
“Esperando Godot” de Samuel Beckett foi a peça que discutimos neste fim de setembro, início da Primavera.
Beckett inaugura o Teatro do Absurdo.
Esperando Godot, essa espera contínua, o absurdo da vida, o não sentido da vida é encenado num palco vazio, num não tempo, num não lugar, apenas uma árvore sem folhas, hibernando ela própria, acrescentando ao vazio o seu próprio vazio.
Com dois pares de personagens, dois vagabundos e um Senhor e seu escravo e um menino, que também são dois, mensageiros de Godot.
Os diálogos são mecânicos, as palavras são ocas, também vazias, como para encher o ar de som, como se o silêncio fosse insuportável.
Esperando o quê? Quem é Godot?
Diante do non sense da existência, os vagabundos esperam, quem sabe, um prato de comida, um lugar para dormir.
O Senhor e seu Escravo esperam a liberdade?
Precisamos nos lembrar que a peça foi escrita logo após o final da II Guerra, a Europa recém se reconstruia, milhões de pessoas foram despojadas de seus próprios nomes.
Vladimir e Estragon, os vagabundos ao menos possuem nomes, como o Pozzo e seu escravo Lucky.
Godot seria a espera eterna de uma humanidade plena, de uma utopia nunca realizada?
Godot seriam as três folhas vivas na árvore, que também as esperava?
Para encontrar Godot cada um deve escolher que sentido quer dar à sua própria vida?