Catedral do Mar

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Ontem foi o encontro do nosso Clube de Leitura da Casa Amarela. Cedinho fiz os pães e junto com a Vanda , uma comidinha ótima: arroz com bacalhau e purê de abóbora com leite de coco e coentro. De sobremesa trouxe doces de Minas, Hélio e Fernando trouxeram cuscuz e Flora e Hector trouxeram um bolo cuja receita Flora experimentava pela primeira vez. Hector disse que seríamos cobaias, assim como os reis tinham alguém que experimentava a comida antes para se saber se estava envenenada. A discussão do livro A Catedral do Mar de Ildefonso Falcones foi calorosa. Fernando começou citando o livro do meu marido Juan Arias, 50 Motivos para Amar o Nosso Tempo, para comentar que perto da Idade Média vivemos no melhor dos mundos. E todos falaram das crueldades terríveis que eram moeda comum e que hoje são impossíveis em quase todos os lugares, eu disse quase. Todos citaram as partes mais tristes, mais impressionantes. Maria Clara falou do personagem principal como um super herói, mas apesar das improbabilidades dos encontros que o livro apresenta, a trama é muito bem montada e você não respira até o final.Cristiano falou da complexidade do personagem Juan, irmão adotivo de Arnau. Falamos do amor das mães do livro. César achou que Mar era a personagem mais fraca, menos bem construída.Maria Clara achou que o encontro final entre os dois ficou muito ambíguo. Falamos da inquisição e principalmente do poder. Ronaldo sublinhou que para ele a questão principal do livro era esta. Gil falou que as coisas não mudaram tanto. Os pobres continuam sendo sempre os grandes injustiçados. Falamos dos judeus, das injustiças sofridas. Todos concordaram que o livro era uma aula de história, Maria Clara frisou o quanto aprendemos sobre Barcelona e a Idade Média e como o livro está bem fundamentado. Ela trouxe um livro sobre o Gótico e mostrou as fotos da Catedral do Mar. Juan trouxe várias críticas que saíram no El País, seu jornal, críticas que acabaram com o livro, dizendo que é um quase plágio do livro Os Pilares da Terra e é catalanista. Eu acho que sim, o autor se inspirou nos Pilares da Terra, de Ken Fowlet e não sei se isso é um crime, a Idade Média está aí em mil livros de história e cada autor faz o que quiser com este material riquíssimo. A trama é diferente, os personagens são diferentes.Não acho que o livro seja catalanista, ele simplesmente conta a história de Barcelona. Chico achou o livro grande demais, ele poderia ter menos umas 150 páginas, ele disse, mas Maria Clara discordou, é aventura até o final. Discutimos qual das mulheres seria o grande amor da vida do Arnau e as opiniões foram divergentes. Gil falou que no livro, os personagens de alguma maneira davam a volta por cima e conseguiam sobreviver e naquele tempo isso já era muito. César disse que Arnau era um homem bom, mas a sua vingança não combinava com a sua bondade. Mas achamos muito justa a sua vingança por tudo o que sofreu. Angela, que trabalha na Sala de Leitura da escola Ozires, ganhou um aplauso pela homenagem que vai receber por seu trabalho, homenagem mais do que merecida.A Angela que veio do Rio falou da crueldade contra os judeus e trouxe livros da StellaMaris Rezende que foram sorteados durante o almoço. O poeta escolhido era Lorca e Juan leu esplendidamente La Casada Infiel em espanhol. Ronaldo trouxe o violão e cantou sua versão musical do Verde que te quero Verde.Gil, Hélio, Fernando leram belos poemas e Chico fez um poema sobre o Mar brincando com a personagem. Minha editora Carolina, da Rovelle, veio e sua doçura pairava pela sala. Eu falei da saudade imensa que sinto dos encontros aqui em casa com as escolas, do nosso lindo Café da Manhã Literário. Maria Clara, Cristiano e Ronaldo , que se encontraram na Rodoviária do Rio para vir para Saquarema, de tanto conversar, perderam o ônibus que havia mudado de plataforma e tiveram que vir de táxi para chegar a tempo.
Na mesa do almoço éramos uma grande família unida pelos livros. E tomara que este Clube siga por muitos e muitos anos.
O nosso próximo encontro será no dia 16 de novembro e leremos As Brasas do Sandor Maarai, que já li duas vezes e lerei pela terceira. Não conheço a poesia húngara e vamos trazer trazer algum poema húngaro. Ronaldo vai pesquisar e trazer alguma música para violão.
E o encontro será no sítio de um dos participantes. A todos os que estiveram aqui comigo meu mais profundo agradecimento.

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