas,
todos sabem,
não cabem nos relógios.
Se desgarram, feito um fio
de linha solto,
e nos agarram, nos levam
para longe.
É quando as fronteiras
se desmancham,
as frestas se abrem,
nossos mortos
nos visitam
e os devaneios
nos levam para dançar.
Roseana Murray
La Angostura, Patagônia,
20/11/25
Para mim, a poesia é gato, a prosa cachorro. Um gato é pura ambiguidade, caminhos sinuosos, esconderijos impensáveis. Um poema não precisa contar uma história.
A prosa/ficção,, como os cachorros, pode até ser ambígua e escorregadia, mas conta alguma história. Tem personagens. Um cachorro entrega seu amor, seu deleite, com muito mais clareza e obviedade.
Todo mundo entendeu. E as imagens poéticas, as metáforas, a música do poema, a respiração da/do poeta…
Coloquei a hora azul como nosso horizonte.
Li poemas de Alejandra Pizarnik, Idea Vilariño, Safo (um fragmento), Cecília Meirelles, Borges, Juan Gelman.
Embebidas com os poemas maravilhosos, entramos na sala, pois fora a temperatura começou a cair.
Escreveram poemas lindos com o tema A Hora Azul!
Muitas pintam, outras bordam, fotografam.
Faremos um E book para guardar esse momento tão mágico.
Vinhos e comidinhas e amor e amizade não poderiam faltar.