Em tempos de tela e I.A, reunir 20 pessoas presencialmente para discutir um livro juntas, na minha casa em Visconde de Mauá, entre abraços, o timbre da voz de cada um, é para ser comemorado. Esse tempo em que vivemos, veloz, feroz e saturado, pede pausas, para que os pensamentos sobre um livro possam se expandir.
O Clube de Leitura da Casa Amarela veio até aqui.
Escolhi o mesmo livro para os dois Clubes, O Meu Tio Aiuaretê. Já que é um monólogo, pude fazer isso . O Clube de Leitura do Vale Criativo aqui de Visconde de Mauá é de Dramaturgia e vi esse livro no teatro.
As Escolas Públicas deveriam ter um Clube de Leitura. Com certeza é uma maneira maravilhosa de formar leitores.
Ler Guimarães Rosa é adentrar numa outra língua.
Numa fusão da fala do Sertão com tantas palavras da língua Tupi, adentramos também numa história impressionante. Uma história de terror? Quem era o viajante invisível? E quem era no fundo do fundo o onceiro? Um serial killer? Ele vivia ali sozinho, um homem que parece perdido chega a cavalo na sua cabana e a história começa a se desenrolar, num tear de fios de medo.
O onceiro, que foi contratado para desonçar aquele lugar tão ermo, parou de matar as onças ao se descobrir onça. As onças são suas parentes.
O viajante tem cachaça e enquanto o homem-onça bebe, vai contando e contando quantas pessoas já matou, para logo desmentir: matei não, ele diz…
Ele conta da onça Maria-Maria, sua paixão…
E conta e vai e vem…
Até o final magnífico.
O leitor esperava este final???
Ler Guimarães Rosa é um imenso privilégio.
Duas horas de conversas , depois um almoço bem de roça que a minha amiga e ajudante Cris preparou, coisa de quem sabe, tamanha a perfeição:
Canjiquinha de linguiça e paio e canjiquinha de cogumelo.
De sobremesa minha neta fez um esplêndido bolo de chocolate para os aniversariantes do mês.
E se o onceiro bebia cachaça, nós bebemos vinho.