Poeta e escritora nascida no Rio de Janeiro, Roseana Murray é uma das vozes mais singulares da literatura brasileira contemporânea. Autora de cerca de 130 livros, construiu ao longo de mais de quatro décadas uma obra marcada pela delicadeza e por um profundo compromisso com a formação de jovens leitores da rede pública.
Durante anos, organizou leituras conjuntas acompanhadas de um belo café em sua varanda — um projeto concebido por ela e realizado em parceria apenas com escolas públicas, aproximando a poesia de estudantes muitas vezes distantes do livro.
Em 2024, sobreviveu a um ataque de cães da raça pit bull que lhe custou o braço direito e, poucos meses depois, despediu-se de seu companheiro, o jornalista Juan Arias. Longe de se recolher, transformou a experiência em matéria poética, reafirmando a literatura como gesto de empatia e resistência.
Aos 75 anos, segue escrevendo — com a mesma força de quem sabe que a palavra também é forma de permanência.
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No ano passado, Roseana me pediu para fazer três retratos dela. Surgiram muitas outras fotos e uma reflexão sobre retratos (portraits, em francês), gênero fotográfico que não é minha especialidade. E, de quebra, me deu vontade de divulgar o seu trabalho na França. Para quem não sabe, Roseana aprecia muito a literatura francesa e fala muito bem este idioma. Seria um desperdício não levar este talento para o mundo…